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André Pomponet

Entre a carne de burro e o armagedom

André Pomponet - 22 de Abril de 2026 | 10h 00
Entre a carne de burro e o armagedom
Foto: Reprodução

Já faz um tempo que o mundo está do jeito que o diabo gosta. Guerras, ditaduras, ameaças à liberdade e à democracia, fanatismo religioso, proliferação de discursos do ódio, governantes promovendo e locupletando-se com fraudes e falcatruas, episódios de pirataria de Estado, fome, miséria, desigualdade, migrações forçadas por conflitos bélicos e – novidade assustadora! – pelas mudanças climáticas.

Talvez seja por isso que Donald Trump – irretocável caricatura de anticristo – esteja se coçando para escalar a guerra que promove no Oriente Médio, recorrendo – quem sabe? – a artefatos nucleares. Inquietantes notícias na imprensa norte-americana dão conta de que o imperador alaranjado andou tentando acessar os códigos da famosa mala nuclear que pode decretar o armagedom. Foi contido por um general.

Enquanto o armagedom não vem, os argentinos substituem, em suas refeições, carne bovina por muares. É isso mesmo: os hermanos estão recorrendo à carne de burro como fonte de proteína. Na tevê, uma repórter provou a iguaria, com ar de repugnância, para provar à população que o produto é uma opção palatável. Tudo para manter Javier Milei, o histriônico mandatário de lá, em alta.

Notícias recorrentes informam, com orgulho, que os fundamentos macroeconômicos estão sólidos por lá. Nos anos 1990, o Brasil também atravessava uma época assim. Alguém até definiu, de maneira lapidar, o cenário brasileiro, naquele momento: a economia vai bem, mas o povo vai mal. A Argentina foi fisgada em arapuca semelhante.

Aqui, no Brasil, parte da chamada grande imprensa entusiasma-se, cada vez mais, com Flávio Bolsonaro, o filho do “mito”. A razão? Seu desempenho nas pesquisas, emparelhado com Lula. Além de livrar os golpistas da cadeia, o candidato, até aqui, não revelou nada do que pretende fazer. Entende-se: pelo visto, não pretende fazer nada.

Com relação à carne de burro, os brasileiros podem ficar tranquilos. Ninguém a comerá. Caso a extrema-direita ascenda ao poder, certamente, dezenas de milhões roerão ossos, farão sopa com embalagem de charque, comerão pequenos roedores no interior do Nordeste. Esse é o passado que essa turma pretende resgatar, retomando o próprio cenário do governo de Jair Bolsonaro, o “mito”, de uns poucos anos atrás. Isto se o armagedom de Donald Trump não nos atropelar antes.



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