O The Guardian, jornal britânico considerado um dos mais importantes periódicos do mundo, classificou como "obsceno" o comportamento do presidente Jair Bolsonaro, durante passeio de moto realizado, neste domingo (23), no Rio de Janeiro. O evento gerou uma grande aglomeração, justo quando o país alcançou a lamentável marca de 449.068 vidas perdidas para o novo coronavírus.
O presidente e os membros de sua comitiva, entre eles o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, não usaram máscaras durante o ato. O gesto foi repetido por milhares de seus seguidores. Segundo o Uol, o The Guardian afirmou que o ato de Bolsonaro foi uma "tentativa" de "reenergizar seu movimento de extrema direita em declínio, enquanto a raiva pública cresce sobre sua forma de lidar com o surto de Covid-19 no país".
O jornal também deu destaque às reações de repúdio dos opositores do presidente, que bateram panelas, das varandas de seus apartamentos, chamando o chefe de Estado de "genocida". "Muitos dissidentes denunciaram como ‘genocida’ sua forma de lidar com uma epidemia de Covid-19 que matou quase meio milhão de brasileiros, quase metade do total de vidas perdidas na América Latina e no Caribe", diz a publicação.
REPERCUSSÃO NEGATIVA - Conforme o Uol, outro periódico internacional a repercutir negativamente a atitude de Bolsonaro foi o argentino Clarín. O jornal noticiou que o presidente percorreu as ruas da capital fluminense, promovendo aglomeração, "apesar do coronavírus". Disse, ainda, que Jair Bolsonaro "liderou" uma marcha com motociclistas sem fazer uso de máscaras de proteção.
O corpo a corpo do presidente em seus apoiadores foi um dos destaques da reportagem. "Ao chegar na praia do Flamengo, próximo ao centro da cidade, o presidente desceu de sua motocicleta para passear entre os milhares de manifestantes que o aguardavam. Ele apertou a mão deles e posou para fotos com seus rostos descobertos", relatou o jornal.
O Clarín também se referiu a Bolsonaro como "presidente de extrema direita", destacando suas falas contra os governadores e prefeitos brasileiros. Disse, também, que, desde abril, o chefe do Executivo nacional "busca mobilizar sua base de fãs mais extremistas em um momento em que sua popularidade está no ponto mais baixo desde que chegou ao poder, em 2019".
Conforme o Uol, o Clarín ainda repercutiu pesquisas recentes, mostrando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como líder da corrida presidencial de 2022.