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Índia bate novo recorde de mortes diárias por Covid-19; faltam leitos e oxigênio nos hospitais

02 de Maio de 2021 | 15h 35
Índia bate novo recorde de mortes diárias por Covid-19; faltam leitos e oxigênio nos hospitais
Foto: Altaf Qadri/AP Photo

A Índia vive um dos momentos mais críticos da pandemia de Covid-19. Nas últimas 24h, o país registrou o número recorde 3.689 mortes. O número de contaminados também é alto: 392.488, no período de um dia. Entretanto, esta não é a maior média da semana. Neste sábado (1º), as autoridades sanitárias indianas registraram 401.993 novos casos da doença.

Segundo país do mundo mais afetado pelo novo coronavírus, com um total de mais de 19,5 milhões de pessoas infectadas, a Índia já perdeu cerca de 215 mil habitantes, desde que a pandemia começou, no final de 2019. A situação é caótica. Com tantos doentes necessitando de internação, o sistema hospitalar do país colapsou. Não há leitos e falta oxigênio para suprir as necessidades dos pacientes. O cenário é devastador: pacientes dividindo camas nas unidades de saúde pública; doentes morrendo dentro das ambulâncias, sem socorro médico; diversos corpos sendo cremados em locais públicos, ao mesmo tempo.

De acordo com a CNN Brasil, uma pesquisa de 2017, feita pela Fundação de Saúde Pública da Índia, mostrou que as dívidas hospitalares foram responsáveis por deixar mais de 55 milhões de pessoas em estado de pobreza, entre os anos de 2011 e 2012. Além disso, cerca de 90% dos mais pobres não têm seguro de saúde. Em 2021, com a crise sanitária provocada pelo novo coronavírus, a situação se agravou ao extremo.  

NOVAS VARIANTES - Os cientistas apontam que as novas variantes encontradas no país são as responsáveis pela elevada taxa de transmissão da Covid-19. Segundo especialistas, pelo menos duas mutações têm deixado o vírus ainda mais perigoso e letal: a cepa encontrada na África do Sul e a mutação originada na Califórnia, estado localizado no oeste dos Estados Unidos. 

As variantes, dizem os pesquisadores, podem ter tornado as células humanas mais vulneráveis ao vírus. Elas seriam capazes de evadir os anticorpos e as células imunes do corpo humano. Conforme a CNN, dados da base de genoma GISAID apontam que 38% das amostras coletadas na Índia contêm as duas cepas. A mutação causada por elas foi chamada de B.1.617. A grande preocupação da comunidade científica é a, cada vez mais, veloz capacidade de modificação e adaptação do vírus ao organismo humano. 

RESTRIÇÕES - Para evitar o contágio, cerca de 10 estados indianos impuseram algumas medidas restritivas. Contudo, o governo central reluta em impor um lockdown nacional.

Segundo a CNN, o estado oriental de Odisha foi o último a anunciar um bloqueio de duas semanas, juntando-se a Delhi, Maharashtra, Karnataka e Bengala Ocidental. Outros estados, incluindo Uttar Pradesh, Telangana, Assam, Andhra Pradesh e Rajasthan, impuseram toques de recolher noturnos ou bloqueios de fim de semana.

Em abril, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, disse que todos os esforços deveriam ser empreendidos para evitar um bloqueio total do país. O temor é o impacto devastador que a medida poderia provocar na economia. O lockdown imposto no ano passado, após o primeiro surto de Covid-19, levou à perda massiva de postos de trabalho, uma vez que a produção econômica caiu um recorde de 24% em abril-junho de 2020, em comparação com o mesmo período de 2019.

O aumento do número de casos também levou a uma redução de profissionais da área de saúde. Segundo a mídia local, o governo federal planeja incentivar estudantes de medicina e enfermagem a ajudarem na linha de frente dos serviços de saúde, que, a cada dia, ficam mais caóticos.

De modo geral, as baixas nos locais de trabalho, seja por adoecimento ou por necessidade de cuidar de parentes infectados, tornam a situação do país ainda mais grave. Em solidariedade aos indianos, a ajuda internacional começou a chegar. Neste domingo, diz a CNN, o secretário de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Dominic Raab, disse que, "muito em breve", enviaria mais ventiladores pulmonares ao país. Os Estados Unidos já enviaram equipamentos essenciais de oxigênio, produtos terapêuticos e matérias-primas para a produção de vacinas.

FESTIVAIS - O governo de Narendra Modi vem sendo duramente criticado por permitir que milhões de pessoas, grande parte sem máscaras, participassem de festivais religiosos e comícios políticos lotados, em cinco estados, durante os meses de março e abril. O número de casos diários dispararam, nesses estados, desde então.



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