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Valdomiro Silva

Estado tira de cena prefeituras de Feira e Juazeiro, em ordem de serviço do Convive; em Salvador, Bruno Reis comandou

Valdomiro Silva - 23 de Fevereiro de 2026 | 19h 32
Estado tira de cena prefeituras de Feira e Juazeiro, em ordem de serviço do Convive; em Salvador, Bruno Reis comandou
Fotos: Bruno Concha/PMS - Silvio Tito/PMFS

Em ano eleitoral, ninguém quer perder oportunidade de aparecer em agenda positiva, perante o eleitor. O Governo do Estado resolveu buscar protagonismo na autorização para o início de obra do Centro Comunitário pela Vida, o Convive, em Feira de Santana, hoje, e em Juazeiro no dia 18 de julho de 2025, tirando de cena as gestões municipais. Em Salvador, a estratégia não conseguiu "colar". "Parceria entre Governo do Estado e União garante implantação do Convive em Feira de Santana fortalecendo o Bahia pela Paz", é o título de matéria da Secretaria Estadual de Comunicação sobre o evento de hoje na Prefeitura de Feira, excluindo completamente o Município. 

E é assim que a notícia repercute em toda parte, a partir das distribuição do release, escanteando o município, que é quem assina o contrato e faz a licitação para a construção - a de Feira, por exemplo, foi lançada em 30 de julho de 2025. "Rui Costa assina ordem de serviço do Convive", anunciou o Acorda Cidade. Bahia.Ba diz "União e Estado assinam ordem de serviço para Centro Comunitário pela Vida". Bem, a autorização deve ter sido dada pelos três entes, já que o projeto é tripartite.

Quem se der ao trabalho de ler sobre a natureza do Convive constata facilmente que, sim, é verdade, os estados tem participação nesta política pública, mas não é dessas unidades federadas a iniciativa, como na Bahia se faz parecer. Afinal, são os municípios que se inscrevem no programa, apresentam o seu perfil e documentação, para buscar a habilitação visando conquistar o investimento, que é federal. Um dos requisitos é a cidade apresentar estatisticamente elevado índice de criminalidade, o que é notório aqui. No país inteiro, 30 cidades foram selecionadas para receber os Centros Comunitários pela Vida.

Os estados não entram com dinheiro para a obra. Já os municípios podem necessitar de fazer contrapartida, como ocorrerá em Feira de Santana. A Prefeitura vai fazer a drenagem na região onde o equipamento será erguido, no Alto do Papagaio. No caso do Governo da Bahia, em relação ao Convive Feira de Santana, sua participação vai se dar através, principalmente, de duas unidades do programa Coletivos pela Paz, nos bairros Mangabeira e Conceição. Mas a movimentação da cúpula estadual foi intensa em torno da ordem de serviço do Convive. Ausente, o governador Jerônimo Rodrigues enviou o seu vice, Geraldo Júnior, além do secretário de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas. O senador Jaques Wagner, da tropa de choque petista na Bahia, também estava lá.

Justo, justíssimo, é o destaque dado à representação do Governo Federal, mentor e sustentáculo financeiro do projeto. Assim, Rui Costa, o ministro-chefe da Casa Civil, ocupou o espaço devido. Em Juazeiro, Jerônimo, sem Wagner, comandou o ato da ordem de serviço. Rui e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Souza Lima, figuras mais importantes no processo, não estiveram lá. 

A Prefeitura de Feira de Santana anunciou a cerimônia de ordem de serviço, inicialmente, como algo estritamente municipal. De repente, na véspera, soltou uma nota comunicando o adiamento sob a justificativa de que precisaria "alinhar" com a Casa Civil. Ninguém sabe se foi Rui Costa que reclamou e reivindicou a mudança ou se a gestão municipal pensou melhor e decidiu combinar com o ministro de Lula. Qualquer que seja a opção, a medida foi correta.

Em Salvador, na cerimônia de ordem de serviço em 19 de dezembro do ano passado, para erguer o Convive, em Pirajá, o Estado e a União não conseguiram o destaque registrado em Juazeiro e Feira de Santana. Na capital, o prefeito Bruno Reis foi quem comandou tudo. Nem Jerônimo, nem seu vice Geraldo Júnior, nem Wagner estavam lá. Muito menos Rui Costa. Apenas o secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, apareceu muito discretamente.

O Estado pode vir a ter uma participação mais ativa no equipamento, após sua construção:  garantindo que os serviços de esporte, cultura e assistência social funcionem de forma contínua; participar da supervisão técnica e aportar recursos complementares para infraestrutura ou pessoal especializado;  facilitar a convergência de diferentes secretarias (Segurança, Assistência Social, Educação) para que o centro ofereça atendimento multidisciplinar, como apoio a vítimas da criminalidade e formação cidadã. Veremos adiante como será o seu envolvimento.

 

  



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