O prefeito de Salvador, ACM Neto, diz, reiteradamente, na
imprensa da Bahia, que o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, vai
marchar com a candidatura dele para governador do Estado, em outubro. Em
entrevista recente durante sua visita a Humildes, para participar de festejos
religiosos, afastou qualquer dúvida sobre problemas no alinhamento político
entre os dois, inclusive diante da aproximação do titular do Paço Maria
Quitéria com Jerônimo Rodrigues.
“Eu não tenho nenhuma preocupação em relação à posição
política de Zé Ronaldo. Tenho absoluta certeza de que ele estará ao nosso lado
como sempre esteve”, afirmou ACM Neto, aos jornalistas, lembrando a trajetória
partidária comum de ambos, ao longo de suas jornadas: “Eu nasci no PFL e ele já
estava no PFL. Depois fomos juntos para o Democratas e agora para o União
Brasil. Tivemos a vida inteira uma única filiação partidária”.
O vice-presidente nacional do União Brasil, virtual
adversário do governador Jerônimo Rodrigues, pré-candidato à reeleição, parece
mais entusiasmado do que lhe permitiria a realidade. José Ronaldo jamais
declarou, nesses últimos meses, quem ele vai apoiar para o Palácio de Ondina.
Sendo filiado ao partido oposicionista, não deveria colocar dúvida, se esta não
existisse de fato. Na medida em que, perguntado, não afirma que irá marchar com
o representante de sua legenda, deixa margem para toda sorte de especulação e
um enorme suspense no ar.
Um repórter da rádio UP!, de Vitória da Conquista, que o
entrevistou dias atrás, pediu ao prefeito de Feira que lhe desse a
"manchete" da semana, respondendo se fica com Jerônimo ou caminha com
ACM Neto. Ronaldo pulou fora: "vou ficar devendo (a manchete). Acredito
que até o final de março (irá anunciar)". Disse que está "ouvindo
muita gente" e que não tomará decisão individual, mas sim "com o
grupo que pertenço".
É uma resposta no mínimo curiosa. O grupo a que ele pertence
é liderado justamente por ACM Neto. Ou não? Ouvirá, então, o ex-prefeito de
Salvador, se deve marchar com o próprio ou migrar para a base de Jerônimo?
Evidentemente, não. Na verdade, a prevalecer a lógica deste raciocínio, o
pré-candidato do União Brasil não deve fazer parte dos amigos e
correligionários que Ronaldo pretende ouvir sobre o tema.
Não esperemos para março a polêmica decisão. Ronaldo lembrou
que 2025 foi ano exclusivamente dedicado à gestão, mas que "falta arrumar
algumas coisas e acho que concluo até final de março". É a partir de
abril, ele mesmo diz, que "vamos fazer a política, mundo que eu gosto, que
abraço". Portanto, atenção, é abril, o "mês D". Em uma frase
curta e objetiva, descarta a hipótese de cruzar os braços diante do processo
eleitoral. "Vamos tomar uma atitude política sem nenhuma dúvida",
afirmou.
Uma declaração do prefeito pode alimentar esperanças em ACM
Neto. Para quem aposta em uma aliança com a oposição por causa da decepção de
2022, quando fora substituído surpreendentemente da chapa majoritária em que
era dado como certo seu nome candidato a vice-governador, Ronaldo garantiu não
considerar aquele episódio uma traição.
"Acho que se falar, ficou chateado, aborrecido, sim. Tornei público, nunca escondi. Traído não, é palavra muito forte". Argumentou que poderia ter sido (ele o candidato a vice), mas... "acho que sim, mas houve implicações políticas e partidárias". E garantiu não guardar mágoa, nem raiva, "de ninguém" (entenda-se, de ACM Neto). "É passado", resumiu.
As histórias, reais, da política, muitas vezes, são escritas por capítulos, exatamente como uma novela. Recentemente, encerrou-se a querela envolvendo o senador Ângelo Coronel e o PT e o final não foi feliz. Petistas lamentaram a perda, pois o aliado deixou o PSD e o grupo que se encontra no poder, na Bahia. O senador, protagonista da trama, deixou o time pelo qual jogou por tanto tempo reclamando da postura do técnico, do presidente, etc.
Na verdade, mal se encerrou o drama recente e Coronel já está atuando mais uma vez, no grande palco da política baiana. Está escalado, agora, para uma mini-série, cujo roteiro se desenrola sobre a escolha da legenda em que se filiará e estará disputando a reeleição. Ele tem várias opções e, diferentemente do que lhe era oferecido onde se encontrava, entre os novos correligionários tem livre arbítrio e múltiplas opções para seguir.
