Nas últimas horas, pelo menos cinco mísseis foram disparados
contra o aeroporto de Cabul, capital do Afeganistão. Os projéteis, no entanto, foram
interceptados por baterias antimísseis dos Estados Unidos (EUA). O local segue
sob a administração das tropas norte-americanas, após a tomada
de controle da cidade, no dia 15 de agosto, pela milícia fundamentalista Talibã,
e dos ataques
a bomba orquestrados pelo grupo terrorista Estado Islâmico Khorasan (ISIS-K), organização
militar de caráter salafita jihadista, na última quinta-feira (26).
Segundo a Agência Brasil, a filial da Rádio e Televisão de
Portugal (RTP) em Cabul reportou que, até o momento, não há registros de que o
contra-ataque tenha deixado feridos. A Casa Branca garantiu que não houve
interrupções na evacuação do aeroporto, onde milhares
de afegãos e estrangeiros, em pânico, lutam para conseguir deixar o país,
antes do dia 31 de agosto, prazo final, estipulado pelo Talibã, para a retirada
oficial das forças ocidentais, após 20 anos de guerra.
Os cinco mísseis interceptados tinham a capital afegã como
alvo. Não se sabe ao certo, ainda, quem ordenou o ataque. Mas, nestas últimas
horas antes da saída dos Estados Unidos, novos atentados são esperados, principalmente
na região do aeroporto.
Ontem (29), uma ofensiva norte-americana executada por drone alvejou
um veículo na capital afegã, deixando um saldo de nove mortos, incluindo
crianças. Segundo as autoridades do país, o objetivo do ataque era interceptar um
carro-bomba, conduzido por terroristas que planejavam detonar os explosivos no
aeroporto de Cabul.
Segundo a RTP, na manhã desta segunda-feira (30), o Conselho
de Segurança das Nações Unidas está reunido, com o propósito de discutir a
situação no Afeganistão. O encontro foi convocado pelo secretário-geral da
Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, após o atentado de
quinta-feira, que vitimou, dentre os mais de 150 mortos, 13 militares
norte-americanos.
O conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake
Sullivan, afirmou que as forças norte-americanas continuarão tentando garantir
uma passagem segura para quem deseja sair do Afeganistão, mesmo após o prazo
final. Nas primeiras horas de hoje, quase 100 países emitiram um comunicado
conjunto, no qual asseguram que o Talibã garante que estrangeiros ou afegãos
com autorização para viajar continuam tendo permissão para deixar o país. "Recebemos
garantias do Talibã de que todos os cidadãos estrangeiros e qualquer cidadão
afegão com autorização de viagem terão permissão para prosseguir, de forma
segura e ordeira, por meio dos pontos de partida para fora do país", diz o
documento.
Divulgada pelo Departamento de Estado norte-americano, a nota
destaca, ainda, que é função destas garantias que o país continuará emitindo documentação
para afegãos designados. "Temos a expectativa clara e o compromisso dos talibãs
de que esses possam viajar para os nossos países", reitera o texto.
Ainda conforme a RTP, com o intuito de proteger os cidadãos que
tentarem abandonar o Afeganistão depois de 31 de agosto, Nova Iorque, França e Reino
Unido - membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - vão apresentar
uma resolução que propõe a criação de uma zona segura em Cabul.