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Tiroteio em universidade russa deixa, pelo menos, 8 mortos; aluno de 18 anos é autor do ataque

20 de Setembro de 2021 | 11h 59
Tiroteio em universidade russa deixa, pelo menos, 8 mortos; aluno de 18 anos é autor do ataque
Foto: Maksim Kimerling/Reuters

Um estudante de 18 anos matou a tiros oito pessoas e deixou um saldo de, pelo menos, 24 feridos, na manhã desta segunda-feira (20), na Universidade Estatal de Perm, cidade localizada 1,3 quilômetros a leste de Moscou, capital da Rússia. A informação foi veiculada pelo Ministério da Saúde local.

Ainda não se sabe exatamente o número de vítimas. As forças de segurança ainda estão investigando a cifra deste novo ataque armado. Muita gente se feriu tentando escapar do atirador, saltando pelas janelas do edifício.

Identificado como Timur Bekmansurov, o autor dos disparos era aluno de Ciências Forenses na Faculdade de Direito da mesma instituição. Conforme o El País, pouco antes do ataque, a rede social russa Vkontakte bloqueou a conta do jovem, a fim de evitar a difusão de uma mensagem que mostrava sua foto com um capacete e o rifle de caça usado no atentado.

Imagens exibidas por um canal televisivo russo mostraram a chegada do suspeito à universidade e as cenas de pânico desencadeadas pelos tiros. "Éramos 60 pessoas na sala de aula. Fechamos a porta e nos entrincheiramos com cadeiras", disse o estudante Semion Karyakin à agência de notícias Reuters.

Ao tomarem conhecimento do massacre, muitos taxistas da cidade se dirigiram ao campus, na tentativa de ajudar a retirar os alunos. Segundo o El País, a universidade criticou a demora dos serviços de emergência aos seus pedidos de socorro. O vigilante do local não conseguiu apertar o botão de pânico, o que teria alertado imediatamente as forças de segurança, porque foi uma das primeiras vítimas. Ele foi surpreendido pelo atirador.

De acordo com a filial da RTP em Moscou, o presidente russo, Vladimir Putin, atribui as ações à influência dos Estados Unidos, com o efeito da globalização. O uso e porte de armas de fogo são restritos, no país. No entanto, esse tipo de ataque vem ocorrendo com, cada vez mais, frequência.

Uma das razões é que, apesar de a fiscalização ser bastante rigorosa, algumas categorias de armas podem ser compradas, para a caça, defesa pessoal ou uso esportivo. Exige-se dos aspirantes a proprietários que superem certas provas e completem outros requisitos previstos em lei. Foi assim, de forma legal, que Timur Bekmansurov conseguiu a escopeta Huglu Atrox T, com cartuchos de calibre 12/76a, que usou para praticar o crime.

Segundo a agência Interfax, uma fonte dos serviços médicos da região disse que o suspeito se submeteu a um exame médico geral, que incluiu testes psiquiátricos e de narcóticos, obtendo a aprovação. Acabou constatando-se que a informação foi confirmada pelo próprio assassino, uma vez que o mesmo se gabou, em suas redes sociais, da facilidade com a qual tinha se armado.

Em sua rede social, o estudante relatou a conversa com um funcionário do serviço de autorização de porte de armas. "‘Você precisa fazer um teste de personalidade, é longo, 500 perguntas’, me disse, pedindo que eu voltasse dias depois. Ao voltar para casa, não foi difícil encontrar a prova, ler os critérios de avaliação e ser aprovado nela algumas dúzias de vezes, durante o fim de semana", escreveu.

O texto também explica como o agressor preparou o atentado e revela a dúvida sobre como o ataque seria arrematado, se com um suicídio ou se morto pelos agentes de segurança. "Não sei se termino eu ou se deixo que os policiais façam isso. A segunda opção seria mais divertida", avaliou, levando em conta, ainda, possibilidade de ser preso. "Não posso descartar a possibilidade de ser detido. É, aí, eu seria um perdedor", concluiu.

Falando de si mesmo no passado, o criminoso também deixou escrito que, do seu ponto de vista "leigo", o ocorrido não poderia ser classificado como um atentado terrorista, já que ele "não era membro de organizações extremistas, nem religioso, nem antipolítico".

Bekmansurov enfatizou, ainda, o tempo de planejamento da ação criminosa e os "muitos anos" que levou economizando para comprar a arma. "Para mim, não tinha importância como fazer. Eu usaria uma arma, um carro, ou talvez uma bomba ou uma faca. Optei pela arma só porque sou bom disparando, especialmente após ver os resultados dos meus colegas, há dois anos, nas aulas de tiro. Lamentáveis", ironizou.

Conforme o El País, esta não é a primeira tragédia de 2021, com armas de fogo, na Rússia. No dia 11 de maio, sete crianças e dois professores foram mortos, em um colégio de Kazan, região do Tartaristão, por um estudante de 19 anos. Nesse episódio, o criminoso também obteve a arma legalmente. Após a tragédia, Putin ordenou a proibição da venda de espingardas e de outras armas de caça a pessoas menores de 21 anos. A lei, no entanto, só entrará em vigor em 2022.

O presidente russo enviou suas condolências às vítimas e seus familiares. O primeiro-ministro do país, Mikhail Mishustin, ordenou aos ministros da Saúde, da Ciência e da Educação que viajassem, imediatamente, a Perm, para acompanhar os desdobramentos tragédia. A cidade recebeu, ainda, um avião de Moscou com ajuda médica.

Três universidades de Perm fecharam suas portas, hoje. As autoridades locais declararam estado de emergência. Além do tiroteio, a Guarda Nacional também se deslocou a um supermercado, após a divulgação de rumores falsos, nas redes sociais. Nada havia acontecido no local.

O massacre, diz o El País, ocorreu um dia após a última jornada das eleições legislativas da Rússia, neste final de semana, em que o partido de Putin, o Rússia Unida, revalidou sua maioria na Duma (Parlamento).



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