Alemanha, Áustria, França, Itália, Grécia, Portugal, Espanha e República Tcheca estão entre os primeiros países a participarem do programa de vacinação em massa iniciado, neste domingo (27), na Europa. A campanha é parte do esforço coletivo de combate à pandemia de Covid-19, doença que já matou mais de 1,7 milhão de pessoas, em todo o mundo, e afetou, economicamente, diversas nações.
Idosos e profissionais da área da saúde integram o grupo prioritário e já começaram a formar fila para receber a primeira dose da vacina desenvolvida pelas farmacêuticas Pfizer e BioNTech. De acordo com a Agência Brasil, diante da grande logística que a imunização massiva exige, alguns países europeus tiveram que convocar médicos aposentados para ajudar. Alguns países, inclusive, precisaram mudar regras sobre quem tem autorização para aplicar injeções.
A distribuição da vacina da Pfizer/BioNTech, lançada pela primeira vez na Grã-Bretanha, no início deste mês, é um grande desafio. Isto porque o imunizante usa uma nova tecnologia genética de mRNA (RNA mensageiro), que exige armazenamento em temperatura ultrabaixa, de cerca de 80 graus Celsius negativos.
Ainda segundo a Agência Brasil, com pesquisas apontando altos níveis de hesitação em relação à vacina, sobretudo em países como França e Polônia, os líderes dos 27 países da União Europeia estão promovendo a imunização como “a melhor chance de voltar a algo como a vida normal no próximo ano”.
O presidente francês, Emmanuel Macron, que, este mês, testou positivo para o novo coronavírus, deixando a quarentena apenas na véspera do Natal, estimulou os franceses a confiarem na vacinação. “Temos uma nova arma contra o vírus: a vacina. Precisamos nos manter firmes, mais uma vez”, disse.
Em Berlim, capital da Alemanha, Gertrud Haase, de 101 anos, foi a primeira pessoa a ser vacinada. Nascida em fevereiro de 1919, ela mora em uma casa de repouso desde 2011. Haase foi ao local de vacinação acompanhada de outros colegas do asilo.
Na Itália, primeiro país europeu a registrar um grande número infecções, onde o vírus já matou mais de 70 mil pessoas, a enfermeira Claudia Alivernini, de 29 anos, foi uma das primeiras a receber a primeira dose do imunizante. Também foram vacinados, hoje, os profissionais de saúde do hospital Lazzaro Spallanzani, de Roma. O plano nacional de vacinação está sendo implementado pelo ministério da saúde italiano. “É o começo do fim”, disse Nicola Zingaretti, líder da região do Lazio e do co-governante Partido Democrata da Itália.
A primeira pessoa a ser imunizada na Espanha foi Araceli Hidalgo, de 96 anos. “Vamos ver se conseguimos fazer esse vírus ir embora”, disse ela, após ser vacinada, aos funcionários de sua casa de repouso, em Guadalajara, nas proximidades de Madrid.
As autoridades sanitárias espanholas descreveram a campanha de vacinação contra o novo coronavírus na Europa como “sem precedentes na história da humanidade".
OUTROS PAÍSES – A Áustria também iniciou o programa de vacinação neste domingo. Os primeiros imunizados pertencem a grupos populacionais mais vulneráveis, como os idosos, por exemplo. Trabalhadores da linha de frente de combate à doença também são prioridade.
Na República Tcheca, a primeira pessoa a receber a vacina contra o novo coronavírus foi o primeiro-ministro Andrej Babis, no Hospital Militar Central de Praga, pouco antes de outras unidades hospitalares da capital começarem a distribuir as 9.750 doses que o país recebeu, até o momento.
Na Grécia, as duas primeiras pessoas imunizadas foram uma enfermeira e uma idosa. A capital do país, Atenas, recebeu, neste sábado (26), um primeiro lote de quase 10 mil doses. A vacina foi transportada em um caminhão com temperatura controlada.
Vasilis Kikilias, ministro da saúde da Grécia, disse que as duas vacinas marcaram o início da “contagem regressiva para tirar nossas vidas de volta”. Segundo as autoridades do país, até o final de dezembro, a Grécia deve receber cerca de 83.850 doses. A estimativa é que, até o final de março, o país receba 1.265.550 unidades de imunizantes.
UNIÃO EUROPEIA – Até o final de 2020, a União Europeia deve receber em torno de 12,5 milhões de doses de vacinas. Essa quantidade é suficiente para imunizar 6,25 milhões de pessoas, sendo duas doses para cada uma. As empresas estão lutando para atender à demanda global e, em 2021, pretendem produzir 1,3 bilhão de doses.
Além da Pfizer, a Europa fechou contratos com uma série de fabricantes de medicamentos, incluindo a Moderna e a AstraZeneca. A ideia é conseguir um total de mais de 2 bilhões de doses de vacinas. O bloco definiu uma meta para que todos os adultos sejam imunizados no próximo ano.