A defesa do ex-jogador Robinho, brasileiro condenado por
estupro, em última instância, pela Justiça Italiana, apelou, nesta quinta-feira
(21), ao Supremo Tribunal Federal (STF), a fim de evitar a prisão imediata
ordenada, ontem (20), pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A defesa do condenado pede que o STF suspenda a
execução da pena até que se encerrem as possibilidades de recurso. “A
impetração está respaldada no bom direito do paciente, considerando que, mesmo
sem o encerramento da jurisdição do Superior Tribunal de Justiça,
determinou-se a execução da pena do paciente, contrariando o princípio da ampla
defesa e do devido processo legal”, alegaram os advogados.
A Corte Especial do STJ validou, por 9 votos a 2, o pedido da
Itália para que o réu cumpra a pena no Brasil. A sentença deliberada pela
Justiça italiana foi homologada, tendo a pena sido transferida para o Brasil.
De acordo com o portal de notícias G1, a defesa disse ao STF
que seu cliente não representa risco ao
cumprimento da decisão. “No caso em questão, o paciente aguardou em
liberdade todo o processo de homologação e nunca representou um risco à
aplicação da legislação pátria, portanto sua liberdade é de rigor até o
trânsito em julgado da discussão”, diz o pedido encaminhado à Suprema Corte.
Além disso, os advogados de Robinho argumentaram que há
chances de o STF reverter o entendimento do STJ, uma vez que, conforme alegam,
o pedido da Itália fere a Constituição Federal Brasileira. “Além do mais,
existe grande plausibilidade jurídica de que o Supremo Tribunal Federal possa
rever a decisão homologatória do Superior Tribunal de Justiça, pois a pretensão
apresentada pelo Estado italiano, de que seja homologada decisão condenatória
penal para que seja executada no Brasil pena estabelecida no estrangeiro,
coloca-se em chapada contrariedade à Constituição da República”, escreveram.
Para a defesa, diz o G1, na época em que o crime foi
cometido, não havia leis no Brasil que autorizassem a transferência para o
território nacional de penas definidas no exterior. Os advogados do réu tentam
convencer o STF de que a lei estaria retroagindo para prejudicar Robinho, o que
seria proibido. “Todavia, a nova lei que, segundo alguns, supostamente acabaria
por permitir aludido cumprimento, resultando em uma intensificação do direito
de punir pelo Estado, não poderia retroagir para prejudicar”, afirmaram os
advogados.
O STF ainda não se manifestou acerca do teor do recurso.