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Saúde

Ministério da Saúde alerta para risco de casos de sarampo após Copa do Mundo

23 de Abril de 2026 | 15h 49

Países que sediam evento enfrentam surtos ativos da doença

Ministério da Saúde alerta para risco de casos de sarampo após Copa do Mundo
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O Ministério da Saúde (MS) emitiu um alerta. Informando sobre o risco iminente da reintrodução e disseminação do sarampo no Brasil, em razão do fluxo intenso de viajantes para a Copa do Mundo 2026. Este ano, a competição, que acontece a partir de junho, será sediada pelos Estados Unidos, Canadá e México, países que enfrentam surtos elevados da doença.

A nota técnica divulgada pelo órgão descreve um cenário de alta transmissibilidade do sarampo nas Américas, além de um grande número de brasileiros com destino aos países-sede do evento, bem como a outros países onde há surto ativo da doença. “Há um risco iminente de reintrodução do sarampo no Brasil, após o retorno desses viajantes ou da chegada de estrangeiros, porventura infectados”, adverte a pasta.

Vai viajar para a Copa? – O documento também reforça recomendações de vacinação contra o vírus que causa a enfermidade, visando proteger viajantes e a população residente no Brasil. “A vacinação oportuna de viajantes e a vigilância sensível dos serviços de saúde são as únicas estratégias capazes de mitigar o risco de reintrodução do vírus”, alerta, no comunicado, o Departamento do Programa Nacional de Imunizações.

A repartição enfatiza a necessidade de reforço, por parte dos entes federativos e seus respectivos municípios, na imunização da população. “Reitera-se, portanto, a necessidade de estados, municípios e profissionais de saúde priorizarem a atualização vacinal e o monitoramento rigoroso de casos suspeitos, a fim de manter o status do Brasil como país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo”, informa a nota.

Orientações para o viajante – O Ministério da Saúde faz uma série de recomendações a quem vai viajar para assistir aos jogos do campeonato:

 

- Atualização da caderneta de vacinação: é preciso verificar se as doses da vacina Tríplice Viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, foram tomadas;

- Antecedência: o imunizante deve ser tomado, ao menos, 15 dias antes do embarque, a fim de que o corpo crie a proteção necessária;

- Vigilância no retorno: ao voltar ao Brasil, o viajante que apresentar febre e manchas vermelhas pelo corpo, deve procurar, imediatamente, um serviço de saúde e informar sobre a viagem.

 

Copa do MundoA Copa do Mundo 2026 será realizada entre os dias 11 de junho e 19 de julho de 2026. Os jogos serão sediados em cidades dos Estados Unidos, do México e do Canadá.

A estimativa é de que milhões de pessoas participem, incluindo grande número de viajantes internacionais, provenientes de diferentes regiões do planeta. “Eventos de massa internacionais como este resultam em grande mobilidade populacional e intensa circulação de viajantes entre países e continentes, o que pode favorecer a disseminação de doenças transmissíveis”, destaca o Ministério da Saúde.

Sarampo nas AméricasA pasta define o sarampo como uma doença viral infecciosa aguda altamente contagiosa e potencialmente grave. Sua transmissão acontece, sobretudo, por via aérea ou gotículas respiratórias, quando o paciente contagiado tosse, espirra, fala ou respira. O vírus causador da infecção pode se disseminar rapidamente, especialmente, em ambientes com grande concentração de pessoas.

O MS alerta que o sarampo permanece com ampla distribuição global, com persistência de surtos em todos os continentes. “Em 2025, foram confirmados 248.394 casos mundialmente, demonstrando que a circulação viral permanece como uma ameaça crítica à saúde pública”, afirma o órgão.

Ainda segundo a pasta, “esse cenário é agravado pela existência de bolsões de indivíduos suscetíveis, resultantes da hesitação vacinal e de falhas na cobertura vacinal em diversas regiões”.

Nas Américas, o documento emitido pelo Ministério da Saúde aponta um aumento expressivo na incidência da doença, com milhares de casos de sarampo, principalmente, nos países-sede da Copa do Mundo.

Em 2025, a epidemia de sarampo no Canadá provocou 5.062 casos, causando a perda da certificação de país livre da doença. Em 2026, foram 124 casos, mantendo a área como de circulação endêmica.

Situação semelhante foi observada no México, que passou de sete casos, em 2024, para 6.152, em 2025, e 1.190 casos, em janeiro de 2026, conforme dados preliminares. Já os Estados Unidos notificaram 2.144 casos em 2025 e 721 casos em janeiro de 2026.

Os três países registram surtos ativos de sarampo, isto é, quando há transmissão contínua do vírus ocorrendo nesse momento. O cenário de agravamento culminou na perda do status da região das Américas como zona livre de transmissão endêmica, em novembro de 2025.

