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André Pomponet

Guerra de Trump já pesa no bolso em Feira

André Pomponet - 20 de Março de 2026 | 09h 20
Guerra de Trump já pesa no bolso em Feira
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os reflexos da mais nova guerra na praça começaram a ser sentidos até mesmo na Feira de Santana. Os postos de combustíveis já elevaram os preços dos seus produtos por aqui, para desespero dos motoristas que reclamam, mas não veem solução à vista. A solução começa, como se sabe, pelo fim da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Possibilidade remota no momento, quando o conflito já alcança a terceira semana e as hostilidades continuam.

Donald Trump, tresloucado presidente norte-americano e candidato a imperador mundial, julgou que, no Irã, experimentaria um êxito similar àquele da Venezuela. Até aqui, a realidade o desmente a todo momento. O poderio bélico dos Estados Unidos é indiscutível e seus bombardeios – em parceria com Israel – impuseram pesadas baixas aos iranianos. Mas estes recorrem a uma estratégia que vem deixando muita gente de cabelo em pé.

Além de restringir a circulação de petróleo pelo estreito de Ormuz, o Irã vem bombardeando a infraestrutura energética de países vizinhos, aliados dos Estados Unidos. O resultado? Impacto sobre a oferta de petróleo no curto e no longo prazos, com elevação dos preços do produto e pesadas incertezas para os próximos meses.

Fala-se muito sobre o impacto no curto prazo, sobretudo em relação às exportações que passam por Ormuz. Mas e a destruição da infraestrutura de produção, que vem se alastrando e alcançando até o próprio Irã, retaliado por Israel? Não é simples, nem rápido, nem barato, reconstruir o que mísseis e drones destruíram em segundos.

Talvez seja possível mitigar a drástica redução da oferta com a liberação do estreito de Ormuz nos próximas dias – ou semanas, ou meses – mas e os impactos sobre a produção no médio e no longo prazos? É provável isso se traduza em preços mais elevados no futuro próximo, causando inflação e reduzindo a geração de riquezas, dado que os combustíveis são insumos estratégicos. Pior cenário, impossível.

Embora produza petróleo e não seja cronicamente dependente da importação do produto como muitos países, é impossível ao Brasil escapar dos preços mais altos em função dessas incertezas. O governo isenta tributos para evitar abruptas elevações de preços, mas o efeito é limitado em razão das dimensões da crise.

O desarranjo é global e se deve aos impulsos imperialistas do tresloucado Donald Trump. Sabe-se que ele labuta sozinho ao lado de Israel, porque o mundo todo evita se envolver no conflito. Gradativamente isolando-se, talvez à frente ele seja forçado a recuar, até porque os impactos econômicos começam a ser sentidos também nos Estados Unidos. Afinal, por lá também os motoristas abastecem e já começam a sentir o peso no bolso.

Mas, de qualquer maneira, o imperador laranja já produziu muita desgraça neste 2026 e os efeitos apenas começam a ser sentidos...  



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