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Emanuela Sampaio

Telas e pouca experiência ao ar livre impactam desenvolvimento de crianças

27 de Maio de 2026 | 09h 51
Telas e pouca experiência ao ar livre impactam desenvolvimento de crianças

Mudanças no comportamento infantil têm chamado a atenção de famílias e educadores. Dificuldades de concentração, limitações na coordenação motora e desafios na interação social, antes pontuais, tornaram-se mais frequentes nos lares e no ambiente escolar. Dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil mostram que 93% das crianças e adolescentes brasileiros entre 9 e 17 anos utilizam a internet, muitas vezes por longos períodos diários. O excesso de telas e a redução do tempo ao ar livre têm limitado experiências essenciais para o desenvolvimento integral. Atividades simples, como correr, pular, explorar diferentes ambientes ou lidar com frustrações, tornaram-se menos frequentes, e isso traz impactos diretos no aprendizado. “A criança aprende com o corpo todo. Quando ela se movimenta, explora e interage com o ambiente, desenvolve não apenas o físico, mas também o cognitivo e o emocional”, explica Virginia Lucas, psicopedagoga e diretora do Colégio Anchieta – Unidade Aquarius, instituição que integra a Rede Inspira de Educadores.

Além dos impactos físicos, a interação social também tem sido afetada. Dificuldades em lidar com regras, frustrações e o desafio da convivência com colegas têm sido cada vez mais presentes no cotidiano das salas de aula. A ausência de experiências reais e coletivas compromete o desenvolvimento de competências socioemocionais essenciais para a vida em sociedade. Diante desse cenário, cresce a importância de promover equilíbrio entre o uso da tecnologia e experiências no mundo real. Incentivar o brincar livre, o contato com a natureza e momentos de convivência familiar são estratégias fundamentais para estimular a autonomia, a criatividade e o desenvolvimento saudável. “Mais do que limitar o uso de telas, é fundamental ampliar as vivências no mundo real. A criança precisa de espaço para brincar, explorar e se desenvolver de forma completa”, pontua a especialista.

Mais do que identificar o que falta, o desafio está em repensar a rotina das crianças e garantir espaços físicos e afetivos, que favoreçam experiências reais. Resgatar o movimento, o convívio e a exploração do mundo ao redor são essenciais para que a infância seja vivida de forma plena.



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