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Um dia após ataque em Nice, governo francês diz estar em guerra contra 'ideologia islamista'

30 de Outubro de 2020 | 14h 07
Um dia após ataque em Nice, governo francês diz estar em guerra contra 'ideologia islamista'
Um dia após o atentado terrorista que deixou três pessoas mortas em Nice, entre elas uma brasileira, o governo francês afirmou que o país está em guerra contra "a ideologia islamista" e que deve estar preparado para ataques similares no futuro. Duas semanas após o assassinato do professor Samuel Paty, decapitado após mostrar cartuns do profeta Maomé em uma aula, o crime de quinta-feira evidencia a dificuldade que Paris encontra para lidar com os impactos do Islã radical em seu território.
 
Em uma entrevista à rádio RTL, o ministro do Interior, Gerald Damarnin, adotou tom similar ao usado na véspera pelo presidente Emmanuel Macron em frente à Basílica de Notre-Dame, palco do crime em Nice, quando afirmou que a "França está sob ataque".
 
— Nós estamos em guerra contra um inimigo que é, desta vez, interno e externo, em guerra contra esta ideologia islamista — disse o ministro. — Precisamos entender que eventos como esses ataques horríveis já ocorreram e vão ocorrer novamente.
 
Análise:França ainda não achou saída para questão explosiva do Islã radical
 
Horas após a entrevista, na tarde desta sexta, a polícia parisiense dominou um homem que ameaçava policiais com duas facas, segundo a agência Reuters. Em Nice, a população põe flores no local do crime, prestando homenagem às três vítimas: a brasileira Simone Barreto Silva, de 44 anos, que vivia na França havia 30 anos e era mãe de três filhos; o sacristão da basílica, Vincent Loques, de 55 anos; e uma mulher, de 60 anos, que foi degolada.
 
— Nós somos um país livre. Vamos amar a liberdade, essa é uma mensagem para mundo. A vida deve ser espiritual, nenhum Deus deveria matar — disse à Reuters Frederic Lefevre, que pôs um balão em formato de coração no portão da igreja e conhecia uma das vítimas.
 
Em resposta ao ataque, Macron anunciou o incremento das segurança em escolas e centros religiosos e aumentou o nível de alerta do país para sua categoria mais alta. O Ministério do Interior disse ainda, nesta sexta, que enviará 120 policiais para reforçar a segurança em Nice. Já o chanceler, Jean-Yves Le Drian, afirmou ter enviado instruções para que todas as embaixadas francesas também aumentem sua segurança e que pediu cautela para todos os cidadãos no exterior, alertando que correm risco no mundo inteiro.
 
Os episódios coincidem com um momento de tensão entre Paris e o mundo muçulmano, diante da defesa de Macron à publicação de cartuns do profeta Maomé, considerado uma blasfêmia por muçulmanos. A utilização dos desenhos durante uma aula sobre liberdade de expressão foi citada como motivo para o assassinato de Paty. As mesmas ilustrações, publicadas pela revista satírica Charlie Hebdo, também motivaram o ataque contra a redação do semanário, que matou 12 pessoas há cinco anos.
 


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