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Brasil

Lula garante que Brasil tentará repatriar outras famílias retidas na Faixa de Gaza

14 de Novembro de 2023 | 12h 49
Lula garante que Brasil tentará repatriar outras famílias retidas na Faixa de Gaza
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recepcionou, na madrugada desta terça-feira (14), o grupo de 32 brasileiros e parentes palestinos que se encontravam retidos na Faixa de Gaza desde que o conflito bélico entre o Estado de Israel e o grupo extremista islâmico Hamas começou. Na ocasião, o governante assegurou que o corpo diplomático do país seguirá trabalhando, incansavelmente, para buscar todos os nacionais que quiserem sair da região.

De acordo com a Agência Brasil, Lula também ressaltou que os palestinos que quiserem acompanhar seus parentes brasileiros também serão acolhidos pelo Brasil. “A gente vai tentar fazer todo o esforço que estiver ao alcance da diplomacia brasileira para tentar trazer todos os brasileiros que lá estão e que queiram vir para o Brasil. Inclusive, alguns companheiros que tinham parentes não brasileiros eu pedi para trazer e a gente trataria de legalizar as pessoas aqui”, disse.

O presidente garantiu, ainda, que o governo não medirá esforços para trazer todos os que estão naquela porção do Oriente Médio. “Tem mais gente na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Enquanto tiver lista e possibilidade de a gente tirar uma pessoa, mesmo que seja uma só, a gente estará à disposição para mandar buscar as pessoas. Não vamos deixar nenhum brasileiro ficar lá por falta de cuidado do governo”, afirmou.

O presidente recebeu os repatriados na pista da Base Aérea de Brasília, por volta das 23h40, juntamente com a primeira-dama, Janja da Silva; o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino; o ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Silvio Almeida; a ministra da Saúde, Nísia Trindade; o ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Paulo Pimenta; o assessor especial da Presidência, Celso Amorim; e os comandantes das Forças Armadas.

Lula fez questão de cumprimentar cada um dos resgatados, ainda ao pé da escada do avião presidencial, que permaneceu no Egito por quase um mês, esperando para cumprir a missão de repatriação. O primeiro a desembarcar foi o comerciante Hasan Rabee, que ficou conhecido pelos vários vídeos que publicou na internet, mostrando a rotina angustiante da família sob o incessante bombardeio israelense e sob o bloqueio de suprimentos básicos à vida.

AGRADECIMENTO – As primeiras palavras de Rabee foram de agradecimento. “Boa noite! Queria agradecer ao presidente, Governo Federal, Força Aérea e Itamaraty. A gente ficou lá 37 dias, muito sofrimento. Às vezes, passamos fome e sede”, disse.

Ele também afirmou que o povo palestino está sendo vítima de um massacre e que, no início, tentou evitar que as filhas tomassem conhecimento da terrível realidade que estavam enfrentando. “O que está acontecendo lá é um massacre. Minhas filhas ficaram muito chocadas lá. Na primeira e segunda semana, a gente mentia. A gente falava que essas bombas eram de festas de aniversário, mas a gente não conseguiu segurar por muito tempo”, lamentou.

CRIANÇAS ASSUSTADAS – Hasan Rabee contou, com pesar, que as filhas, ao ouvirem os aviões israelenses se aproximando, fechavam as janelas, na esperança de se sentirem mais seguras. Ele também reforçou o pedido para que Lula providenciasse a vinda de seus parentes, especialmente sua mãe idosa e suas irmãs, que estariam aguardando a liberação, por Israel, de uma segunda lista de brasileiros ou parentes de brasileiros.

O presidente agradeceu a todos os envolvidos no trabalho que resultou no sucesso desta décima missão de repatriação, especialmente aos funcionários do governo brasileiro, diretamente ligados às negociações com as autoridades israelenses e egípcias. “A chegada desse décimo avião aqui no Brasil é o coroamento de um trabalho muito sério, que a gente deve a muita gente que trabalha no governo, deve à aeronáutica Brasileira, ao ministro das Relações Exteriores, que fez um trabalho excepcional quando assumiu a presidência do Conselho de Segurança da ONU”, observou.

Os brasileiros só foram incluídos na sétima lista emitida por Israel. O grupo conseguiu cruzar a Passagem de Rafah, divisa do enclave palestino com o território egípcio, no último domingo (12). O país com mais nacionais retirados da Faixa de Gaza foram os Estados Unidos. Outros oito países conseguiram repatriar 100 pessoas.

VITÓRIA DIPLOMÁTICA – Segundo a Agência Brasil, mesmo com a demora de concretizar a saída dos brasileiros da zona de conflito, especialistas em relações exteriores consideraram a operação uma “vitória diplomática”.

O grupo que desembarcou na Base Aérea de Brasília ficará hospedado por, pelo menos, dois dias em alojamento da FAB, onde receberá apoio psicológico, cuidados médicos e imunização. Depois, uma parte dos repatriados irá para outras cidades brasileiras, onde ficarão com parentes. Os que não têm familiares no país serão deslocados para um abrigo especializado em acolhimento de refugiados, no interior de São Paulo.

Voltando em Paz Com dez voos realizados, a Operação Voltando em Paz já transportou 1.477 passageiros, além de 53 animais domésticos. Deste total, 1.462 são brasileiros, 11 são palestinos, três têm nacionalidade boliviana e uma é oriunda da Jordaniana. As missões partiram de Tel Aviv, em Israel; de Amã, na Jordânia; e, agora, do Cairo, no Egito.

MILHARES DE MORTOS – A contraofensiva israelense, perpetrada em resposta ao ataque do Hamas que deixou 1.405 mortos no dia 7 de outubro, entre judeus e estrangeiros, já implicou na morte de mais de 11 mil palestinos, sendo a maioria absoluta composta por crianças (mais de 5 mil) e mulheres (mais de 3 mil). Também há indícios de que mais de 2 mil pessoas estão soterradas nos escombros, dentre elas mais de mil menores de idade.

As informações partem não apenas do Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, mas também de organismos internacionais de ajuda humanitária, como a Cruz Vermelha, a Sociedade do Crescente Vermelho Palestino (PRCS), o Médicos sem Fronteiras e a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA).

NOVA NAKBA – Além disso, há milhares de feridos e desabrigados. E mais de 1,1 milhão de pessoas está em deslocamento no território. Os moradores de Gaza tentam não ser mortos pelas bombas, já que não podem sair do enclave, que é completamente amuralhado e dominado pelas forças militares de Israel.

O êxodo em massa vem sendo chamado, por internacionalistas, de a nova “nakba”. A expressão, que significa “catástrofe”, remete ao primeiro deslocamento forçado enfrentado pelos palestinos em 1948, quando o recém-criado Estado de Israel expulsou, de forma violenta, esta parcela dos povos originários de suas terras.

Na ocasião, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 711 mil palestinos tiveram que fugir com a roupa do corpo, para não serem mortos. Muitos deles carregaram apenas as chaves de suas antigas casas ou ergueram faixas com este símbolo. O objeto representava a esperança e o direito de retornarem às suas terras.



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