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Saúde

SUS ampliará proteção vacinal contra doença pneumocócica

28 de Maio de 2026 | 19h 04
SUS ampliará proteção vacinal contra doença pneumocócica
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A partir do mês de junho, o Sistema Único de Saúde (SUS) ofertará um imunizante mais abrangente contra a doença pneumocócica. A vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20 ou Pneumo 20) substituirá a 10-valente, dobrando os sorotipos prevenidos.

Nesta quarta-feira (27), o Ministério da Saúde (MS) publicou um guia técnico preliminar, voltado aos profissionais de saúde, com orientações sobre a mudança. Os municípios poderão começar a aplicar a vacina assim que receberem as doses.

Causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae ou, simplesmente, pneumococo, a doença pneumocócica é uma infecção que pode ocasionar tanto quadros leves, como inflamação nos ouvidos ou sinusite, quanto graves e potencialmente letais, como é o caso da pneumonia bacteriana, da meningite e da sepse (infecção generalizada).

Estima-se que o pneumococo seja responsável por até 50% de todos os casos de meningite bacteriana em crianças. A mortalidade, nesses casos, é de cerca de 30%. Além das crianças pequenas, idosos e indivíduos com comorbidades ou imunossupressão também são mais vulneráveis.

A vacinação contra a doença, com a VPC10, foi incluída no calendário básico infantil em 2010 e, desde então, houve redução de 60% dos casos de doença meningocócica causada por algum dos dez sorotipos combatidos pela vacina em crianças de até 2 anos. Os casos de meningite pneumocócica na mesma faixa etária também caíram 65%.

No entanto, mais recentemente, os casos vêm crescendo. De 2013 a 2019, o Brasil registrou uma média de 164 casos anuais de meningite pneumocócica em crianças de até 5 anos. De 2022 a 2024, a média anual subiu para 211,3 casos.

Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, explica que isso é reflexo de uma mudança epidemiológica decorrente da própria efetividade da vacinação. "A introdução da vacina 10-valente foi excelente na redução desses dez tipos, o que representou uma queda importante nas doenças graves. Mas o pneumococo tem uma característica que a gente chama de ‘replacement’: você controlando um tipo, reduzindo a circulação, outro tipo pode começar a ganhar o espaço", detalha.

Dados da vigilância do Ministério da Saúde mostram que quase 40% dos casos graves, com amostra coletada entre 2018 e 2023, foram causados por apenas dois tipos da bactéria não prevenidos pela VPC10, mas incluídos na formulação da VPC20. "Além disso, nos menores de 1 ano, cerca de 11% dos casos de meningite meningocócica são causados pelos outros tipos adicionais da vacina 20-valente. Isso significa que há a possibilidade da gente voltar a reduzir a curva de incidência, porque estaremos protegendo exatamente contra os sorotipos que hoje prevalecem", ressaltou a gestora.

As vacinas pneumocócicas conjugadas, que são o caso tanto da VPC10 quanto da VPC20, também evitam que o pneumococo se instale na nasofaringe de pessoas vacinadas. Por isso, além de evitar que elas desenvolvam a doença, a vacina também impede a transmissão, promovendo proteção indireta às pessoas não vacinadas.

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) já oferece outras vacinas mais abrangentes contra a doença pneumocócica, a VPC13 e a VPP23, mas apenas para públicos específicos, com determinadas condições de saúde que aumentam a vulnerabilidade às formas graves da doença. Esses imunizantes também serão substituídos pela VPC20, após o fim dos estoques.

DEVEM SER VACINADOS – Integram os grupos de alto risco que devem tomar a vacina: pessoas com HIV/Aids; pacientes oncológicos; transplantados de órgãos sólidos ou medula; imunodeficientes; pessoas com nefropatias, pneumopatias, cardiopatias e hepatopatias crônicas; asmáticos graves; diabéticos; pessoas com Síndrome de Down e prematuros.

O calendário básico de vacinação prevê que os bebês devem receber duas doses da vacina pneumocócica, uma aos 2 e outra aos 4 meses de idade, com mais uma dose de reforço aos 12 meses. Crianças menores de 5 anos que não tenham sido vacinadas na idade correta devem atualizar a carteira o mais breve possível.

Durante o período de transição da VPC10 para a VPC20, as crianças receberão a vacina 20-valente na primeira dose e no reforço, e a 10-valente na segunda dose. Crianças que já receberam a primeira dose da vacina 10-valente serão vacinadas com a 20-valente na segunda dose e no reforço. Uma dose de reforço da VPC20 também será aplicada nas crianças menores de 5 anos que completaram apenas o esquema básico de duas doses com a VPC10.

A vacina só é contraindicada para pessoas com alergia grave a algum componente da fórmula, ou que apresentaram reação alérgica severa em doses anteriores. Recomenda-se, ainda, que quem estiver com febre, deve esperar melhorar, antes de se imunizar.

 

 

 






 

 

*Com informações da Agência Brasil.



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