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Almiro Vasconcelos: uma vida pública intensa em perfeita tranquilidade

Zadir Marques Porto - 20 de Maio de 2026 | 08h 52
Almiro Vasconcelos: uma vida pública intensa em perfeita tranquilidade

Um cidadão tranquilo, respeitoso e trabalhador, durante muito tempo ocupou a vida intensamente, mas sem deixar que isso mudasse o seu comportamento. Foi militar, comerciante, professor, administrador, secretário municipal, radioamador e poeta, sem esquecer o papel de chefe de família.

Cordial, sempre atencioso e voltado para o trabalho, o professor Almiro Vasconcelos (Almiro de Almeida Vasconcelos) foi um feirense que viveu o ritmo de sua terra e deu a sua contribuição para vê-la em desenvolvimento. Passos firmes, sem precipitações, por sabê-las desnecessárias, cumpriu sua jornada de vida iniciada na Rua Direita — atual Rua Conselheiro Franco —, onde nasceu em 22 de abril de 1915. Como outros garotos da sua geração, ia ao cinema e jogava futebol, assim, aos 16 anos, foi um dos fundadores do Bangu F.C., inspirado no clube carioca de grandes cracks, a exemplo de Zizinho, o “mestre Ziza”. Apesar de homônimos, o Bangu feirense era alvinegro e o carioca, vermelho e branco. Na época, era difícil encontrar material esportivo no comércio, e o Bangu feirense tinha as cores do Botafogo do Rio de Janeiro. Nessa época, também ele deu os primeiros passos na literatura, com breves poemas expressando a sua sensibilidade.

Dos pais Aurélio e Martiniana, nascidos na zona rural de Feira de Santana, Fazenda Campos, herdou disposição para o trabalho, seriedade e cidadania, sentimentos que conduziram sua existência. Esteve entre os atiradores do Tiro de Guerra (TG-17), com quartel localizado na Praça Dois de Julho, Rua Desembargador Filinto Bastos, e concluiu seu período militar com a patente de sargento. Estudou na Escola Normal de Feira de Santana, que ostentava um emérito quadro docente e lhe proporcionou uma formação apurada e a extensão da sua vocação poética. Produziu muitos trabalhos, vários deles publicados no jornal semanário Folha do Norte, então grande proporcionador da difusão cultural na Cidade Princesa.

“Clemência” é um dos seus poemas mais expressivos. Trabalhos seus fazem parte da antologia Poetas Feirenses, que foi organizada e publicada pelo poeta Alberto Alves Boaventura, com trabalhos de 32 vates, incluindo “Clemência” e “Martírio”, do professor Almiro. O livro Memorial Poético de Feira de Santana, de autoria da professora Lélia Vitor, também conduz o leitor à sua obra poética. Almiro Vasconcelos foi professor de Inglês do Colégio Santanópolis, onde também atuou como secretário. Foi um dos fundadores da Loja Maçônica Luz, Segredo e Harmonia, da qual, em duas oportunidades, foi o seu venerável.

Por cerca de uma década, exerceu a atividade de comerciante, como representante da Texaco Corporation, importante multinacional de petróleo e derivados. Logo após, tornou-se sócio da Casa das Peças, ao lado do empreendedor Antônio Nepomuceno. No segmento comercial, atuou ainda com prosperidade em uma revendedora de veículos da marca Ford, associado ao cunhado Luiz Azevedo. Posteriormente, com a larga experiência reunida na atividade, ao lado do empresário Adelson Prado, instalou a Reformadora Baiana de Pneus.

Todavia, foi muito mais amplo o trabalho por ele exercido, incluindo-se aí a administração da Casa do Estudante de Feira (ICEFS), estabelecimento localizado em Salvador, destinado a abrigar estudantes de Feira de Santana que, aprovados no vestibular da Universidade Federal da Bahia (UFBA), não tinham como residir na capital baiana. Na época, não existia a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), e o ensino superior só podia ser feito em Salvador. Também coordenou o Cerin, organismo da esfera estadual. O professor Almiro administrou a Fazenda Zabelê, do pecuarista e dirigente bancário Vicente Quezado Leite, e foi secretário do Sindicato Rural de Feira (hoje Sindicato dos Produtores Rurais), que era presidido por Vicente Leite.

Na vida pública, o professor Almiro teve importante participação como secretário de Educação do Município em duas oportunidades, entre 1964/1967, na gestão do prefeito Joselito Falcão de Amorim, e no governo de Newton da Costa Falcão, em 1972/1973. Nessa gestão, foram muitas as realizações na área da educação, como a construção e reconstrução de prédios escolares e a modernização da merenda escolar, dentre outras. Foi atuante radioamador. Casado com a senhora Zilva Castor da Silva, que lhe deu sete filhos, o professor Almiro Vasconcelos faleceu aos 87 anos de idade, no dia 6 de julho de 2002.

Por Zadir Marques Porto



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