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Saúde

OMS suspeita de rara transmissão de hantavírus entre humanos, a bordo de um navio

05 de Maio de 2026 | 17h 23
OMS suspeita de rara transmissão de hantavírus entre humanos, a bordo de um navio
Foto: Divulgação/Oceanwide Expeditions e Ilustração/Joshua J Cotten/Unsplash

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, nesta terça-feira (5), que suspeita de transmissão de pessoa a pessoa, no caso do surto de hantavírus detectado no navio MV Hondius. A embarcação realiza cruzeiros e, atualmente, navega pelo Oceano Atlântico.

De acordo com o organismo internacional, é rara a disseminação entre humanos, mas pode ocorrer. “As vítimas de hantavírus no navio no Oceano Atlântico podem ter sido infectadas antes de embarcarem no cruzeiro e uma transmissão de pessoa para pessoa não pode ser descartada – ainda que rara”, destacou a entidade, por meio de nota.

O balanço mais recente aponta que dos 147 passageiros e tripulantes a bordo do navio, sete já apresentaram sintomas, dos quais, três evoluíram a óbito. Uma pessoa permanece sob cuidado intensivo, na África do Sul. O quadro clínico evoluiu com melhora.

Dois pacientes permanecem a bordo da embarcação, que, neste momento, encontra-se na costa de Cabo Verde, país insular africano. Conforme a chefe de Preparação e Prevenção de Epidemias e Pandemias da OMS, Maria Van Kerkhove, os doentes estão sendo preparados para evacuação.

A gestora destacou que a situação no cruzeiro está sendo monitorada. Para evitar que o hantavírus se alastre, os passageiros foram orientados a permanecerem em suas cabines, ao menos, enquanto o processo de desinfecção é realizado. “O plano e nossa maior prioridade é evacuar esses dois indivíduos por via aérea”, explicou.

Maria Van Kerkhove reforçou, ainda, que, para a população em geral, o risco é baixo. “Não é um vírus que se espalha como o da influenza ou o da covid. É bem diferente”, frisou.

De acordo com a representante da OMS, o terceiro paciente com suspeita de infecção pelo hantavírus apresentou febre baixa e permanece com quadro de saúde considerável estável.

Situação médica grave – A operadora de turismo Oceanwide Expeditions confirmou, nesta segunda-feira (4), que enfrenta “situação médica grave” a bordo do MV Hondius.

Por meio de nota, a empresa disse que o primeiro passageiro morreu no dia 11 de abril. “A causa da morte não pôde ser determinada a bordo. Em 24 de abril, esse passageiro desembarcou em Santa Helena, acompanhado de sua esposa”, diz o documento, referindo-se ao desembarque em uma ilha britânica.

Três dias depois, em 27 de abril, a operadora de turismo foi informada que a esposa desse passageiro também havia passado mal e morrido. O casal era de origem holandesa.

Ainda no dia 27 de abril, outro passageiro, de nacionalidade britânica, adoeceu gravemente. Ele foi socorrido para um hospital situado na África do Sul, por via aérea.

Hantavirose – Zoonose viral aguda, a hantavirose é causada por um vírus RNA, pertencente à família Hantaviridae, gênero Orthohantavirus. Os membros desse gênero e família podem ser chamados, simplesmente, hantavírus.

A hantavirose pode se apresentar de variadas formas, desde doença febril aguda inespecífica, até quadros pulmonares e cardiovasculares mais severos e característicos, podendo evoluir para a Síndrome da Angústia Respiratória (SARA).

Também é comum os pacientes infectados desenvolverem Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), condição que provoca um importante comprometimento cardíaco, podendo levar o indivíduo à morte.

HOSPEDEIROS – Os hantavírus possuem como hospedeiros naturais alguns roedores silvestres. Estes animais podem carregar o vírus por toda a vida, sem que haja o adoecimento. No entanto, ratos e outras espécies similares podem excretar o hantavírus pela urina, saliva e fezes.

Uma vez secas, partículas contaminadas destas secreções e sedimentos podem se espalhar pelo ar, vindo a infectar os seres humanos. Em geral, as pessoas contraem o vírus ao varrerem áreas onde ratos e camundongos fizeram ninhos. As outras formas de transmissão, para a espécie humana, são:

 

- percutânea, isto é, por meio de escoriações cutâneas ou mordedura de roedores;

- contato do vírus com mucosas (conjuntival, da boca ou do nariz), por meio de mãos contaminadas com excretas de roedores;

- transmissão de pessoa a pessoa, relatada, de forma esporádica, na Argentina e Chile, sempre associada ao hantavírus Andes.

 

Sintomas – A hantavirose começa, geralmente, com sintomas semelhantes aos de uma gripe. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), o doente apresenta fadiga e febre, de uma a oito semanas após a exposição.

De quatro a dez dias depois, surgem tosse, falta de ar e acúmulo de fluido nos pulmões. O diagnóstico, nas primeiras 72 horas de infecção, é difícil, conforme o órgão. Os sintomas, portanto, podem ser facilmente confundidos com os de uma gripe comum.

Tratamento – Não existe uma terapia específica para a infecção por hantavírus. Em função disso, a terapia foca em cuidados de suporte, incluindo repouso e hidratação. Os pacientes podem precisar de suporte respiratório, como o uso de ventiladores mecânicos.

Prevenção – Especialistas afirmam que a exposição ao hantavírus pode ser minimizada ao afastar e eliminar roedores de áreas onde há presença humana. A orientação é de que as pessoas evitem usar aspirador de pó ou varrer excrementos secos, o que pode transformar o vírus em aerossol, isto é, partículas que flutuam no ar.



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