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Caças russos violam espaço aéreo da Suécia; EUA advertem contra guerra nuclear

03 de Março de 2022 | 12h 01
Caças russos violam espaço aéreo da Suécia; EUA advertem contra guerra nuclear
Foto: Maxim Chemetov/Reuters

As tensões geradas pela guerra na Ucrânia avançaram em direção à Suécia, nesta quarta-feira (2). Isto porque quatro aviões de combate russos violaram o espaço aéreo do país nórdico. A invasão ocorreu, apenas, por alguns instantes, mas geraram protestos na capital, Estocolmo.

De acordo com o jornalista Igor Gielow, da Folhapress, o incidente foi protagonizado por dois caças Su-27 e dois caças-bombardeiros Su-24. Eles entraram na região da ilha de Gotland, situada no mar Báltico. O local é militarizado e funciona como ponto estratégico para os suecos.

O Ministério da Defesa da Suécia informou que caças Gripen foram enviados para a área. Os invasores, no entanto, já haviam se retirado. Não se sabe, ao certo, se a entrada e saída rápida dos russos se deveu a algum tipo de teste da agilidade sueca ou se a incursão foi um erro corrigido a tempo.

De qualquer forma, as Forças Armadas do país consideram a violação de seu espaço aéreo um episódio grave. "À luz da situação corrente, nós vemos o evento muito seriamente", afirmou o órgão, por meio de nota.

Em entrevista à agência de notícias sueca TT, o ministro Peter Hultqvist condenou a invasão e disse que fará uma queixa formal a Moscou. "É claro que é completamente inaceitável", advertiu.

Segundo Gielow, casos assim são relativamente comuns. Entretanto, é raro haver violação de espaço aéreo. Ele explica que aviões de ambos os lados testam a agilidade de combate do adversário, tanto na Europa quanto no Pacífico ou no polo Norte.

O problema, no caso da invasão russa, é, justamente, o conflito travado contra a Ucrânia. Analistas de todo o mundo veem o ataque ao território ucraniano como algo sem paralelo desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. E isso, diz o articulista, tem gerado especulações acerca da ampliação do embate entre Moscou, Washington e os países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar intergovernamental comandada pelas potências ocidentais.

A Suécia não integra a Otan. Trata-se de uma forma de não antagonizar a Rússia. O mesmo ocorre com a Finlândia. No entanto, os dois países operam em consonância com as diretrizes operacionais da organização. Conforme analistas de todo o mundo, um dos motivos da fúria do presidente russo, Vladimir Putin, ter sido lançada sobre a Ucrânia foi, justamente, a pretensão do país de integrar a aliança ocidental.

GUERRA NUCLEAR – Diante das ameaças veladas de uso do arsenal nuclear russo, feitas por Putin ao mundo, caso algum país tente intervir no conflito diretamente, ontem, Antony Blinken, secretário de Estado norte-americano, afirmou, durante entrevista coletiva, que "ninguém ganha uma guerra nuclear, todos perdem".

A visão é um consenso entre os países detentores da bomba. Tanto que, na reunião do Conselho da Segurança das Nações Unidas, todos assinaram um documento se comprometendo a não iniciar um conflito atômico. Está claro o ponto da crise.

Moscou, por sua vez, não tem perdido a oportunidade de dizer o óbvio. De acordo com Igor Gielow, o secretário de Estado russo, Serguei Lavrov, ressaltou, durante uma entrevista à rede árabe Al Jazeera, que "uma Terceira Guerra Mundial seria muito destrutiva e nuclear". O mundo vê com preocupação as declarações do governo da Rússia.

No último domingo (27), foi Vladimir Putin que lembrou ao mundo o poder destrutivo do arsenal nuclear de seu país. O presidente russo colocou em alerta máximo suas forças estratégicas, encurtando, ainda mais, os caminhos burocráticos entre a ordem de lançamento de uma ogiva nuclear e os militares a seu serviço.

Putin, claramente, mandou um recado às autoridades da Otan que reagiram à sua ilegítima incursão contra a Ucrânia. No mesmo dia, ele havia advertido os países ocidentais que não se metessem na sua guerra particular contra outro país europeu. A pena para tal atitude, conforme o presidente russo, seria uma imposição de força completamente inédita na História. O mundo recebeu sua fala como uma ameaça nuclear.

Gielow lembra que a Rússia e os EUA detêm 90% das ogivas nucleares mundiais. E que a herança da primeira Guerra Fria é mais do que suficiente para exterminar a humanidade. Americanos e aliados insistem que não cruzarão as fronteiras ucranianas, para evitar um confronto com os russos.

O mundo não quer pagar para ver até que ponto Putin estaria blefando e tenta estender a mão à Ucrânia de formas indiretas. A Terceira Guerra Mundial é, hoje, um dos assuntos mais comentados em meios jornalísticos de todo o mundo, o que não ocorria desde os anos da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).



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