Na medida em que se aproxima o fim do prazo estimado para a tomada de decisão, crescem as especulações em torno do futuro do prefeito José Ronaldo nas eleições deste ano. Nos últimos dias, abundam as "notícias" e palpites sobre as várias possibilidades. Como sabem todos que acompanham a política em Feira de Santana, Ronaldo se encontra em dúvida atroz: seguir a sua trajetória na direita, apoiando o candidato do União Brasil a governador, ACM Neto, ou dar uma guinada à esquerda, atuando pela reeleição de Jerônimo Rodrigues.
Esta tarde, almoçando em Serrinha, na visita que faço semanalmente à minha mãe, ouvi de um prefeito aqui da Região do Sisal, que encontrei casualmente, uma curiosa hipótese, que se junta a outras tantas lançadas ultimamente sobre o tema. Segundo ele, o ministro-chefe da Casa Civil, ex-governador Rui Costa, teria oferecido como atrativo ao prefeito de Feira, para reforçar o seu grupo, tornar-se candidato a suplente dele, no pleito para o Senado.
Uma vez Rui eleito, e Lula mantido na presidência pelo eleitorado, o novo senador retornaria para o Ministério, abrindo vaga para o seu suplente Ronaldo assumir. Seria feito um acordo neste sentido. Não dei crédito algum a isto. Não creio que o prefeito deixaria a gestão municipal pela segunda vez por uma promessa dessa natureza. Não é este, certamente, um dos seus objetivos futuros.
O Bnews, portal de notícias da capital, divulgou esta semana, de certo fundamentado em fontes da política baiana, embora não reveladas, que Ronaldo adotaria a estratégia de apoiar apenas tacitamente a ACM Neto. Apoio tácito é algo implícito, silencioso, sem necessidade do registro por meio de falas ou escritos. E o que isto representaria, na prática, do ponto de vista dos dois principais pré-candidados ao Palácio de Ondina?Para ACM Neto, seria um poderoso revés. Jerônimo, por sua vez, ficaria no lucro.
Afinal, sem atuar diretamente, isto funcionaria como um comunicado do prefeito, às suas fiéis lideranças, aquelas que historicamente o acompanham, que não haveria ânimo, nem autorização, para entrarem em campo. Ganharia com isto o candidato petista, óbvio. Mas, calma, ronaldistas. Tudo não passa de boato, nada existe de real nessas conjecturas.
Quem conhece José Ronaldo não imagina que ele cruze os braços em um pleito importante como este próximo. Acomodar-se em cima do muro e se omitir não fazem parte do seu repertório, ao menos até este momento. Se ele pretendeu mostrar a ACM Neto a sua real importância, há quem diga, o alvo já foi atingido. O ex-prefeito de Salvador estaria recorrendo a unhas postiças, pois as originais já se foram há tempos, de tanto roídas, diante de cada entrevista em que o aliado demonstra não estar convicto de com ele seguir.
"Zé Ronaldo tem personalidade. Zé Ronaldo tem coragem e tem caráter. Zé Ronaldo tem experiência e vai saber decidir na hora certa". A frase não é de algum porta-voz do prefeito, mas dele mesmo, referindo-se a si próprio. A declaração foi feita após um jornalista insinuar, em uma entrevista, que o prefeito estaria sem saber como agir diante das incertezas em que ele se vê este início de ano. Bem, eu já disse neste espaço que, acredito, o prefeito não será candidato no pleito que se avizinha. Nem a vice-governador, o cargo mais comentado na imprensa, nem a senador. Aquem ele vai apoiar então? Fiquei de dar a minha opinião sobre isto também. Aguardei alguns dias para ver se conseguia algumas pistas, mas não as obtive. Então, aqui vai a minha impressão pessoal.
Ronaldo passou todo esse tempo, em que se elegeu prefeito por cinco mandatos para o Poder Executivo e ainda fez sucessor duas vezes (completará ao final desta gestão 28 anos derrotando seus adversários locais), com o firme discurso de que Feira de Santana não depende de que a gestão seja do mesmo partido do presidente da República ou do governador, para se desenvolver e realizar projetos. Assim, alegar agora que apoiaria seus históricos adversários para obter mais recursos não soaria legal. Ele já demonstrou ter superado o trauma do absurdo "não" de ACM Neto à sua candidatura a vice-governador em 2022. Disse, inclusive, recentemente, que não considerou aquilo uma traição.
A turma que tem voz junto ao prefeito, nos bastidores, não endossa uma adesão dele ao comando petista na Bahia. A exemplo do presidente da Câmara, Marcos Lima, e do líder do Governo no Legislativo, José Carneiro, que se manifestaram contra, publicamente, em entrevista para esta coluna. Além de tudo isto, Ronaldo não é afeito a mudanças radicais de postura. Conservador, ele dificilmente sai da rota que segue. Sim, no último pleito, para presidente da República, é verdade, decidiu apoiar Jair Bolsonaro e não Geraldo Alckmin, do PSDB, que era o nome defendido pelo União Brasil. Aquela medida, no entanto, nem de perto surpreenderia tanto quanto uma eventual aliança agora com o governador petista. Os ronaldistas, assim, apostam suas fichas na permanência do seu líder do lado de onde sempre esteve. E este é, de fato, o fim mais provável dessa novela.