Brasil livre do sarampoApesar do contexto regional, o Brasil mantém o status de país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo, conquistado em 2024. No entanto, em 2025, o país registrou 3.952 casos suspeitos, dos quais 38 foram confirmados, 3.841 foram descartados e 46 permanecem em investigação.

Dos 38 confirmados, dez foram importados, 25 foram classificados como relacionados à importação e três apresentaram fonte de infecção desconhecida. “Um dado alarmante é que 94,7% dos casos confirmados em 2025 (36 de 38) ocorreram em pessoas sem histórico vacinal”, destaca o MS.

Em 2026, até meados de março, o Brasil registrou 232 casos suspeitos e confirmou dois casos: uma criança de 6 meses, residente em São Paulo e com histórico de viagem à Bolívia; e uma jovem de 22 anos, residente no Rio de Janeiro, com investigação em andamento.

Ambos os pacientes contaminados não haviam sido vacinados previamente. “O cenário epidemiológico atual reforça a vulnerabilidade do Brasil frente à reintrodução do vírus. A combinação de surtos ativos em países vizinhos, fluxo contínuo de viajantes, brasileiros não vacinados e a confirmação de casos importados faz com que o risco de casos e surtos de sarampo seja alto”, explica o órgão.

VacinaçãoO comunicado reforça que a imunização constitui a principal medida de prevenção e controle da doença. A proteção vacinal é oferecida, gratuitamente, pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), por meio das vacinas tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela).

Dados compilados pela pasta mostram que, no Brasil, a cobertura da 1ª dose (D1) atingiu 92,66% em 2025, aproximando-se da meta preconizada, de 95%, em nível nacional. A homogeneidade (indicador da qualidade da cobertura em diferentes localidades) chegou a 64,56%, sendo que 3.596 municípios atingiram a meta de 95%.

Já a cobertura da 2ª dose (D2) atingiu 78,02%, com uma homogeneidade de 35,24%. Além disso, os dados revelam que 1.963 municípios atingiram a meta de 95%. “Esses resultados evidenciam que ainda há pessoas não vacinadas contra o sarampo, no Brasil. Assim, o risco de reintrodução do vírus aumenta com o retorno de viajantes brasileiros infectados ou com a chegada de viajantes estrangeiros infectados, levando a uma potencial ocorrência de surtos e epidemias de sarampo”, ressalta a nota técnica.

Para viajantes internacionais, a orientação é verificar o cartão de vacina e procurar uma unidade de saúde para atualizar a situação vacinal contra o sarampo antes da viagem, conforme esquema detalhado a seguir:

 

- Crianças de 6 a 11 meses e 29 dias: realizar a dose zero da vacina, no mínimo, 15 dias antes do embarque, para que haja tempo hábil para a produção de anticorpos;

- Crianças de 12 meses a adultos de 29 anos: para pessoas que precisam receber o esquema vacinal completo, de 2 doses, o ideal é que a 1ª dose seja realizada, no mínimo, 45 dias antes da viagem, a fim de ter tempo hábil para receber a 2ª dose (30 dias após a 1ª dose) e período adequado para a produção de anticorpos, que é de, aproximadamente, 15 dias;

- Adultos de 30 a 59 anos: para pessoas que precisam receber o esquema vacinal com uma dose da vacina, é necessário iniciar o esquema, no mínimo, 15 dias antes do embarque, a fim de que haja tempo hábil de soroconversão.

 

O Ministério da Saúde aponta que, “em situações em que a vacina não foi administrada no período ideal, ainda assim, é recomendável que o viajante receba, pelo menos, uma dose antes de viajar, até mesmo no dia do embarque”.

Risco realPara o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, o risco de reintrodução da doença no Brasil é real. “Justamente no momento em que nós recuperamos o status de zona livre do sarampo, estamos vivenciando um grande surto nas Américas, principalmente, na América do Norte. Mas também há casos na Bolívia, na Argentina e no Paraguai”, informou.

Ele salientou que, obviamente, “o deslocamento frequente de pessoas faz com que o risco de reintrodução da doença seja real”. E advertiu que “a chance de alguém entrar com sarampo aqui é grande”.

Em função disso, Kfouri alerta que o Brasil precisa manter sua população vacinada. Isto porque a imunização funciona como uma barreira para a transmissão do vírus. Segundo ele, o país também precisa realizar uma vigilância bastante ativa, para a detecção precoce. “Casos importados vão acontecer. Em 2025, tivemos 35. Mas esses casos não se traduziram em uma cadeia de doença. Portanto, a gente só teve esses casos. Não temos transmissão mantida entre nós”, explica.

O vice-presidente da SBIm ressaltou a importância de capacitação de todos os profissionais de saúde, não só para o reconhecimento precoce da doença, mas também para ações imediatas de isolamento, bloqueio e coleta de exames. “Que, neste momento de aglomeração, a gente tenha um cuidado ainda maior. Viajar com a vacinação em dia, e estar alerta para os que voltam de lá com sintomas”, observa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*Com informações da Agência Brasil.



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