A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (25), a 25º
fase da Operação Lesa Pátria, que investiga a tentativa de golpe de Estado
perpetrada por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no dia 8 de
janeiro de 2023. Na ocasião, o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o
Supremo Tribunal Federal (STF), que representam os Três Poderes da República,
tiveram suas sedes invadidas e depredadas. Desta vez, os alvos foram dois empresários
suspeitos de financiar e fomentar o crime.
Joveci Xavier de Andrade e Adauto Lúcio de Mesquita, ambos
sócios do grupo Melhor Atacadista, foram presos. De acordo com a Agência
Brasil, a defesa dos empresários informou, por meio de nota, que não teve
acesso à decisão emitida pelo STF. “Ressalta-se que, desde o início, houve
esforços para esclarecer todos os fatos, compromisso que será mantido perante o
Supremo Tribunal Federal”, diz o documento.
Os advogados também ressaltaram que “a realização de
apurações pelo Estado é considerada válida” e que “os investigados veem, agora,
a oportunidade de elucidar completamente as questões em aberto”.
Ainda conforme o comunicado, os acusados “reiteram seu
compromisso com a democracia, o Estado de Direito, o respeito às Instituições,
ao processo eleitoral, ao Ministério Público e ao Judiciário, com especial
ênfase na sua instância máxima, o Supremo Tribunal Federal”.
Por fim, a nota destaca que “o grupo do qual Joveci e Adauto
são acionistas reitera que é contra o vandalismo e a intolerância
política e acredita que a democracia é feita com pensamentos diferentes,
mas jamais com violência”. E que a “diretoria do grupo respeita as Instituições
brasileiras, a democracia e o Estado de Direito”.
CPI – Ouvido pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos
Antidemocráticos da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Joveci Xavier de
Andrade alegou inocência. Na oportunidade, ele negou ter participado dos atos
de 8 de janeiro, em Brasília. Admitiu, no entanto, que esteve no local no dia
em que ocorreram as invasões.
O empresário declarou que não patrocinou alimentação, trio
elétrico, outdoors ou faixas de protesto utilizadas nos atos
ilícitos. “Não tenho conhecimento de como eles se sustentavam. Minha empresa
não compactua. Lá, só sai mercadoria paga”, garantiu.
Quando a CPI questionou a possível atuação do sócio dele na
tentativa de golpe, Joveci afirmou não poder responder por isso. “Não posso
responder por meu sócio, Adauto, enquanto pessoa física”, alegou.
A operação – Ao todo, nesta fase, estão sendo cumpridos 34 mandados
judiciais, sendo 24 de busca e apreensão, três de prisão preventiva e sete de
monitoramento eletrônico. As ordens partiram do STF.
Segundo a Agência Brasil, a PF informou que as ações policiais
estão em andamento no Rio Grande do Sul (RS), Minas Gerais (MG), Tocantins (TO),
Paraná (PR), Mato Grosso do Sul (MS), São Paulo (SP), Espírito Santo (ES) e
Distrito Federal (DF).
A corporação detalhou, também, que foi determinada a indisponibilidade de bens, ativos e valores dos investigados. A estimativa é de que os danos causados ao patrimônio público possam chegar à cifra de R$ 40 milhões. “Os fatos investigados constituem, em tese, crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido”, afirmou a PF.