A Índia vive um dos momentos mais críticos da pandemia de Covid-19. Nas últimas
24h, o país registrou o número recorde 3.689 mortes. O número de contaminados
também é alto: 392.488,
no período de um dia. Entretanto, esta não é a maior média da semana. Neste
sábado (1º), as autoridades sanitárias indianas registraram 401.993 novos casos
da doença.
Segundo
país do mundo mais afetado pelo novo coronavírus, com um total de mais de 19,5
milhões de pessoas infectadas, a Índia já perdeu cerca de 215 mil habitantes,
desde que a pandemia começou, no final de 2019. A situação é caótica. Com
tantos doentes necessitando de internação, o sistema hospitalar do país
colapsou. Não há leitos e falta oxigênio para suprir as necessidades dos
pacientes. O cenário é devastador: pacientes dividindo camas nas unidades de
saúde pública; doentes morrendo dentro das ambulâncias, sem socorro médico; diversos
corpos sendo cremados em locais públicos, ao mesmo tempo.
De
acordo com a CNN Brasil, uma pesquisa de 2017, feita pela Fundação de Saúde
Pública da Índia, mostrou que as dívidas hospitalares foram responsáveis por
deixar mais de 55 milhões de pessoas em estado de pobreza, entre os anos de
2011 e 2012. Além disso, cerca de 90% dos mais pobres não têm seguro de saúde.
Em 2021, com a crise sanitária provocada pelo novo coronavírus, a situação se
agravou ao extremo.
NOVAS VARIANTES - Os cientistas apontam que as novas variantes
encontradas no país são as responsáveis pela elevada taxa de transmissão da
Covid-19. Segundo especialistas, pelo menos duas mutações têm deixado o vírus
ainda mais perigoso e letal: a cepa encontrada na África do Sul e a mutação
originada na Califórnia, estado localizado no oeste dos Estados Unidos.
As
variantes, dizem os pesquisadores, podem ter tornado as células humanas mais
vulneráveis ao vírus. Elas seriam capazes de evadir os anticorpos e as células
imunes do corpo humano. Conforme a CNN, dados da base de genoma GISAID apontam
que 38% das amostras coletadas na Índia contêm as duas cepas. A mutação causada
por elas foi chamada de B.1.617. A grande preocupação da comunidade
científica é a, cada vez mais, veloz capacidade de modificação e adaptação do
vírus ao organismo humano.
RESTRIÇÕES - Para evitar o contágio, cerca de 10 estados
indianos impuseram algumas medidas restritivas. Contudo, o governo central reluta em impor um lockdown nacional.
Segundo a CNN, o estado
oriental de Odisha foi o último a anunciar um bloqueio de duas semanas,
juntando-se a Delhi, Maharashtra, Karnataka e Bengala Ocidental. Outros
estados, incluindo Uttar Pradesh, Telangana, Assam, Andhra Pradesh e Rajasthan,
impuseram toques de recolher noturnos ou bloqueios de fim de semana.
Em
abril, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, disse que todos os esforços
deveriam ser empreendidos para evitar um bloqueio total do país. O temor é
o impacto devastador que a medida poderia provocar na economia. O lockdown
imposto no ano passado, após o primeiro surto de Covid-19, levou à perda
massiva de postos de trabalho, uma vez que a produção econômica caiu um recorde
de 24% em abril-junho de 2020, em comparação com o mesmo período de 2019.
O
aumento do número de casos também levou a uma redução de profissionais da área
de saúde. Segundo a mídia local, o governo federal planeja incentivar
estudantes de medicina e enfermagem a ajudarem na linha de frente dos serviços
de saúde, que, a cada dia, ficam mais caóticos.
De
modo geral, as baixas nos locais de trabalho, seja por adoecimento ou por
necessidade de cuidar de parentes infectados, tornam a situação do país ainda
mais grave. Em solidariedade aos indianos, a ajuda internacional começou a
chegar. Neste domingo, diz a CNN, o secretário de Relações Exteriores da
Grã-Bretanha, Dominic Raab, disse que, "muito em breve", enviaria mais
ventiladores pulmonares ao país. Os Estados Unidos já enviaram equipamentos
essenciais de oxigênio, produtos terapêuticos e matérias-primas para a produção
de vacinas.
FESTIVAIS - O governo de Narendra Modi vem sendo
duramente criticado por permitir que milhões de pessoas, grande parte sem
máscaras, participassem de festivais religiosos e comícios políticos lotados,
em cinco estados, durante os meses de março e abril. O número de casos diários dispararam,
nesses estados, desde então.