O salseiro que sacode a extrema-direita desde a revelação do áudio vadio do senador Flávio Bolsonaro (PL) enviado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro pode respingar no cenário político da Bahia. Aliás, não só da Bahia, mas do Brasil inteiro. Afinal, Flávio Bolsonaro, indicado pelo pai, Jair Bolsonaro, o “mito”, constitui até aqui o único rival à altura de enfrentar o presidente Lula (PT), candidato à reeleição. Em pesquisas recentes, ambos aparecerem emparelhados na disputa pela presidência da República, replicando a chamada “polarização” das últimas eleições.
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) se elegeu usando fartamente a imagem de Lula durante sua campanha. Era praticamente um desconhecido, mas conseguiu obter pouco mais de 50% dos votos válidos, superando o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, tido como franco favorito nas pesquisas. A sólida transferência de votos de Lula ajudou o atual governador baiano.
Para Jerônimo o cenário não se altera: tornou-se conhecido, dispõe das realizações de seu mandato para mostrar, mas deve ostentar como grande trunfo, mais uma vez, a proximidade com o presidente da República. Talvez Lula não repita o desempenho do último pleito, mas de qualquer maneira segue líder com larga vantagem entre os eleitores baianos.
ACM Neto, por sua vez, depara-se com as mesmas dificuldades das eleições passadas: embora lidere as pesquisas realizadas até aqui, não enfrente concorrentes no seu campo político e conte, inegavelmente, com os votos de quem rejeita o petê, ele não dispõe de uma candidatura presidencial sólida no estado para ajudar a impulsioná-lo. Em 2022, isso lhe fez falta.
Flávio Bolsonaro – ora candidato, embora acossado pelo escândalo recente – se dispõe a apoiar ACM Neto a anseia pelo apoio deste; mas os Bolsonaros não contam com grande simpatia do eleitor baiano e podem, inclusive, prejudicar quem lhes dê a mão; Ronaldo Caiado (União) e Romeu Zema (Novo), por sua vez, não dispõem de musculatura para alavancar candidaturas na Bahia. Pelo menos até aqui.
Isso quer dizer que ACM Neto está fadado a uma nova derrota? É precipitado dizer. Mesmo que a decisão do eleitor envolve diversas variáveis, não se restringindo ao apadrinhamento em âmbito nacional. É bom lembrar, também, que o ex-prefeito de Salvador quase venceu em 2022 e seu piso eleitoral é elevado, como mostram as pesquisas.
Mas, de qualquer maneira, o cenário nacional tende a produzir reflexos no âmbito dos estados. Hoje, há incertezas e especula-se, inclusive, a substituição de Flávio Bolsonaro como candidato da oposição. Caso ocorra, pode surgir um nome competitivo, que reembaralhe o cenário das eleições presidenciais. Com evidentes reflexos na Bahia também, diga-se...