A Agência Brasileira de Cooperação (ABC), setor vinculado ao
Ministério das Relações Exteriores, enviou, nesta segunda-feira (16), 40 purificadores
de água portáteis e quase 300 quilos de remédios e materiais de primeiros-socorros
à Faixa de Gaza. A operação conta com o apoio do Ministério da Saúde.
A ajuda humanitária visa atender os palestinos que estão sob incessante
bombardeio e privados de água, comida, energia elétrica, combustíveis, medicamentos
e outros insumos básicos desde o dia 7 de outubro, após o Estado de Israel
atacar e impor bloqueio total ao enclave, em retaliação à ofensiva do Hamas,
grupo extremista islâmico, ao seu território.
Os itens têm como destino os hospitais da região, que estão
sem condições estruturais de atender milhares de vítimas da guerra entre o país
governado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o grupo radical que
controla Gaza.
De acordo com a CNN Brasil, os primeiros kits foram transportados
em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), que também será usada para dar
seguimento ao plano de repatriação de brasileiros que estão na região do
conflito. Em função disso, também integram a missão duas psicólogas, um médico,
uma enfermeira e uma técnica de enfermagem da FAB, que atuarão no suporte aos
resgatados.
Egito
realizará entrega – O
material foi, inicialmente, enviado a Roma. De lá, seguirá, em um avião menor, para
o Egito, país que gerencia uma das fronteiras do enclave e que está responsável
pelo recebimento de ajuda internacional destinada aos palestinos que habitam o
território. As outras três divisas são controladas pelo Estado de Israel.
A Faixa de Gaza é considerada, por organismos políticos e de
ajuda humanitária internacionais, como uma “prisão sem teto”, por ser totalmente
amuralhada. Os moradores não têm direito de ir e vir desde 2005. Ninguém pode sair
do enclave sem autorização do governo ou da Justiça israelenses.
O Governo Federal do Brasil estima que os suprimentos doados possam
beneficiar 13,5 mil pessoas por dia. Mas ainda não há estimativa de quando o
material cruzará a passagem de Rafah, cidade palestina que faz fronteira com o
Egito.
Segundo o Ministério do Interior de Gaza, esta madrugada, o
território fronteiriço e também a cidade de Khan Yunis foram novamente
bombardeadas por Israel, matando 49 pessoas. Um grupo composto por 22
brasileiros e seis palestinos residentes no Brasil está dividido entre estas
duas localidades, aguardando autorização para cruzarem a passagem de Rafah. O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está negociando a repatriação
deles com os governos do Egito, Israel e da Autoridade Palestina.
O Egito alega esperar condições seguras para abrir a
fronteira aos estrangeiros que esperam pelo resgate de seus países e, também, realizar
o transporte da ajuda humanitária que está chegando de diversos países. Centenas
de caminhões aguardam do lado do país africano.