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André Pomponet

A Avenida Canal abriga uma favela

André Pomponet - 25 de Maio de 2026 | 11h 41
A Avenida Canal abriga uma favela
Foto: Wevelly Monteiro

A sempre congestionada Avenida Canal é uma das vias essenciais de circulação na Feira de Santana. Começa na Avenida José Falcão, nas imediações das Baraúnas e do Minadouro, espichando-se tortuosa até a Rua Tomé de Souza, no bairro Rua Nova. O trecho entre o antigo Posto Moura – no acesso ao Sobradinho – até o Centro de Abastecimento costuma ser terrivelmente congestionado, mesmo nas horas de fluxo menos intenso.

A via abriga oficinas mecânicas, lojas de autopeças, borracharias, postos de combustíveis e o Centro de Abastecimento. Também abriga o Canal que lhe dá nome e que escoa um fluxo abominável, cujo odor é insuportável. Parte dos esgotos feirenses e da água das chuvas escoa por lá, encorpando-se em época de trovoadas ou chuvas mais intensas.

Quem vive naquelas cercanias enfrenta muitas adversidades. O Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, traz números sobre uma comunidade que existe por lá há muito tempo: a Favela da Avenida do Canal, com seus 863 domicílios que se espremem à margem do canal e de estreitas vielas contíguas: as ruas Natal, Platina e Acácia. Quem não conhece, confunde-a com a Rua Nova.

Na localidade, residem 1.871 pessoas e a quantidade de moradores por quilômetro quadrado impressiona: 17,9 mil. Os pardos (47,8%), e os pretos (43,4%) constituem mais de 90% da população. O índice de pessoas alfabetizadas alcança praticamente 90% dos residentes. Para cada 100 mulheres residentes existem 90 homens, revela o censo.

Há indicadores positivos em relação à comunidade: coleta de lixo, acesso a água encanada, iluminação pública e banheiros de uso exclusivo são quase universais; a conexão à rede de esgoto ultrapassa os 96% de domicílios. Todo o entorno conta com vias pavimentadas, segundo o levantamento do IBGE.

Por outro lado, lá não existem estabelecimentos de saúde ou educação. Também quase não existem árvores: cerca de 80% das vias não têm árvores e as que tem contam com, no máximo, duas árvores. Outro drama é o acesso ao transporte coletivo: quase 99% dos domicílios não dispõem de pontos de ônibus no entorno.

Quem tem dificuldades de locomoção pena nas ruas da comunidade: quase 80% das calçadas oferecem obstáculos para os transeuntes. Rampas para cadeirantes não existem (80%) ou não há informação declarada (20%). Até calçada é luxo: pouco mais de 20% dos domicílios não dispõem do equipamento.

Os números revelam que há muito a avançar em qualidade de vida. Se por um lado há serviços públicos quase universalizados, por outro os moradores não dispõem do essencial para uma vida mais confortável. Note-se que a Favela da Avenida do Canal localiza-se quase no centro da Feira de Santana, bem distante das castigadas periferias feirenses.

Por fim, é bom ressaltar que, embora conhecida popularmente como Avenida de Canal, o logradouro oficialmente possui um nome muito mais pomposo, aderente às homenagens às grandes personalidades da História: Avenida Padre José de Anchieta...



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