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Bolsonaro participa de cúpula virtual sobre clima, adotando discurso mais moderado

22 de Abril de 2021 | 12h 39
Bolsonaro participa de cúpula virtual sobre clima, adotando discurso mais moderado
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O presidente Jair Bolsonaro foi convidado a participar da Cúpula do Clima, juntamente com 40 chefes de Estado e outras autoridades. Organizado pelo governo dos Estados Unidos, o evento virtual começou nesta quinta-feira (22) e vai até amanhã (23). Segundo a Agência Brasil, entre os convidados estão o papa Francisco e a indígena brasileira Sinéia do Vale.

A cúpula antecede a 26ª Conferência sobre o Clima, a Cop26, que será realizada no mês de novembro, em Glasgow, na Escócia. Um dos principais objetivos do evento é assegurar o compromisso dos países com a preservação do meio ambiente, impedindo que a temperatura média do planeta ultrapasse a elevação de 1,5 grau, neste século.

Visto como um pária ambiental, sobretudo em função do desmatamento da Amazônia, intensificado nos últimos dois anos, o governo do Brasil enviou uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, comprometendo-se a acabar com a derrubada ilegal das florestas brasileiras até 2030. No documento, Bolsonaro reconheceu o aumento das taxas de desmatamento, segundo ele a partir de 2012, e afirmou que o Estado e a sociedade precisam aperfeiçoar o combate a esse crime ambiental.

Conforme a Agência Brasil, além de definir metas e compromissos, Bolsonaro também apontou as iniciativas do Brasil para a preservação do meio ambiente, como projetos nas áreas de bioeconomia, regularização fundiária, zoneamento ecológico-econômico e pagamento por serviços ambientais.

Hoje, durante seu discurso na Cúpula dos Líderes sobre o Clima, o presidente baixou o tom e disse que o Brasil está aberto à cooperação internacional, prometendo que o país atingirá a neutralidade climática até 2050. Isto significa dizer que Bolsonaro se comprometeu a zerar o balanço das emissões de carbono no prazo de 29 anos. "Determinei que nossa neutralidade climática seja alcançada até 2050. Antecipando, em 10 anos, a sinalização anterior", disse.

MODERAÇÃO - Mais moderada em relação a discursos ambientais anteriores, a fala de Jair Bolsonaro não fez referências aos atuais recordes de desmatamento registrados na Amazônia. De acordo com o Uol, o presidente se limitou, apenas, a afirmar que pretende acabar com a atividade ilegal no setor até 2030. "Destaco, aqui, o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030, com a plena e pronta aplicação do nosso código florestal. Com isso, reduziremos em quase 50% nossas emissões até essa data", garantiu.

O presidente também ressaltou a importância de conciliar a preservação ambiental na Amazônia com o desenvolvimento econômico legal. Ele salientou, ainda, que é preciso contemplar os interesses de todo o povo brasileiro, incluindo indígenas e comunidades tradicionais. "A solução desse paradoxo amazônico é condição essencial para o desenvolvimento sustentável da região. Devemos aprimorar a governança da terra, bem como tornar realidade a bioeconomia, valorizando, efetivamente, a floresta e a biodiversidade", afirmou.

Conforme Bolsonaro, esse deve ser o esforço, mesmo "diante da magnitude dos obstáculos, inclusive financeiro". A observação veio junto com um pedido de ajuda internacional. "É fundamental poder contar com a contribuição de países, empresas, e entidades dispostas a atuar de maneira imediata, real e construtiva na solução desses problemas", observou.

DISTANCIAMENTO DA IMAGEM RUIDOSA - Interlocutores do Palácio do Planalto e do Itamaraty já esperavam uma atitude mais contida, por parte do presidente. Segundo o Uol, a postura branda de Bolsonaro busca o afastamento da imagem ruidosa que ele deixou durante a abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), no ano passado.

Na ocasião, diz o portal de notícias, ele faltou com a verdade e distorceu fatos, além de ter afirmado que o Brasil seria "vítima de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal", segundo ele, "escorada em interesses escusos" por parte de "instituições internacionais" junto a "associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas".

Durante a Assembleia Geral da ONU, Jair Bolsonaro também responsabilizou "índios e caboclos" amazônicos pelos incêndios na região, declarando, ainda, que as queimadas no Pantanal ocorriam em função das altas temperaturas registradas.

No contexto atual, melhorar o diálogo com a comunidade internacional, sobretudo com os Estados Unidos e a China, tornou-se uma demanda inevitável aos interesses do Brasil, daí a adoção de um discurso moderado e próximo ao que pensam outros líderes mundiais.



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