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Lula destaca inovação como prioridade do Brasil na Coreia do Sul

23 de Fevereiro de 2026 | 16h 27
Lula destaca inovação como prioridade do Brasil na Coreia do Sul
Foto: Ricardo Stuckert/PR

A colaboração com empresas sul-coreanas em setores “intensivos em conhecimento” é uma prioridade para o Brasil. A afirmação foi feita, nesta segunda-feira (23), pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O governante está em visita a Seul, capital da Coreia do Sul, onde participou do encerramento de um fórum empresarial que reuniu 230 empresas coreanas e brasileiras.

Em seu discurso, Lula falou sobre a possibilidade de parcerias na exploração de minerais críticos. “A Coreia é o segundo maior produtor mundial de semicondutores e detém parcela significativa do mercado de baterias. O Brasil possui minerais críticos, que são insumos essenciais para as cadeias de produção de eletrônicos e veículos elétricos, e é um parceiro confiável, em um cenário em que a arbitrariedade está se tornando a regra”, destacou.

O presidente brasileiro também ressaltou que o papel de “meros exportadores de matérias-primas” não condiz com o potencial do país. “Buscamos parcerias que nos permitam agregar valor e produzir tecnologia de ponta, em solo brasileiro”, informou.

Além disso, Lula citou oportunidades de cooperação “mutuamente vantajosas” nas áreas aeroespacial, de saúde, de cosméticos e cultural. Também lembrou as operações da start-up coreana Innospace no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, e afirmou que o diálogo entre as agências espaciais é “crucial” para aprofundar essa colaboração, inclusive no compartilhamento de dados de satélites e em projetos de exploração lunar.

Sobre as ações em saúde, o governante falou sobre a expectativa de fabricação conjunta de novas vacinas, fármacos e insumos médicos, à medida que a Coreia do Sul ampliar sua pesquisa e desenvolvimento na área.

Destacou, ainda, que o Brasil avança na construção do laboratório de biossegurança Órion, o único do mundo conectado a um acelerador de partículas, o chamado Sirius. “Isso nos permitirá buscar soluções para doenças, desenvolver métodos de diagnóstico e prevenir epidemias. Instituições públicas de saúde, como a Fiocruz e outras fundações estaduais brasileiras, estão fortalecendo sua cooperação com a Coreia”, observou.

Na área de cosméticos, Lula frisou que, em 2025, o setor de beleza, no Brasil, superou, pela primeira vez, a marca de US$ 1 bilhão em exportações, ao mesmo tempo em que a indústria de cosméticos da Coreia já rivaliza com a da França, no mercado global. "O Brasil tem a maior biodiversidade do mundo. Unindo o potencial brasileiro à tecnologia coreana, podemos multiplicar nosso alcance nesse setor”, argumentou.

Em relação à cultura, Lula falou sobre as possibilidades de parcerias entre os dois países. “Na Coreia, a economia criativa supera as exportações de setores tradicionais, como eletrodomésticos. No Brasil, o setor já responde por mais de 3% do PIB – acima da indústria automobilística – e apresenta média de geração de empregos superior à nacional”, apontou, ressaltando, ainda, que, “do funk brasileiro ao K-Pop, de Parasita a Agente Secreto, das telenovelas aos K-Dramas, nossa música e nossa produção audiovisual estão conquistando os quatro cantos do mundo”.

Comércio e integração – A corrente de comércio entre o Brasil e a Coreia é cerca de US$ 11 bilhões, aquém do recorde de quase US$ 15 bilhões registrado em 2011. “Significa que nós já fomos melhores em negócios”, disse Lula aos empresários, ao destacar que a Agência Brasileira de Promoção de Exportações (ApexBrasil) identificou 280 oportunidades para produtos brasileiros na Coreia, de alimentos e bebidas a produtos químicos.

Pela manhã, Lula foi recebido pelo presidente coreano, Lee Jae-myung. Durante a visita de Estado, os dois governantes firmaram dez atos de cooperação. O principal, segundo Lula, é um acordo de cooperação comercial e integração produtiva, com foco no fortalecimento da cooperação industrial, tecnológica e agrícola. “O acordo também fortalecerá cadeias de suprimentos resilientes e seguras”. Além disso, afirmou, “inova em minerais estratégicos, indústrias sustentáveis e audiovisual”. Lula explicou que os “ministérios passarão a se reunir regularmente, para discutir como fortalecer relações econômicas”.

O presidente brasileiro também apontou os indicadores socioeconômicos do país e as “condições vantajosas” para investimentos. E citou as políticas públicas implementadas em sua gestão que incentivam a vinda de empresas estrangeiras, como é o caso do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), do Programa Nova Indústria Brasil (NIB), do Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover) e do Plano de Transformação Ecológica (PTE).

Lula lembrou que, há 15 anos, o Brasil vem trabalhando para obter acesso ao mercado de carne bovina coreano. E afirmou que as empresas e instituições brasileiras estão prontas para avançar nos procedimentos sanitários necessários.

O brasileiro aproveitou a oportunidade, ainda, para “fazer propaganda do agronegócio brasileiro”. Destacou que o papel do líder político do país é “abrir a porteira” para que os empresários façam negócios. “Quando o povo da Coreia quiser ter acesso à proteína, não se preocupe que o Brasil estará pronto para atender à demanda da Coreia”, afirmou.

Desenvolvimento do trabalho – Lula também reafirmou sua defesa ao multilateralismo, ao mesmo tempo em que criticou as guerras comerciais no mundo. “A melhor resposta à tentativa de usar o comércio como arma é mostrar que é possível alcançar entendimentos mutuamente benéficos, por meio do diálogo e da negociação”, assinalou.

Para o brasileiro, o protecionismo dificulta o crescimento econômico e social. “O que nós estamos precisando é fazer com que as economias cresçam. Gerar oportunidade de trabalho, para poder melhorar a qualidade de vida das pessoas que nós representamos. É preciso que a gente tenha noção de que somente o desenvolvimento do trabalho pode permitir que a gente resolva o problema da fome”, observou.

Na ocasião, o presidente ainda apontou as semelhanças e os contrastes que os dois países desenvolveram o comércio e como o Brasil pode aprender com a experiência sul-coreana.

Segundo ele, nos anos 1960, o PIB per capita coreano equivalia a menos da metade do brasileiro e, hoje, é três vezes maior do que o do Brasil. Enquanto, até a década de 1980, a produção industrial do Brasil era maior do que a da Coreia, hoje, a Coreia é um dos principais polos tecnológicos do mundo. “Nos anos 1990, enquanto o Brasil se rendeu ao receituário neoliberal, a Coreia continuou apostando no papel indutor do Estado em setores estratégicos. Nenhum país que chegou atrasado à corrida industrial conseguiu subir a escada do desenvolvimento sem políticas públicas robustas”, lembrou Lula.

Ele também ressaltou que “a experiência coreana prova que elevar a escolaridade da população é um investimento valioso. Demonstra, além disso, que um crescimento sustentado depende de uma economia variada e sofisticada, capaz de absorver mão de obra muito qualificada”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*Com informações da Agência Brasil.



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