A Dinamarca decidiu retirar o imunizante contra a Covid-19 desenvolvido pela farmacêutica britânica AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford do seu plano de vacinação. É o primeiro país europeu a abandonar o fármaco. A decisão veio após várias ocorrências de óbitos e reações adversas sérias, posteriores a aplicação da vacina, no continente.
De acordo com o portal de notícias Uol, as autoridades de saúde dinamarquesas comunicaram que a medida é preventiva e decorre da precaução diante de “raros, mas graves” efeitos colaterais. “A campanha de vacinação na Dinamarca continua sem a vacina da AstraZeneca”, declarou o diretor da Agência Nacional de Saúde, Søren Brostrøm, durante uma entrevista coletiva.
A Dinamarca optou pela exclusão da vacina mesmo após a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), que investigou a relação entre o imunizante e coágulos sanguíneos desenvolvidos por pessoas vacinadas, recomendar que os países da União Europeia não suspendessem a aplicação do fármaco, alegando que seus benefícios superam os riscos.
O governo dinamarquês adquiriu 2,4 milhões de doses da vacina AstraZeneca/Oxford. Segundo o Uol, a retirada do medicamento não deve afetar a vacinação da população mais idosa. No entanto, a decisão pode atrasar, em até três semanas, o processo de imunização da população geral.
Além de retirar a vacina da AstraZeneca do plano de imunização, a Dinamarca decidiu pela suspensão do imunizante da Janssen, recém-chegado ao país. O fármaco está em análise, nos Estados Unidos. Nesta terça-feira (13), a FDA, agência reguladora americana, recomendou a suspensão da aplicação da vacina, também em função da ocorrência de casos de trombose.
EFEITO RARO – Na semana passada, a Agência Europeia de Medicamentos afirmou que coágulos sanguíneos em pessoas vacinadas com o imunizante anticovid da AstraZeneca devem ser considerados efeito colateral “muito raro”. O órgão estabeleceu “uma possível ligação com casos muito raros de coágulos sanguíneos incomuns, juntamente com níveis baixos de plaquetas sanguíneas”.
De acordo com Emer Cooke, diretora-executiva da EMA, não foram identificados fatores de risco específicos, como “idade, sexo, ou antecedentes médicos”. Ela salientou que “uma explicação plausível para estes raros efeitos colaterais é uma resposta imunológica à vacina”. E afirmou que a vacina é “muito eficaz” e “salva vidas”.
Apesar disso, muitos países europeus decidiram restringir o uso do imunizante britânico. Conforme o Uol, a Alemanha anunciou, ontem, que vai administrar outras vacinas como segunda dose, em pessoas que receberam o fármaco da AstraZeneca na primeira. Espanha, Irlanda e França também chegaram a suspender a utilização da vacina em seus territórios, mas voltaram a autorizar.