Deixou de ser um "merda", com perdão da palavra, cunhada pelo próprio, para se tornar prioridade, passe valorizado como aquele jovem jogador de futebol contratado por milhões de dólares para atuar na Europa, com direito a tapete vermelho e tudo o mais, em sua chegada.
O pré-candidato a governador pelo União Brasil, ACM Neto, já declarou que Coronel tem livre escolha para disputar sua permanência no Senado. Em Humildes, onde esteve para participar de festividades religiosas do distrito feirense, o ex-prefeito de Salvador disse que as conversas com o ex-PSD se iniciaram e estão "evoluindo bem".
ACM Neto disse, ao portal "Correio 24h", que sua expectativa é que, ainda em fevereiro, tenha condições de "anunciar essa aliança, assim como informar por qual partido o senador deverá disputar as eleições deste ano”. Coronel é nome líquido e certo na chapa de oposição, tanto quanto o do pré-candidato a governador. Resta definir os postulantes a vice-governador e o segundo candidato ao Senado.
“Sincera e honestamente, não estou com o espírito ainda de pré-campanha. Aqui nesse momento eu só estou com vontade de dançar um pouquinho e pular um pouco”. Assim respondeu o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, aos repórteres que o inquiriram, ontem, em Humildes, sobre sua possível candidatura a vice-governador, em chapa encabeçada pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. Os dois estiveram participando da Levagem da Lenha, festividade profano-religiosa no distrito feirense.
Esta, geralmente, não é a reação de quem está pensando em ser candidato a algo, restando tão pouco tempo para uma definição. Quando o político está às vésperas de uma definição importante o discurso é outro. Ao desviar-se dos repórteres dizendo “vamos falar de festa, rapaz, oxe", ele parece transmitir uma mensagem com o objetivo de informar algo como "esquece isto, nem estou pensando nisto".
Em 4 de abril se encerra o prazo para filiações partidárias e ACM Neto já avisou que, até lá, deverá estar com a sua chapa completa. Resta preencher as vagas de vice-governador e dos dois candidatos ao Senado. Para estas últimas, já se sabe que uma delas estará ocupada pelo senador Ângelo Coronel, agora integrando a oposição, deixou o PSD e, consequentemente, a base governista comandada pelo PT.
José Ronaldo jamais foi tão cobiçado, em sua longa carreira política. Devido à frustração de 2022, quando fora substituído na chapa do próprio ACM Neto por uma neófita em política, seu nome passou a ser cogitado como possível futuro aliado da base do governador Jerônimo Rodrigues, ministro-chefe da Casa Civil Rui Costa e senadores Jaques Wagner e Otto Alencar, o "quarteto fantástico".
Diferentemente daquela eleição anterior, agora ACM Neto deseja um vice que seja do interior e tenha força eleitoral nos municípios: José Ronaldo é este homem, a senha está clara. Esta deveria ter sido sua estratégia quando da primeira disputa que participou para o Palácio de Ondina. Mas ele cometeu o grande erro que todos reconhecem e estão cansados de saber. Acontece que, ferido na alma, o prefeito de Feira de Santana parece ser um sonho inalcançável para o pré-candidato a governador pelo União Brasil.
Afinal, foi grande a dor de Ronaldo diante da humilhação a que foi submetido lá atrás, por decisão do próprio ACM Neto. As palavras que ouviu dele naquela manhã, quando soube que não seria o candidato a vice, sendo trocado por alguém politicamente sem as menores credenciais, devem ainda ecoar em seus experientes ouvidos. Não bastasse este fato, tem um outro empecilho a ser considerado, o seu mandato na Prefeitura, apenas no segundo ano.
Seria o primeiro caso, provavelmente, no Nordeste, de um gestor de grande cidade a deixar o bastão para o vice em duas ocasiões - em 7 de abril de 2018 passou o cargo para Colbert Filho, se lançou ao Governo do Estado e sofreu uma dolorosa derrota, coisa rara em seu currículo. E se perder novamente, desta feita com ACM Neto, vai para um melancólico fim de linha. Por estas e outras, tenho escrito reiteradamente em artigos enfocando as perspectivas para o prefeito feirense que não acredito em que venha a encarar mais uma aventura dessa magnitude. Mas, é claro, tudo pode acontecer.
O governador Jerônimo Rodrigues, prefeito José Ronaldo e o presidente da Câmara, Marcos Lima, avaliados pelo ex-vereador, deputado estadual e deputado federal Fernando Torres. Em entrevista exclusiva à Tribuna Feirense, o também ex-secretário estadual de Desenvolvimento Urbano elogia o petista: "gosto muito do jeito que Jerônimo tem tratado a Bahia". Ao aprovar "com louvor" os três anos de gestão do professor da UEFS, ele diz estar convicto de que o melhor, para os baianos, é a sua reeleição, em outubro próximo.
