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  • Feira de Santana, domingo, 14 de junho de 2026

Saúde

OMS confirma oito casos de cepa do hantavírus que causou surto em navio

14 de Maio de 2026 | 16h 38
OMS confirma oito casos de cepa do hantavírus que causou surto em navio
Foto: Divulgação

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), subiu para oito o número de casos confirmados de hantavírus relacionados com o surto no MV Hondius, navio de cruzeiros que navegava pelo Oceano Atlântico quando a primeira ocorrência resultou na morte de um passageiro, no dia 11 de abril.

A entidade cientificou a comunidade internacional que a doença foi causada pela cepa Andes, única variante do hantavírus capaz de ser transmitida de pessoa para pessoa. “Até 13 de maio, foram relatados 11 casos, no total: oito confirmados, um inconclusivo e dois prováveis, incluindo três óbitos – dois confirmados e um provável”, detalhou a OMS, por meio de nota.

Desde a publicação do último boletim informativo, no dia 8 de maio, foram relatados dois casos confirmados adicionais e um caso inconclusivo, entre os passageiros. O documento destaca o caso de uma pessoa de origem francesa, que apresentou sintomas durante a repatriação.

Além disso, informa o contágio de uma pessoa na Espanha, que foi testada na chegada ao país, após a repatriação. Esta segue assintomática. E há uma terceira pessoa com resultados laboratoriais inconclusivos, repatriada para os Estados Unidos e, também, assintomática.

Segundo a OMS, este último paciente está se submetendo a novos testes. “A amostra do indivíduo foi coletada devido à exposição de alto risco a casos confirmados a bordo. Todos os casos confirmados em laboratório são de infecção por Andes. Todos eram passageiros a bordo do MV Hondius”, explicou o organismo internacional.

Com base nas informações atualmente disponíveis, a hipótese principal a ser considerada, conforme a Organização Mundial da Saúde, é que o primeiro paciente detectado tenha adquirido a infecção antes de embarcar no cruzeiro, por meio de exposição em terra. “Investigações estão em andamento, para elucidar as possíveis circunstâncias de exposição e a origem do surto, em colaboração com as autoridades da Argentina e do Chile”, destacou a entidade.

As evidências atuais, conforme a OMS, sugerem transmissão subsequente de pessoa para pessoa a bordo do navio. "Isso também é corroborado por uma análise preliminar das sequências, que mostram similaridade quase idêntica entre diferentes casos”, diz a nota emitida pelo órgão.

O surto de hantavírus vem sendo gerenciado por meio de resposta internacional coordenada, incluindo investigações epidemiológicas aprofundadas; isolamento e tratamento clínico dos casos; evacuações médicas; testes laboratoriais; e rastreamento internacional de contatos; além de quarentena e monitoramento.

DOENÇA GRAVE E poetencialmente LETAL – Zoonose aguda grave, a hantavirose é causada por um vírus RNA pertencente à família Hantaviridae, gênero Orthohantavirus, comumente conhecido como hantavírus.

A doença pode se manifestar, inicialmente, por meio de sintomas inespecíficos, como febre aguda e fadiga, mas pode vir a desencadear quadros pulmonares e cardiovasculares mais severos e característicos.

Outros sinais da virose são: tosse, falta de ar e acúmulo de fluido nos pulmões. E isto pode dificultar o diagnóstico, nas primeiras 72 horas de infecção, já que os sintomas são similares, por exemplo, aos de uma gripe.

O problema é que, nesta fase, o paciente pode desenvolver Síndrome da Angústia Respiratória (Sara). É comum, também, que os infectados desenvolvam Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), condição que provoca um importante comprometimento cardíaco, podendo levar o indivíduo à morte.

HOSPEDEIROS – Os hantavírus possuem como hospedeiros naturais alguns roedores silvestres. Ratos e outras espécies similares podem excretar o patógeno pela urina, saliva e fezes.

Uma vez secas, as partículas contaminadas podem se espalhar pelo ar, vindo a infectar os seres humanos. Em geral, as pessoas contraem o vírus ao varrerem áreas onde ratos e camundongos fizeram ninhos. As outras formas de transmissão para a espécie humana são:

 

- percutânea, isto é, por meio de escoriações de pele ou mordedura de roedores;

- contato do vírus com mucosas (conjuntival, da boca ou do nariz), por meio de mãos contaminadas com excretas de roedores;

- transmissão de pessoa a pessoa, relatada, de forma esporádica, na Argentina e Chile, sempre associada ao hantavírus Andes e, agora, detectada em passageiros do MV Hondius.

 

Tratamento – Não existe uma terapia específica para a infecção por hantavírus. Em função disso, o tratamento foca em cuidados de suporte, incluindo repouso e hidratação. Os pacientes podem precisar de ventiladores mecânicos.



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