O senador Jaques Wagner voltou ao noticiário político, no fim de semana. Primeiro, por ter anunciado a chapa governista completa. Depois, por ter que tentar corrigir-se, não que estejam errados os nomes que divulgou, mas pela deselegância cometida. Afinal, ele avocou para si a primazia de informar a composição da majoritária, papel que deveria ser do governador Jerônimo Rodrigues. Não bastasse o fato, puro e simples, do "atropelo", aquele que deveria ser a voz oficial do grupo, diante do cargo que ocupa, para tais formalidades, estava em viagem à Índia. Gafes à parte, é uma chapa fortíssima, especialmente para o Senado, onde ele disputa a reeleição.
Wagner se encontrava em Irecê, quando concedeu a polêmica entrevista à Rádio Caraíba, daquela cidade. Sem demonstrar cerimônia, nem cordialidade com o governador, mostrou quem é que dá as cartas no PT da Bahia. “Rui Costa é candidato a senador, eu sou candidato a senador, nosso Jerônimo é candidato a governador, e Geraldo Júnior é candidato a vice (...) É a chapa puro G. É o governador Jerônimo, o ex-governador Rui Costa, o ex-governador Jaques Wagner e o vice-governador, que para a nossa sorte é Geraldo com G. É a chapa 4G”, declarou.
Não é novidade que os candidatos a governador, vice e senadores da base governista, para outubro próximo, sejam estes anunciados por Wagner. O problema é que Jerônimo ainda não deu como pronta a chapa e tem informado à imprensa que as conversações continuam. A boa educação na política diz que é o governador, oficialmente, o "capitão" e quem deve falar pelo time. Ontem, em Feira de Santana, onde o senador esteve para prestigiar a ordem de serviço das obras do Centro Comunitário pela Vida (Convive), ele meio que, pediu desculpas pelo ato falho:
“Olha, quem bate o martelo é o governador Jerônimo e o conselho político. Deu essa fofocaria toda porque semana passada eu emiti a minha ideia. Como infelizmente o coronel se afastou do grupo, resolveu fazer uma carreira no outro grupo político, então, eu diria que na área do Senado, nós não temos mais nenhum obstáculo, nenhuma dificuldade. (...) Quem comanda o espetáculo é Jerônimo e o Conselho Político”, disse o senador ao Acorda Cidade, tentando desfazer a impressão que causou.
Não teve "fofocaria" alguma. O que houve foi precipitação da parte dele, assim como do seu aliado e também ex-governador Rui Costa, em 27 de janeiro. Igualmente deixando Jerônimo de lado, afirmou para a "TV Pirôpo", em Maracás: "saio do ministério no final de março e serei candidato a senador da República". Simples assim. Um pouco mais de modéstia e ele poderia dizer algo como "estou colocando o meu nome, para avaliação do nosso grupo, como um pré-candidato ao Senado, mas isto será definido mais adiante e anunciado pelo governador Jerônimo Rodrigues".
"Mas quá", diria a senhora minha sogra, quem quiser "sente e espere" para ouvir de ambos dessa forma. Wagner e Rui batem forte o martelo de "Thor", na base do "manda quem pode, obedece quem tem juízo", fortalecendo assim o sentimento no eleitorado petista de que é deles a palavra final. Definidas as candidaturas, isto permite a nós, curiosos, concluir que, caso José Ronaldo venha a decidir apoiar a reeleição de Jerônimo, não será por causa de uma oportunidade de poder ocupar um cargo maior. Seria, de fato, muito difícil esta hipótese de lhe surgir uma vaga, como já era improvável a adesão do prefeito de Feira ao projeto petista.