Morreu, neste domingo (26), aos 90 anos, o arcebispo Desmond
Tutu, vencedor do Prêmio Nobel da Paz, em 1984, por resistir, de forma não
violenta, ao apartheid, sistema legislativo que segregava pessoas negras na
África do Sul.
De acordo com a Agência Brasil, o ativista foi diagnosticado
com câncer de próstata no final dos anos 1990. Recentemente, ele passou por
diversas hospitalizações relacionadas ao tratamento.
Por meio das redes sociais, o atual presidente da África do Sul,
Cyril Ramphosa, afirmou que Tutu era "um patriota sem igual". O chefe de Estado
lamentou a perda do ativista. "Rezamos para que a alma do arcebispo Tutu
descanse em paz, mas que seu espírito fique de guarda e vigie o futuro de nossa
nação", disse.
Após o fim do regime segregacionista, Tutu foi nomeado
presidente da Comissão da Verdade e Reconciliação da África do Sul, que se
propunha a investigar e punir crimes cometidos durante o apartheid.
Amigos de longa data, Desmond Tutu e Nelson Mandela - preso político do extinto sistema de segregação racial e ex-presidente da África do Sul - viveram, por muito tempo, na mesma rua, na cidade
sul-africana de Soweto. A vizinhança tornou o local único no mundo a abrigar dois
vencedores do Prêmio Nobel da Paz.
Sobre o arcebispo e companheiro de ideais, Mandela, que
faleceu no dia 5 de dezembro de 2013, declarou: "Sua qualidade mais
característica é a prontidão em tomar posições impopulares sem nenhum medo. Tal
independência de pensamento é vital para o sucesso da democracia".