Sobre Ronaldo, o ex-deputado diz que o gestor vem fazendo bom trabalho. "É o melhor (prefeito) da história de Feira. Já conhecemos a sua forma de trabalhar. Não se envolve com corrupção, tenho certeza que é honesto". Fernando adverte o chefe do Executivo: "Tem seus defeitos, precisa melhorar certas coisas, mas não vamos cobrar perfeição, perfeito só Jesus".
O presidente da Câmara, Marcos Lima é "um vereador tranquilo", diz Fernando. Com a experiência de quem já ocupou o cargo, ele avalia que o atual dirigente não "é aliado, mas não submisso". No entanto, aconselha, deveria fiscalizar mais o Poder Executivo. Quando foi presidente, ele lembra, a Câmara "cobrava mais, era mais movimentada".
Fernando observa que, em sua gestão, liderou vários embates com o Governo, em plenário, como a exigência de que o então prefeito Colbert Martins Filho colocasse no Orçamento Anual o investimento para construção do Hospital Municipal, "que era promessa de campanha". Marcos, avalia, "não é submisso, mas aliado, não é bom, deixar passar tudo".
O ministro-chefe da Casa Civil, ex-governador Rui Costa, e o senador Otto Alencar também foram mencionados pelo ex-deputado federal. Com a propriedade de quem foi secretário da segunda gestão Rui Costa, Fernando diz que admira o pré-candidato a senador pelo PT. Quanto a Otto, seu líder político e amigo pessoal, considera um político "ético, correto, fiel e competente".
Ex-deputado federal, deputado estadual, vereador e secretário de Desenvolvimento Urbano do Estado, Fernando Torres, é um político feirense que sempre saiu vitorioso das urnas. Seu mais recente e importante cargo público foi a presidência da Câmara Municipal, por dois anos. Não se tem notícia de outro vereador que tenha comandado o Legislativo com a independência por ele apresentada em relação ao Poder Executivo. Em alguns momentos, exagerou na força do seu discurso, criando animosidades com o então prefeito Colbert Filho. Depois, entrou em guerra com sua sucessora, a presidente Eremita Mota, a quem ajudou a eleger. Aquela foi mais uma das muitas alianças que terminam em briga, quando um contribui para a ascensão do outro e se decepciona.
Um dos fundadores do PSD na Bahia, onde se encontra filiado há quase 15 anos, e dirigente da sigla em Feira de Santana, ele acompanha de perto o "caso Coronel", seu ex-colega de legenda que deixou o partido por não concordar com a exclusão do seu nome, pelo PT, da chapa de candidatos ao Senado, nas eleições de outubro. O Partido dos Trabalhadores já decidiu que o atual senador Jaques Wagner e o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, são os que irão disputar as duas vagas, a denominada chapa "puro sangue". Companheiro de Coronel no PSD, o senador Otto Alencar, que ainda tem mais quatro anos de mandato, segue firme apoiando os petistas.
Em entrevista exclusiva para a Tribuna Feirense, Fernando fala de vários temas. Nesta primeira parte abordamos a decisão de Coronel. Bem ao seu estilo, discorda do senador e lhe cobra gratidão, a Otto e ao PT. "Ele bote a mão para o céu por ter um amigo como Otto Alencar, que o apoiou para ser senador. Também deve gratidão ao PT, que o apoiou em sua primeira candidatura". Para o ex-deputado federal, Coronel não teria chegado ao Senado "de forma alguma", não fossem Otto e o Partido dos Trabalhadores, devendo assim respeitar a candidatura de Rui, a quem ele exalta "por ter feito 26 hospitais, o metrô de Salvador e outras grandes obras como governador".
Se o ex-governador pretende o Senado, "é um nome muito mais forte, que vai contribuir bem mais para a vitória do grupo, tanto a reeleição de Jerônimo como de Lula", afirma. Na análise de Fernando Torres, Coronel deveria disputar a eleição de deputado federal. Não passou despercebido pelo ex-presidente da Câmara Municipal a "ausência" do insatisfeito senador da última campanha para governador, em que Jerônimo fora eleito: "Foi visto raras vezes. Parece ter se escondido".
Questionado como participará da campanha deste ano, ele não descarta a possibilidade de ser candidato, o que deverá decidir até o mês de maio. Por isso, não definiu nomes para apoiar a deputado, estadual e federal. Certo é que estará junto do seu líder, Otto, pela reeleição de Lula e Jerônimo e, para o Senado, de Rui e Wagner. Não pretende deixar o comando do PSD feirense, salvo "se Otto indicar outro nome".