A Dinamarca informou, neste sábado (20), a detecção de mais dois casos de coágulos sanguíneos e hemorragia cerebral em funcionários de um hospital, após o recebimento de doses da vacina contra a Covid-19 elaborada pela farmacêutica AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford.
De acordo com o jornal espanhol ABC, a autoridade que administra os hospitais públicos em Copenhagen disse que um dos membros da equipe de saúde foi a óbito. Ambos haviam recebido o imunizante da AstraZeneca menos de 14 dias antes de adoecerem.
A agência dinamarquesa de medicamentos confirmou que havia recebido duas “denúncias graves”, mas não entrou em detalhes. Tampouco divulgou quando a equipe do hospital adoeceu.
Recentemente, 15 países europeus suspenderam, temporariamente, a vacinação com o fármaco da AstraZêneca/Oxford, após a detecção de casos de trombose, que levaram alguns pacientes à morte. Esta semana, no entanto, alguns países, incluindo Alemanha e França, reverteram a decisão, depois que relatos de coágulos sanguíneos cerebrais raros foram enviados a cientistas e governos, a fim de descartar quaisquer ligações com a vacina. A Dinamarca, que suspendeu o uso do imunizante do laboratório britânico no dia 11 de março, ainda não retomou a inoculação.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse, esta semana, que a aplicação da vacina era segura e recomendou que o medicamento continuasse a ser utilizado. No último dia 18, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) afirmou que os benefícios do imunizante superam os riscos. A declaração veio após a investigação de relatos de 30 casos de problemas sanguíneos incomuns entre 5 milhões de pessoas que receberam o fármaco.
Emer Cooke, diretora da EMA, ressaltou, na quinta-feira (18), que o órgão não pode descartar definitivamente uma ligação entre os incidentes de coágulo sanguíneo e a vacina. Mas salientou que a conclusão da revisão é “clara” quanto ao benefício de proteger as pessoas do risco de morte ou hospitalização ser superior à possibilidade de reação adversa. Segundo o órgão, a questão ainda precisa ser analisada mais detalhadamente.
Conforme o ABC, a AstraZeneca informou que uma revisão cobrindo mais de 17 milhões de pessoas que receberam doses de seu imunizante na União Européia (EU) e na Grã-Bretanha não encontrou evidências de um aumento do risco de coágulos sanguíneos.