Um relatório divulgado na última quinta-feira (26) por um comitê do Congresso dos Estados Unidos acendeu um alerta internacional ao citar Salvador como ponto estratégico de uma suposta operação chinesa na América do Sul. O documento aponta a existência de uma alegada base militar secreta da China funcionando na capital baiana.
Batizada no relatório como “Estação Terrestre de Tucano” (Tucano Ground Station), a estrutura estaria instalada na sede da empresa aeroespacial brasileira Ayla Space, que mantém parceria com a companhia chinesa Beijing Tianlian Space Technology, especializada em análise de dados de satélites e monitoramento terrestre.
O texto faz parte do relatório intitulado “Atraindo a América Latina para a Órbita da China”, que classifica a unidade em Salvador como uma instalação “não oficial”. Segundo o comitê norte-americano, o local teria potencial para permitir ao governo da República Popular da China identificar ativos militares estrangeiros e rastrear objetos espaciais em tempo real em toda a América do Sul.
“[A base] fornece à RPC [República Popular da China] um canal para observar e influenciar a doutrina espacial militar brasileira, ao mesmo tempo que estabelece uma presença permanente em uma região vital para a segurança nacional dos EUA”, afirma um dos trechos do relatório.
O Brasil é mencionado 15 vezes no documento, que descreve o que seria uma estratégia mais ampla de Pequim para integrar economias latino-americanas à sua infraestrutura tecnológica e logística. Além da suposta base em Salvador, o texto também cita um laboratório de radioastronomia instalado na Serra do Urubu, na Paraíba, resultado de cooperação entre instituições chinesas e as universidades federais Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
Para o comitê do Congresso dos EUA, tais iniciativas ultrapassariam o campo estritamente comercial ou científico. A principal preocupação estaria no chamado “uso duplo” das tecnologias envolvidas — ou seja, recursos desenvolvidos para pesquisa e monitoramento civil que poderiam ser adaptados para fins de inteligência militar, vigilância aérea e rastreamento estratégico.
O levantamento ainda sustenta que a China manteria cerca de dez estruturas semelhantes em território sul-americano, utilizando investimentos em infraestrutura, telecomunicações e cooperação tecnológica como instrumento para ampliar sua influência geopolítica e consolidar relações de dependência econômica na região.