Tribuna Feirense

  • Facebook
  • Twiiter
  • (75) 9707-1234
  • Feira de Santana, domingo, 14 de junho de 2026

Saúde

Pesquisa do IBGE revela que um quarto das estudantes adolescentes já foi alvo de violência sexual

25 de Março de 2026 | 15h 07
Pesquisa do IBGE revela que um quarto das estudantes adolescentes já foi alvo de violência sexual
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada, nesta quarta-feira (25), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela uma realidade assustadora: um quarto das estudantes adolescentes brasileiras já sofreu alguma situação de violência sexual, incluindo toques, beijos ou exposição de partes íntimas sem consentimento.

Foram entrevistados 118.099 adolescentes, entre 13 e 17 anos. Eles frequentavam 4.167 escolas públicas e privadas de todo país em 2024. Em relação a 2019, último ano em que a pesquisa foi feita, o percentual de meninas que relataram violências dessa natureza nas respostas aumentou 5,9 pontos percentuais.

O IBGE destaca que 11,7% das estudantes entrevistadas contaram que foram forçadas ou intimidadas para se submeterem a relações sexuais. Nesse caso, o aumento em relação a 2019 foi de 2,9 pontos percentuais.

Conforme o estudo, apesar da proporção de meninas violentadas ser, em média, o dobro do percentual de meninos abusados sexualmente, estudantes de ambos os gêneros relataram situações de violência sexual, somando mais de 2,2 milhões de vítimas de assédio e 1,1 milhão de relações forçadas.

Apesar de a legislação brasileira tipificar ações enquadradas nas duas categorias como estupro, o IBGE optou por dividi-las em duas perguntas, a fim de facilitar a compreensão dos adolescentes. “Esse tipo de violência nem sempre é identificado pela vítima, seja por falta de conhecimento em razão da idade, no caso de menores, seja por aspectos sociais e culturais. Nesse sentido, a identificação dos diversos atos que caracterizam a violência sexual, por um lado, consiste numa estratégia metodológica que facilita a identificação da violência; por outro, possibilita a caracterização da violência em escalas de gravidade”, explica o órgão.

Idade – Outro viés da pesquisa chama a atenção, por dizer respeito à idade das vítimas no momento do crime. Enquanto as situações de assédio sexual foram mais reportadas por adolescentes entre 16 e 17 anos, a maioria (66,2%) dos que foram forçados a uma relação sexual tinha 13 anos ou menos.

A violência foi mais frequente entre os estudantes de escola pública: 9,3% dos adolescentes dessas instituições relataram já terem sido intimidados ou forçados a uma relação sexual, contra 5,7% dos alunos da rede privada. Já nos casos de assédio sexual, a proporção é semelhante nas duas redes.

OS agressores – O IBGE também pediu aos estudantes que apontassem o autor das violências. No caso dos que foram submetidos a uma relação forçada, a grande maioria foi violentada por pessoas do seu círculo íntimo:

 

- 8,9% por pai, padrasto, mãe ou madrasta;

- 26,6% por outros familiares;

- 22,6% por namorados ou ex-namorados;

- 16,2% por amigos.

 

A pesquisa averiguou, ainda, que, nos casos de toque não consentido, beijo forçado ou exposição de partes íntimas, a categoria mais mencionada foi “outro conhecido” (24,6%), seguido por outros familiares (24,4%) e desconhecidos (24%).

Em ambos os casos, os estudantes podiam escolher mais de uma opção, e o somatório das respostas nas duas questões foi superior a 100%, o que indica que muitos estudantes sofreram esse tipo de violência mais de uma vez, ou de pessoas diferentes.

Gravidez precoce – A PeNSe também identificou que cerca de 121 mil meninas, entre 13 e 17 anos de idade, já engravidaram alguma vez, o que representou 7,3% daquelas que disseram ter iniciado a vida sexual. Desse total, 98,7% estudavam em escolas públicas.

Em cinco estados brasileiros, o índice de gravidez precoce ultrapassa 10% das estudantes: Paraíba, Ceará, Pará, Maranhão e Amazonas. Neste último ente federativo, a situação chega a 14,2% das estudantes.

Outros dados sobre a iniciação sexual dos adolescentes, de forma consentida, levantam preocupações em relação à prevenção dessas gestações e, também, a Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST).

Isto porque somente 61,7% dos estudantes usaram camisinha na primeira relação sexual, proporção que cai para 57,2% no caso da relação mais recente. Para o IBGE, isto mostra que não só os adolescentes não estão se protegendo desde o começo da vida sexual, como, com o passar do tempo, esse uso vai caindo.

Já entre aqueles que optaram por outros métodos contraceptivos, 51,1% dos estudantes utilizam pílula anticoncepcional e 11,7% usam pílula do dia seguinte, uma opção de emergência, que só deve ser tomada em situações excepcionais.

Apesar disso, diz a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, quatro em cada dez meninas já tomou esse tipo de pílula, ao menos, uma vez na vida.

Início da vida sexual – Em comparação com a pesquisa anterior, os dados de 2024 também apontam para um início mais tardio da vida sexual: 30,4% dos estudantes de 13 a 17 anos já tinham vivenciado, pelo menos, uma relação, cinco pontos percentuais a menos do que em 2019.

A proporção cai para 20,7% entre os alunos de 13 a 15 anos, e sobe para 47,5% entre aqueles com 16 e 17 anos. Por outro lado, considerando apenas os que já iniciaram a vida sexual, 36,8% tiveram a primeira relação com 13 anos de idade ou menos.

No Brasil, a idade mínima para o consentimento legal é 14 anos. Qualquer relação com pessoa menor do que essa idade, portanto, configura estupro de vulnerável. Apesar disso, os dados levantados pelo IBGE apontam que a idade média da iniciação sexual foi de 13,3 anos, entre os meninos, e de 14,3 anos, entre as meninas.

 

 

 

 




 

*Com informações da Agência Brasil.



Saúde LEIA TAMBÉM

Charge da Semana

charge

As mais lidas hoje