O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que a entidade elevou, de “alto” para “muito alto”, o risco imposto pelo surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC), país localizado no continente africano.
Conforme o gestor, a epidemia está se espalhando rapidamente.
“Anteriormente, a OMS havia avaliado o risco como alto nos níveis nacional e
regional, e como baixo em nível global”, observou.
Agora, segundo Ghebreyesus, o organismo internacional está revendo
seu posicionamento. “Estamos, agora, revisando nossa avaliação de risco para
muito alto a nível nacional, alto a nível regional e baixo a nível global”,
apontou.
Dados levantados pela OMS revelam
que, até o momento, na República Democrática do Congo, há 82 casos da doença confirmados,
além de sete óbitos. No
entanto, Tedros Adhanom Ghebreyesus adverte que há indícios de que os números
sejam bem maiores. “Sabemos que a epidemia, no país, é muito maior. Há quase
750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas”, destacou.
Segundo o gestor, na última
quinta-feira (21), foi registrado um “incidente de segurança”. Em um hospital situado
na província de Ituri, tendas e suprimentos médicos foram incendiados. “Construir a confiança, nessas
comunidades, é essencial para uma resposta bem-sucedida e é uma das nossas
maiores prioridades”, ressaltou Ghebreyesus.
A EPIDEMIA – No começo de maio, autoridades
sanitárias da RDC emitiram um alerta, informando um surto de alta mortalidade,
possivelmente causado por uma doença até então desconhecida, no município de
Mongbwalu, em Ituri. O cenário incluía óbitos, inclusive, entre profissionais
de saúde.
Cerca de dez dias depois, o Instituto Nacional de Pesquisa
Biomédica de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, analisou 13
amostras de sangue colhidas no distrito de Rwampara. A avaliação laboratorial
confirmou a presença da cepa bundibugyo em oito das 13 amostras colhidas.
No dia 15 de maio, o Ministério da Saúde Pública, Higiene e
Bem-Estar Social da República Democrática do Congo declarou, oficialmente, o
17º surto de ebola no país. Simultaneamente, o Ministério da Saúde de Uganda
também confirmou a epidemia de ebola, causada pela mesma variante do vírus,
após identificar um caso importado. Um homem congolês havia morrido em Kampala.
No dia seguinte, após consultar ambos os Estados-Membros onde os surtos foram identificados, Tedros Adhanom Ghebreyesus determinou que o ebola causado pela cepa bundibugyo, tanto na RDC quanto em Uganda, constituía Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII).