O primeiro avião de resgate pousou em Brasília por volta das 4h10 desta quarta-feira (11), com 211 brasileiros que estavam em Israel. A aeronave KC-30, pertencente à Força Aérea Brasileira (FAB), decolou de Tel Aviv às 14h12 (horário de Brasília) de ontem (10). Foram 14 horas de voo direto para a capital federal.
De acordo com a Agência Brasil, 107 passageiros desembarcaram
em Brasília. Os outros 104 seguiram para o Rio de Janeiro, em dois aviões
da FAB.
A repatriação dos brasileiros foi autorizada pelo Governo Federal
em função do conflito armado que se estabeleceu naquela região do Oriente Médio,
no último fim de semana, entre o Estado de Israel e o grupo extremista islâmico
Hamas, estabelecido na Palestina.
Mais quatro voos estão previstos até o próximo domingo
(15). A Operação Voltando em Paz é coordenada pelos ministérios da Defesa e das
Relações Exteriores. O Brasil estima, nessa primeira fase, retirar 900
brasileiros que se encontram nos territórios israelense e palestino.
As próximas aeronaves com repatriados, diz a Agência Brasil,
deverão pousar no Rio de Janeiro, no Recife e em São Paulo. Outras duas, as
últimas, também no Rio. As passagens referentes ao deslocamento até o destino
final de cada repatriado serão custeadas pela empresa aérea Azul. A parceria com
a companhia foi articulada pela Presidência da República.
Até o momento, o Itamaraty colheu dados de pelo
menos 2,7 mil brasileiros interessados em deixar a região do conflito. A
maioria estava em Israel a turismo, visitando Tel Aviv e Jerusalém (cidade
sagrada para o judaísmo, o cristianismo e o islamismo), quando terroristas do
Hamas atacaram o território israelense, matando centenas de pessoas, no último
sábado (7).
A resposta de Israel foi imediata e igualmente violenta. O
governo de Benjamin Netanyahu, desde então, bombardeia incessantemente a Faixa
de Gaza. A região é dominada por Israel desde a criação de seu Estado, em 1948,
por intermédio da Organização das Nações Unidas (ONU). Anteriormente, a área
era colônia da Inglaterra.
O ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, ordenou,
na última segunda-feira (9), o “cerco completo” à região. Os moradores da Faixa de Gaza, que
já estavam sem luz e combustível desde o domingo (8), também ficaram sem remédios,
água e comida. Em ambos os lados da guerra, civis estão sendo massacrados.
No Brasil, nesta quarta-feira (11), a ministra substituta das
Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, disse que o objetivo do governo
brasileiro é "trazer todos de volta". Segundo a Agência Brasil, o
ministro da Defesa, José Múcio, e o comandante da Aeronáutica, Marcelo
Damasceno, receberam os repatriados na Base Aérea de Brasília.
O Itamaraty priorizou, inicialmente, o traslado de cidadãos residentes
no Brasil que visitavam Israel sem ter passagem de volta. A segunda etapa
da operação está sendo planejada e deverá ser posta em prática após a conclusão
desses primeiros cinco voos.
BRASILEIROS MORTOS – O confronto do fim de semana também ceifou vidas de
cidadãos brasileiros, como Ranani Nidejelski Glazer e Bruna Valeanu, ambos com 24 anos.
Os jovens participavam de um festival de música eletrônica
que ocorria no Sul de Israel, nas proximidades da Faixa de Gaza, quando o Hamas
deu início à ofensiva bélica. Na ocasião, somente no local do evento, foram encontrados
260 mortos. A informação é da imprensa israelense.
Uma brasileira segue desaparecida. De acordo com a Agência
Brasil, a carioca Karla Stelzer, de 41 anos, vive em Israel há mais de dez anos.
Ela também participava da rave, denominada Universo Paralello.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que
cerca de 14 mil brasileiros vivem em Israel. Outros 6 mil, na Palestina.
Além disso, muitos turistas viajam para conhecer locais considerados sagrados
ou participar de eventos.
Orientações – A Embaixada do Brasil em Tel Aviv recebe, desde o
início do conflito, por meio de formulário disponível em seu site, a inscrição de interessados em repatriação.
Os plantões consulares da embaixada em Tel Aviv (+972 (54)
803 5858) e do Escritório de Representação em Ramala (+972 (59) 205 5510), com
whatsapp, permanecem em funcionamento, com a finalidade de atender
pessoas em situação de emergência. O plantão consular geral do Itamaraty,
em Brasília, também pode ser contatado através do telefone +55 (61)
98260-0610.
Conforme a Agência Brasil, o Escritório de Representação em Ramala, na Cisjordânia, segue em contato com cerca de 50 brasileiros que vivem na Faixa de Gaza. O órgão prepara a retirada dos que desejam deixar a região, em coordenação com a Embaixada do Brasil no Cairo, cidade egípcia. O país faz fronteira com a Palestina.
A FAB está mapeando os aeroportos da região para realizar a operação de resgate. O Itamaraty orienta que todos os brasileiros que dispõem de passagens aéreas, ou condições de adquiri-las, embarquem em voos comerciais, a partir do Aeroporto Internacional Ben Gurion. O equipamento continua em operação, apesar de algumas restrições.