Já faz um tempo que o mundo está do jeito que o diabo gosta. Guerras, ditaduras, ameaças à liberdade e à democracia, fanatismo religioso, proliferação de discursos do ódio, governantes promovendo e locupletando-se com fraudes e falcatruas, episódios de pirataria de Estado, fome, miséria, desigualdade, migrações forçadas por conflitos bélicos e – novidade assustadora! – pelas mudanças climáticas.
Talvez seja por isso que Donald Trump – irretocável
caricatura de anticristo – esteja se coçando para escalar a guerra que promove
no Oriente Médio, recorrendo – quem sabe? – a artefatos nucleares. Inquietantes
notícias na imprensa norte-americana dão conta de que o imperador alaranjado andou tentando acessar os códigos da famosa mala
nuclear que pode decretar o armagedom. Foi contido por um general.
Enquanto o armagedom não vem, os argentinos
substituem, em suas refeições, carne bovina por muares. É isso mesmo: os hermanos
estão recorrendo à carne de burro como fonte de proteína. Na tevê, uma repórter
provou a iguaria, com ar de repugnância, para provar à população que o produto
é uma opção palatável. Tudo para manter Javier Milei, o histriônico mandatário
de lá, em alta.
Notícias recorrentes informam, com orgulho, que os
fundamentos macroeconômicos estão sólidos por lá. Nos anos 1990, o Brasil
também atravessava uma época assim. Alguém até definiu, de maneira lapidar, o
cenário brasileiro, naquele momento: a economia vai bem, mas o povo vai mal. A
Argentina foi fisgada em arapuca semelhante.
Aqui, no Brasil, parte da chamada grande imprensa
entusiasma-se, cada vez mais, com Flávio Bolsonaro, o filho do “mito”. A razão?
Seu desempenho nas pesquisas, emparelhado com Lula. Além de livrar os golpistas
da cadeia, o candidato, até aqui, não revelou nada do que pretende fazer.
Entende-se: pelo visto, não pretende fazer nada.
Com relação à carne de burro, os brasileiros podem ficar
tranquilos. Ninguém a comerá. Caso a extrema-direita ascenda ao poder,
certamente, dezenas de milhões roerão ossos, farão sopa com embalagem de
charque, comerão pequenos roedores no interior do Nordeste. Esse é o passado
que essa turma pretende resgatar, retomando o próprio cenário do governo de
Jair Bolsonaro, o “mito”, de uns poucos anos atrás. Isto se o armagedom
de Donald Trump não nos atropelar antes.