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Criança morre após contrair ameba devoradora de cérebro, em fonte recreativa, nos EUA

29 de Setembro de 2021 | 12h 13
Criança morre após contrair ameba devoradora de cérebro, em fonte recreativa, nos EUA
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Uma criança texana morreu após contrair um tipo raro ameba, que ataca "devorando" a massa encefálica, em uma fonte aquática recreativa do condado de Arlington, nos Estados Unidos. O óbito foi confirmado na última segunda-feira (27).

De acordo com a CNN Brasil, a criança foi hospitalizada no dia 5 de setembro, com um diagnóstico de meningoencefalite amebiana primária. Bastante incomum e frequentemente fatal, a infecção é causada pela ameba Naegleria fowleri. A informação foi veiculada pelo Departamento de Saúde Pública do Condado de Tarrant e da cidade de Arlington, por meio de um comunicado conjunto à imprensa.

A criança morreu no dia 11 de setembro, mas, para proteger sua identidade, nenhum detalhe foi divulgado. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a Naegleria fowleri é comumente encontrada no solo e em água doce quente, a exemplo de lagos, rios e fontes termais. Também pode ocorrer em piscinas mal conservadas ou sem cloro.

O micro-organismo infecta as pessoas quando a água contaminada entra no corpo, através do nariz. Ao instalar-se na cabeça, começa a destruir todo o tecido cerebral, como se estivesse, efetivamente, "comendo o cérebro" da vítima.

Conforme o comunicado à imprensa, autoridades da cidade e do condado foram notificadas, pelo hospital, acerca da condição da criança no dia 5 de setembro. A CNN informou que, logo após, o departamento de saúde iniciou uma investigação para determinar a fonte de contaminação. Dois possíveis locais foram apontados: a casa da família, no condado de Tarrant, e a fonte do Don Misenheimer Park, em Arlington, cuja administração decidiu fechar, imediatamente, o parque. Por precaução, também fechou, durante o resto do ano, outras três fontes públicas.

No dia 24 de setembro, o CDC avaliou que a criança foi, provavelmente, exposta à Naegleria fowleri enquanto brincava com os respingos da fonte, depois que os testes confirmaram a presença da ameba ativa em amostras de água do parque. "Isso parte meu coração. Sou pai de quatro filhos, avô de cinco crianças de 2 a 7 anos. Não consigo imaginar ter que enterrar uma criança assim", disse Jim Ross, prefeito de Arlington, à KTVT, afiliada da CNN.

Segundo à nota oficial, a água potável da cidade não chegou a ser contaminada. Isto porque, segundo o gestor, a área de respingos está equipada com um dispositivo de prevenção de refluxo, projetado para isolar o sistema de água da instalação.

Baixo nível de cloro - A cidade de Arlington abriu investigação para apurar os procedimentos de manutenção, equipamento e teste de água da fonte recreativa. De acordo com a CNN, as autoridades municipais determinaram que os dados do teste de qualidade da água precisavam de melhorias. Também constataram que, algumas vezes, os funcionários não realizavam a prova antes de abrir a instalação. "Identificamos lacunas em nosso programa de inspeção diária", disse o vice-gerente da cidade, Lemuel Randolph.

Ele salientou, ainda, que "essas lacunas resultaram no não cumprimento de nossos padrões de manutenção" e determinou que todas as fontes permaneçam fechadas, até que se alcance a garantia de que os sistemas estão operando como deveriam. "Confirmamos um protocolo de manutenção consistente com a cidade, condado e padrões estaduais", assegurou.

Os registros de fontes de respingo, incluindo a do Don Misenhimer Park, mostraram que os funcionários não registraram consistentemente, ou, em alguns casos, sequer realizaram, os testes de qualidade da água exigidos. A testagem inclui a verificação de cloro, usado como desinfetante.

Uma revisão dos registros, diz a CNN, mostrou que as leituras de cloração da água não foram documentadas em dois dos três dias em que a criança visitou o parque, no final de agosto e início de setembro. O comunicado enviado à imprensa afirma que "documentos mostram que os níveis de cloração dois dias antes da última visita da criança estavam dentro dos limites aceitáveis". "No entanto, a próxima leitura documentada, que ocorreu no dia seguinte à visita da criança, mostra que o nível de cloração havia caído abaixo do mínimo necessário e que cloro adicional foi adicionado ao sistema de água".

Informações do CDC dão conta de que cinco dias são necessários, após a contaminação, para que os sinais de meningoencefalite amebiana primária apareçam. A sintomatologia pode incluir dor de cabeça, febre, náuseas e vômitos. A doença progride rapidamente e, de modo geral, causa a morte entre um e 18 dias após a manifestação inicial.

Conforme a CNN, o CDC ressaltou que, de 2010 a 2019, apenas 34 infecções foram relatadas nos Estados Unidos. Do total de casos, 30 pessoas foram infectadas por água recreativa, três pessoas foram contaminadas após realizar irrigação nasal com água de torneira contaminada e uma pessoa foi exposta à ameba por água de torneira contaminada usada em um Slip ‘N Slide, tipo de brinquedo aquático para quintais.

No ano passado, um menino de 6 anos, em Lake Jackson, Texas, morreu após contrair a "ameba comedora de cérebro". O micro-organismo foi encontrado na água da fonte onde o menino havia brincado. Já em 2019, uma menina de 10 anos, também texana, morreu após resistir à infecção por mais de uma semana. De acordo com a KWTX, afiliada da CNN, ela foi infectada, provavelmente, enquanto nadava no rio Brazos e no lago Whitney, localizados na região de Waco.



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