O diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros
Adhanom Ghebreyesus, disse, nesta sexta-feira (10), durante reunião do Conselho
de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que o sistema de saúde na
Faixa de Gaza está “à beira do colapso”, em função do incessante bombardeio
promovido pelas Forças de Defesa de Israel (FDI).
As tropas israelenses retaliam uma ação terrorista do Hamas,
grupo radical islâmico que controla o enclave palestino, no Sul de Israel. O
ataque, perpetrado no dia 7 de outubro, vitimou 1.405 pessoas, entre judeus e
estrangeiros. Desde então, por ordem do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu,
os palestinos vêm sendo massacrados indiscriminadamente.
Mais de 11 mil pessoas já morreram vítimas dos bombardeios, a
maioria civis, dentre os quais, mais de 5 mil crianças e mais de 3 mil mulheres,
conforme o Ministério da Saúde de Gaza. A OMS fala em mais de 10,8 mil mortes
confirmadas. Estima-se, ainda, que outros 2,5 mil moradores do território estejam
sob os escombros, sem possibilidade de resgate, sendo mais metade deles menores
de idade.
Segundo a Agência Brasil, a OMS diz ter averiguado mais de 250 ataques israelenses ao sistema de
saúde da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, território palestino próximo
ao enclave, que é militarmente controlado por Israel. Hospitais, clínicas de saúde
e ambulâncias foram destruídos parcial ou completamente. Do lado israelense, 25
alvos do mesmo tipo sofreram atentados.
Diante da desproporcionalidade e da brutalidade da ofensiva
de Israel, Ghebreyesus disse que, em Gaza, “o sistema de saúde está de joelhos”.
Conforme o diretor da OMS, metade dos hospitais do enclave não está funcionando.
O restante, destacou, opera acima da capacidade de atendimento.
Além disso, Tedros Adhanom disse que a superlotação das
instalações aumenta, sobremaneira, os riscos de surto de doenças diarreicas,
respiratórias e de infecções cutâneas.
Conforme o diretor da OMS, mais de 70% das vítimas são, de
fato, mulheres e crianças, situação que levou o secretário-geral da Organização
das Nações Unidas (ONU), António Guterres, a afirmar, na última segunda-feira
(6), que a
Faixa de Gaza está “se tornando um cemitério de crianças”.
Segundo Ghebreyesus, “uma criança morre a cada dez minutos,
em média, em Gaza”. Ele lembrou, ainda, que, entre as vítimas fatais, estão mais
de 100 funcionários da ONU. “Nenhum
lugar, nem ninguém está seguro”, disse, salientando que a OMS está apoiando os
trabalhadores da saúde, que se encontram física e mentalmente exaustos, mas “fazendo
o melhor em condições inimagináveis”.
Conforme a Agência Brasil, Marwan Jilani, diretor-geral da
Sociedade do Crescente Vermelho Palestino (PRCS), organização humanitária que
atua na Palestina, também fez um relato sobre a situação de saúde na Faixa de Gaza
durante a reunião do Conselho de Segurança da ONU. Ele denunciou que muitas
pessoas morreriam de fome ou de doenças, apelando ao órgão para que exija um
cessar-fogo eficaz e imediato, juntamente com a ajuda de emergência para o Norte
do enclave.
Gilad Erdan, embaixador e representante permanente de Israel
na entidade da ONU, contestou os dados divulgados pela OMS. Ele afirmou que as
informações apresentadas partem dos hospitais de Gaza. Não fez menção, no
entanto, a um ataque direto a um hospital israelense, há poucos dias, por
foguetes do Hamas.
A alegação do embaixador israelense é que o briefing da
OMS foi baseado em informações do Hamas, e não dos próprios funcionários da
ONU. “Infelizmente, estão transmitindo falsidades completamente desligadas da
realidade”, disse, sem levar em consideração que diversos organismos
internacionais estão no enclave palestino, atuando, diretamente, no socorro às
vítimas.