Sob bombardeio constante há oito dias, a Ucrânia está
desfigurada. Mas a Rússia não abriu ulcerações apenas na tessitura arquitetônica
do país europeu. Ao atacar (injustificadamente, aos olhos de todo o mundo)
crianças, idosos e milhares de civis, os russos escavaram uma ferida narcísica
sem precedentes na alma da nação ucraniana.
E foi imbuído do mais legítimo sentimento de indignação que
Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, garantiu ao seu povo a reconstrução
de "todos os prédios, todas as ruas, todas as cidades" do país.
Em um discurso gravado em vídeo e divulgado nesta quinta-feira
(3), o chefe de Estado também afirmou que a Rússia vai pagar por todos os danos
infligidos à Ucrânia. "Dizemos à Rússia: aprenda a palavra
'reparações'", declarou, sentenciando, ainda, que o país inimigo "vai
ter de nos reembolsar, integralmente, por tudo o que fez contra o nosso Estado
e contra todos os ucranianos".
Por ordem de Vladimir Putin, Moscou avança contra a Ucrânia
em três frentes, desde o primeiro instante após a declaração de guerra
anunciada pelo presidente russo. Forças terrestres e aéreas atacam e
bombardeiam, de forma orquestrada e incessante, diversas cidades do país. As
autoridades de Kiev, capital da Ucrânia, contabilizam, até aqui, mais de 2 mil
civis ucranianos mortos. A Organização das Nações Unidas (ONU) fala em 1 milhão
de refugiados.
Putin tentou justificar o que chamou de "operação
militar especial" alegando necessidade de desmilitarizar o país vizinho.
Conforme o governo russo, essa seria a única maneira de "defesa"
encontrada pela Rússia. Ele garantiu, ainda, que a ofensiva vai durar o tempo
que for preciso.
A guerra na Ucrânia tem sido condenada pela comunidade
internacional. A União Europeia e os Estados Unidos posicionaram-se contra de
imediato e responderam ao ataque russo enviando armas e munições à Ucrânia.
Além disso, impuseram sanções econômicas ao invasor. O intuito é isolar e
sufocar a Rússia, na tentativa de fazer Vladimir Putin retroceder. Mas, até
agora, nenhuma medida surtiu efeito.