O presidente do Haiti, Jovenel Moïse, foi morto a tiros
durante um ataque à sua residência, localizada na capital, Porto Príncipe,
disse o primeiro-ministro interino do país, Claude Joseph.
Segundo a BBC Brasil, o premier informou, por meio de um
comunicado, que a residência oficial do presidente foi invadida por homens
armados não identificados, à 1h hora local (1h do horário de Brasília).
No atentado, a primeira-dama, Martine Moïse, também foi ferida.
Ela teria levado um tiro, mas Claude Joseph não informou o estado de saúde
dela. O premier disse, ainda, que "todas as medidas foram tomadas para garantir
a continuidade do Estado e proteger a nação".
Ele pediu à população "que se acalme", afirmando que "a
situação da segurança no país está sob o controle da Polícia Nacional haitiana
e das Forças Armadas do Haiti".
Jovenel Moïse, de 53 anos, governava o Haiti desde fevereiro
de 2017, após seu antecessor, Michel Martelly, ter deixado o cargo.
GOLPES DE ESTADO - Nação economicamente mais pobre das
Américas, o Haiti tem um longo histórico
de ditaduras e golpes de Estado. De acordo com o G1, nos últimos meses, o país vem enfrentando uma crescente crise política e humanitária, com escassez de alimentos e
violência nas ruas.
Com 11,4 milhões de
habitantes, O Haiti está entre os países com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo:
0,51. A economia nacional é pouco desenvolvida e se baseia em atividades
primárias. O principal produto de exportação é o açúcar. O país também cultiva
manga, banana, milho e outros alimentos. Este segmento emprega a maioria da
população.
Localizado na porção oeste da ilha de Hispaniola, no mar do
Caribe, o Haiti faz fronteira terrestre apenas com a República Dominicana (a
leste). Em função dos últimos acontecimentos,
o país vizinho anunciou
que está fechando sua fronteira. O presidente Luis Abinader fez uma reunião de
emergência, mas ainda não se pronunciou oficialmente.
Crise política - De acordo com o G1, Jovenel Moïse governava
por decreto há mais de um ano, após o país não conseguir realizar eleições
legislativas. O presidente assassinado queria promover uma reforma
constitucional polêmica.
Ele dizia que ficaria no cargo até 7 de fevereiro de 2022, baseado
em uma interpretação da Constituição rejeitada pela oposição, que considerava o
mandato do chefe de Estado extinto desde 7 de fevereiro de 2021.
No início do ano, diz o G1, autoridades do país afirmaram ter
frustrado uma "tentativa de golpe"
de Estado contra o presidente. Foi informado que Moïse teria sido alvo de um
atentado malsucedido. Mais de 20 pessoas foram presas, na ocasião,
inclusive um juiz federal do Tribunal de Cassação e uma inspetora geral da
Polícia Nacional.
Problemas
institucionais - A disputa sobre o fim do mandato era consequência da primeira eleição de
Moïse. O presidente foi eleito em outubro de 2015 para um mandato de cinco
anos. O pleito foi cancelado por fraudes. No ano seguinte, ele venceu uma nova
disputa e tomou posse em 2017.
Eleições legislativas e municipais deveriam ser realizadas este
ano, no Haiti. No entanto, foram adiadas para 2022. O fato gerou um vácuo de
poder. E Jovenel Moïse alegava estar habilitado para continuar no cargo por
mais um ano.