Após mais de um mês de espera, 32 brasileiros que aguardavam
repatriação na Faixa de Gaza conseguiram cruzar a fronteira com o Egito, pela
Passagem de Rafah, na manhã deste domingo (12).
De acordo com o Itamaraty, os brasileiros seguem viagem, por
terra, até o Cairo, capital egípcia, onde pernoitarão. Na manhã desta
segunda-feira (13), o grupo embarca na aeronave VC2, da Presidência da
República, que está no Cairo há quase um mês, esperando para cumprir mais
essa missão de repatriação.
Será o décimo voo disponibilizado pelo Governo Federal do
Brasil, desde o início das hostilidades entre Israel e o Hamas, grupo radical
islâmico que controla o enclave palestino, para trazer de volta nacionais e
cidadão naturalizados que estavam na zona de conflito.
Segundo a Agência Brasil, inicialmente, o grupo era formado
por 34 pessoas, mas duas decidiram pela não repatriação, preferindo permanecer
em Gaza.
A negociação para retirar os brasileiros do epicentro da
guerra foi conduzida, diretamente, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
e pelo corpo diplomático do país, representado pelo ministro das Relações
Exteriores, Mauro Vieira. Ambos estiveram em contato com as autoridades israelenses,
palestinas e egípcias, desde o início do conflito bélico, no dia 7 de outubro.
Uma operação de acolhimento foi preparada pelo governo
brasileiro para receber os repatriados e seus familiares diretos. Conforme a
Agência Brasil, na ocasião, além de abrigo, serão ofertados serviços de cuidados
médicos, imunização, apoio psicológico e de documentação.
O secretário nacional de Justiça, do Ministério da Justiça e
Segurança Pública, Augusto de Arruda Botelho, disse que alguns repatriados têm
familiares no Brasil. Os que não têm serão acolhidos em um local no interior de
São Paulo, disponibilizado pelo governo.
O corpo diplomático brasileiro atuou ofertando apoio diário a
todos os cidadãos candidatos à repatriação, durante todo o período em que eles
estiveram na Faixa de Gaza. Garantiu-lhes, também, recursos essenciais, sempre
que possível.
Além disso, o Itamaraty emitiu inúmeros alertas às autoridades
israelenses, informando a localização do grupo, na tentativa de evitar ataques militares
nas áreas em que estavam refugiados. Mesmo assim, prédios próximos aos abrigos chegaram a ser bombardeados.