O governo do Egito convidou o Brasil a participar, neste sábado
(21), de uma cúpula para discutir o conflito protagonizado por Israel e o grupo
extremista Hamas na Faixa de Gaza. O país africano administra uma das fronteiras
do enclave palestino. As outras três são controladas pelo Estado israelense.
De acordo com a Agência Brasil, a Presidência da República
informou que um representante irá ao encontro, no lugar do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT). O governante ainda se recupera de uma recente cirurgia no quadril. O nome do porta-voz não foi
anunciado, até o momento.
O principal foco do encontro, que ocorrerá no Cairo, capital egípcia,
é a crise humanitária em Gaza. Há 12 dias, o enclave está submetido a incessantes
bombardeios, por parte das forças militares israelenses. Um cerco
total também foi determinado pelo Estado de Israel.
Desde então, a entrada de alimentos, remédios, suprimentos
médicos e combustíveis foi proibida. E serviços essenciais, como água e energia
elétrica, suspensos. Por conta disso, os 2,3 milhões de habitantes, que, antes
da guerra, já viviam em situação de vulnerabilidade social, enfrentam condições
inumanas, sem ter acesso, sequer, à ajuda humanitária enviada por outros países.
O convite feito pelo Egito ocorre após o Brasil, que,
atualmente, preside o Conselho de Segurança das Nações Unidas, tentar aprovar
uma resolução sobre o conflito, que visava a abertura de corredores
humanitários, para a entrada de suprimentos e retiradas de civis.
Apesar do amplo apoio de outros países, a proposta
foi vetada pelos Estados Unidos, membro permanente do Conselho de Segurança
da entidade e apoiador histórico do Estado de Israel. O texto teve a aprovação
de 12 nações. Inglaterra e Rússia optaram por se abster.
No encontro a ser realizado no Cairo, também devem participar
países árabes, como a Jordânia, o Catar e a Turquia. A lista oficial dos participantes,
no entanto, ainda não foi divulgada.
No sábado (14), Lula
conversou, por telefone, com o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sissi,
para tratar da repatriação
de brasileiros e palestinos residentes no Brasil que se encontram retidos
em cidades próximas à divisa egípcia, conhecida como passagem de Rafah.
Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) já está no Egito,
esperando autorização para trazer de volta 28 pessoas. A missão de resgate
também levou ajuda humanitária aos palestinos. O Brasil
doou purificadores de água portáteis, remédios e insumos médicos de
primeiros socorros. O material, assim como os donativos de diversos países,
está na fronteira egípcia, aguardando liberação para a entrada na Faixa de Gaza.
As tensões entre israelenses e palestinos no território remontam há séculos, mas se acirraram ainda mais após a criação do Estado de Israel, pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1948. O atual conflito bélico eclodiu após o Hamas invadir, no último dia 7 de outubro, uma zona fronteiriça situada no Sul de Israel e matar e sequestrar civis, inclusive de outras nacionalidades. A contraofensiva israelense foi imediata e brutal, resultando na morte de quase cinco mil palestinos, até o momento, grande parte mulheres e crianças.