Um aporte de aproximadamente R$ 5 milhões, junto ao empresariado de Feira de Santana, deverá ser buscado, pela Santa Casa de Misericórdia, para complementar os recursos necessários à realização da primeira etapa do Hospital Baiano de Oncologia, nesta cidade. A obra está orçada inicialmente em R$ 91 milhões. A estimativa de valor para o apoio das denominadas classes produtoras no município é do secretário de Saúde, Rodrigo Mattos, ex-provedor da Santa Casa, em cuja gestão o projeto foi articulado. Ele falou à Tribuna diretamente de São Paulo, onde se encontra tratando de ações vinculadas a uma outra construção, a do futuro Hospital Municipal.
Em 27 de novembro de 2025, quando ocorreu o ato de assinatura do convênio da secular instituição com o Governo da Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues, entusiasta da proposta, comprometeu o Estado de participar com R$ 34 milhões. "Viabiliza a primeira etapa do projeto", anunciou em nota a Secretaria Estadual de Comunicação. Para esta fase, que deverá contar com 90 leitos (sendo 20 de UTI), seis salas cirúrgicas e um centro de bioimagem, outros R$ 26 milhões são provenientes de emendas parlamentares da bancada baiana na Câmara Federal. Mais R$ 10 milhões, de emenda individual do deputado federal Zé Neto.
Nas contas apresentadas pela Secom estadual, os restantes R$ 21 milhões viriam da doação de empresários e da Prefeitura. Mas o secretário Rodrigo Mattos entende que é preciso reduzir o custo total do investimento e diz que o Governo Municipal, através da liberação de emendas impositivas ao Orçamento local, já se comprometeu com R$ 6 milhões. Em evento na semana passada, o presidente do Legislativo Marcos Lima, junto com o prefeito José Ronaldo, fez a entrega de cheque simbólico neste valor. O chefe do Poder Executivo prometeu liberar o dinheiro de forma gradativa, de acordo com o andamento das futuras obras.
A expectativa de Rodrigo Mattos, de captar doação de aproximadamente R$ 5 milhões junto ao empresariado feirense para completar o recurso visando as obras desta primeira etapa do HBO, é uma campanha pode envolver "talvez umas 20 (empresas), cada uma contribuindo com um valor". Contatos estão sendo feitos também com instituições de classes, a exemplo da CDL, que teria demonstrado interesse em participar. Mas ainda não há nada definido.
"Precisamos criar alternativas para essas doações. Podemos dar o nome da empresa ou entidade que participe desses custos em setores ou leitos hospitalares, em reconhecimento", propõe. A verdade é que veremos, dentro em breve, quais são os empresários feirenses realmente sensíveis a uma causa desta relevância. Magnatas dos negócios, nesta cidade, do comércio, indústria e serviços não tem tradição de apoiar empreendimentos públicos que possam melhorar a qualidade de vida da população pobre. Mas sempre há uma esperança e esta é uma oportunidade de que, ao menos alguns deles, provem que são capazes.
Não há projeção sobre quando as obras do Hospital Baiano de Oncologia, em área da Santa Casa, ao lado do Hospital Dom Pedro de Alcântara, vão ser iniciadas. Mas a previsão é de que estejam concluídas em dois anos. A Unacon, que já funciona, deverá manter as atividades, conforme o secretário, após a futura unidade entrar em operação.
Na segunda parte de uma rápida entrevista, o ex-candidato a prefeito de Feira de Santana por duas vezes, o empresário e expoente local do Partido Novo, Carlos Medeiros, comenta sobre os governos Federal, Estadual e Municipal. Sábado, neste portal, em texto de abertura de nossa conversa, ele disse que é pré-candidato a deputado, sem ainda haver definido se a estadual ou federal.
Sobre o trabalho do prefeito José Ronaldo, que enfrentou nas urnas no último pleito, disse que faz o "feijão com arroz, o básico". Não vê "ruptura que possa trazer para a cidade a mudança de patamar que a gente precisa". A estrutura da máquina pública segue "muito inchada", ele diz, e a gestão acaba "gastando dinheiro onde não precisa, para colocar mais pessoas", o que causa falta de recursos para a administração "trazer novidades".
A quantidade de secretarias, juntas com as autarquias municipais, é considerada "absurda" pelo ex-candidato a prefeito de Feira. "Minha expectativa não era alta", observa o empresário e político, para quem a governança em Feira de Santana está "muito em linha com o que foi apresentado em campanha". A cidade, em seu olhar, precisa de um "choque de gestão que não tem sido notado no quadro atual".
