Desembarca quarta-feira (16) em Salvador a equipe do Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, da sigla em Inglês) do governo dos Estados Unidos da América que vai ajudar a Secretaria Estadual de Saúde (Sesab) a colocar em prática o plano de combate ao mosquito Aedes aegypti. Segundo detalhou o secretário estadual de saúde, Fábio Villas-Boas, o desenvolvimento deste plano, que começou a ser desenhado em março, já contou com o apoio técnico dos especialistas norte-americanos.
Durante a visita, a Sesab deve também conhecer um teste rápido capaz de identificar o vírus zika, que está relacionado ao atual surto de bebês que têm nascido com microcefalia especialmente na região Nordeste.
O plano de combate ao Aedes foi apresentado ontem na inauguração do Centro de Operações de Emergências em Saúde, que vai funcionar no Parque Tecnológico, na Paralela, e é responsável por concentrar os dados do atual quadro de epidemia de microcefalia ligado ao zika vírus. Participaram da reunião secretários estaduais, técnicos ligados a vigilância epidemiológico, médicos, especialistas e representes do Exército, da Defesa Civil Estadual, Da União dos Municípios da Bahia (UPB) e do Conselho Estadual dos Secretários Municipais de Saúde (Cosems).
O centro, segundo o secretário de saúde, vai concentrar o recebimento e divulgação dos números de notificações da má-formação apresentadas em fetos em todos o estado, além de reunir médicos especialistas que vão debater sobre o que o secretário considerou como nova doença. O secretário aproveitou para informar que a divergência dos números de notificações no estado entre os boletins do Ministério da Saúde (que apontou 180 casos) e da Sesab (que contabilizou 150 casos), se deve a um equívoco do Ministério ao contabilizar os notificações da Bahia com o antigo critério, que considerava casos de bebês com massa cefálica de 33 centímetros como portador da má-formação (atualmente só se considera notificáveis casos de bebês com a cabeça com diâmetro igual ou menor a 32 centímetros).
“Uma vez que não existe vacina aprovada para o combate à dengue no país, uma vez que não existe tratamento antiviral para pessoas portadoras de dengue, de zika ou chikungunya, a estratégia mais eficaz nesse momento ainda é a prevenção de nascimento de novos mosquitos”, detalha Fábio.
Questionado, durante a inauguração do Centro, Villas-Boas apontou a necessidade de revisão a longo prazo da rede de atendimento de reabilitação para crianças que apresentarem doenças neurológicas. “Vamos precisar criar espaços em todo o estado para dar conta dessas crianças que vão nascer com problemas neurológicos, ainda não temos a dimensão do que isso vai precisar representar de investimento, qual o número final de crianças que teremos, mas estamos nos preocupando com isso para apoiar essas famílias.
Pela Manhã, em visita ao Correio, o secretário afirmou que este não é apenas um problema médico, mas social. "Como é que a mãe, que trabalha, vai cuidar dessa criança? O dinheiro já não dá para viver com um bebê normal, agora vai ter que cuidar do bebê ou colocar alguém para cuidar do bebê", ilustrou.
Na próxima semana, entre quarta e quinta-feira, o governador Rui Costa vai se reunir com prefeitos das cidades que estão em alerta por conta dos índices de infestação do mosquito e que têm casos notificados de microcefalia para debater as medidas e a possibilidade apoio do governo do estado para o combate do mosquito e diagnósticos das mães que tiveram zika e podem vir a ter complicações na gestação.
Em entrevista ao Correio, Vilas-Boas contou ainda da liberação de recurso suplementa, de cerca de R$15 milhões, para apoio dos municípios diante do cenário epidemiológico. O Centro de Operações de Emergências em Saúde tem estrutura similar e usa o mesmo espaço físico do utilizado em grandes eventos, como na Copa do Mundo. Uma grande tela exibe em tempo real os sistemas que permitem as notificações de casos de microcefalia.