Insatisfeito ele também está com Lula e Jerônimo Rodrigues. "De modo geral (o Estado) comete o mesmo desastre do Governo Federal". Entende que, "muito voltada para o assistencialismo", o modelo petista de gestão não motiva a população pobre a buscar ganhos efetivos. O poder público, ele diz, deve se preocupar "muito mais em fazer as pessoas buscarem a oportunidade de ter seu próprio sustento, se libertar da ajuda do Estado". Em outras palavras, Medeiros critica as regras do assistencialismo praticado.
"Se (a pessoa) ganha um salário mínimo, perde o bolsa-família. É um absurdo. Deveria ser diferente. Incentivo era quem está sob o benefício ter prazo para conseguir trabalho. Empregado, vai continuar no programa, se ganhar salário mínimo", afirma. Ele entende que o programa social em que o cidadão perde o direito porque obteve uma vaga no trabalho formal não desestimula a carteira assinada: "A realidade é que essas pessoas não querem (o registro em carteira) para que possam continuar no assistencialismo".
Os governos federal e estadual, em sua avaliação, trabalham "muito diferente" daquilo que pensa. "Precisa ensinar a pescar e não dar o peixe. Cada um vai ter que progredir conforme sua vontade e seu talento e o papel do Estado é colocar todos na mesma linha, em igualdade de oportunidades". O desenvolvimento, segundo ele, vai depender do esforço pessoal de cada um.
Mesmo não aprovando a performance do governador, em linhas gerais, Medeiros não deixa de reconhecer, especificamente, o esforço de Jerônimo Rodrigues pela cidade. "Não tenho dúvida de que, dos últimos governos é o que tem dado maior atenção a Feira de Santana".
O senador Jaques Wagner voltou ao noticiário político, no fim de semana. Primeiro, por ter anunciado a chapa governista completa. Depois, por ter que tentar corrigir-se, não que estejam errados os nomes que divulgou, mas pela deselegância cometida. Afinal, ele avocou para si a primazia de informar a composição da majoritária, papel que deveria ser do governador Jerônimo Rodrigues. Não bastasse o fato, puro e simples, do "atropelo", aquele que deveria ser a voz oficial do grupo, diante do cargo que ocupa, para tais formalidades, estava em viagem à Índia. Gafes à parte, é uma chapa fortíssima, especialmente para o Senado, onde ele disputa a reeleição.
Wagner se encontrava em Irecê, quando concedeu a polêmica entrevista à Rádio Caraíba, daquela cidade. Sem demonstrar cerimônia, nem cordialidade com o governador, mostrou quem é que dá as cartas no PT da Bahia. “Rui Costa é candidato a senador, eu sou candidato a senador, nosso Jerônimo é candidato a governador, e Geraldo Júnior é candidato a vice (...) É a chapa puro G. É o governador Jerônimo, o ex-governador Rui Costa, o ex-governador Jaques Wagner e o vice-governador, que para a nossa sorte é Geraldo com G. É a chapa 4G”, declarou.
Não é novidade que os candidatos a governador, vice e senadores da base governista, para outubro próximo, sejam estes anunciados por Wagner. O problema é que Jerônimo ainda não deu como pronta a chapa e tem informado à imprensa que as conversações continuam. A boa educação na política diz que é o governador, oficialmente, o "capitão" e quem deve falar pelo time. Ontem, em Feira de Santana, onde o senador esteve para prestigiar a ordem de serviço das obras do Centro Comunitário pela Vida (Convive), ele meio que, pediu desculpas pelo ato falho:
“Olha, quem bate o martelo é o governador Jerônimo e o conselho político. Deu essa fofocaria toda porque semana passada eu emiti a minha ideia. Como infelizmente o coronel se afastou do grupo, resolveu fazer uma carreira no outro grupo político, então, eu diria que na área do Senado, nós não temos mais nenhum obstáculo, nenhuma dificuldade. (...) Quem comanda o espetáculo é Jerônimo e o Conselho Político”, disse o senador ao Acorda Cidade, tentando desfazer a impressão que causou.
Não teve "fofocaria" alguma. O que houve foi precipitação da parte dele, assim como do seu aliado e também ex-governador Rui Costa, em 27 de janeiro. Igualmente deixando Jerônimo de lado, afirmou para a "TV Pirôpo", em Maracás: "saio do ministério no final de março e serei candidato a senador da República". Simples assim. Um pouco mais de modéstia e ele poderia dizer algo como "estou colocando o meu nome, para avaliação do nosso grupo, como um pré-candidato ao Senado, mas isto será definido mais adiante e anunciado pelo governador Jerônimo Rodrigues".
"Mas quá", diria a senhora minha sogra, quem quiser "sente e espere" para ouvir de ambos dessa forma. Wagner e Rui batem forte o martelo de "Thor", na base do "manda quem pode, obedece quem tem juízo", fortalecendo assim o sentimento no eleitorado petista de que é deles a palavra final. Definidas as candidaturas, isto permite a nós, curiosos, concluir que, caso José Ronaldo venha a decidir apoiar a reeleição de Jerônimo, não será por causa de uma oportunidade de poder ocupar um cargo maior. Seria, de fato, muito difícil esta hipótese de lhe surgir uma vaga, como já era improvável a adesão do prefeito de Feira ao projeto petista.