Vejo jornalistas e radialistas feirenses, também os de
Salvador e de outras cidades do Estado, alimentando expectativas em torno de
uma possível candidatura do prefeito José Ronaldo a vice-governador ou senador,
em outubro próximo. Ou na chapa a ser encabeçada pelo ex-prefeito de Salvador,
ACM Neto, ou na do candidato à reeleição, governador Jerônimo Rodrigues.
Existem duas dúvidas em torno do que fará Ronaldo, nessas próximas eleições.
Uma delas, se será candidato a algo. A outra, a quem ele apoiará para governador
e presidente da República. Sua escolha em nível federal estará, certamente,
atrelada à que fará sobre a eleição para o Palácio de Ondina.
A primeira dúvida só existe porque a imprensa e a sociedade
estão fartas de casos em que prefeitos ou governadores, no exercício do
mandato, desistem de ficar até o fim para candidatarem-se a cargos maiores ou
mais atraentes para o seu currículo e prestígio político. Assim aconteceu três
vezes, na Prefeitura de Feira. Colbert Martins da Silva, o pai, em sua primeira
passagem pelo Governo Municipal, na década de 80, deixou o Palácio Maria
Quitéria para eleger-se deputado estadual.
Depois, foi a vez do então prefeito João Durval, em meados
dos anos 90. Motivado pelas pesquisas que lhe eram favoráveis, deixou a gestão
para tentar o Governo do Estado. Perdeu. Em ambos os casos, o
vice-prefeito José Raimundo foi o substituto. Deve ser o único político no país
a ser prefeito duas vezes sem ter que se eleger para tal mister. Por último, o
próprio José Ronaldo, em 2018, proporcionou o poder ao seu vice, Colbert Filho,
para buscar uma eleição a governador, que não aconteceu. Embora fora da
Prefeitura, ele foi candidato a senador em 2010, perdendo ele e outros fortes
candidatos (César Borges, José Carlos Aleluia e Edvaldo Brito), para os eleitos
Walter Pinheiro e Lídice da Mata.
A situação de Ronaldo, agora, porém, é muito especial. Alguns
alegam que o compromisso feito por ele e já reiterado várias vezes, de que
cumprirá integralmente este quinto mandato, nada significa, pois a mesma
promessa teria sido feita lá atrás, quando se lançou ao Senado. Vejo diferente.
O prefeito não foi tão enfático, naquela campanha eleitoral de mais de uma
década atrás, quanto a uma possibilidade de buscar um voo mais alto. Agora, até
para conter um temor no eleitorado, ele só faltou ajoelhar-se na Catedral de
Senhora Santana, em juramento, para convencer o público de que isto não ser
repetirá. Descumprir o acordo que fez com os feirenses, uma segunda vez,
poderia não lhe cair bem.
"Ah, mas pode alegar que faria mais por Feira de Santana
em um cargo maior", argumentariam os que creem na chance dele novamente
deixar a batuta com o vice, agora o jovem promissor Pablo Roberto, que abdicou
da Assembleia Legislativa, para a qual foi muito bem eleito. Não, ainda assim,
entendo que seria uma jogada de risco muito elevado para a sua credibilidade. E
se viesse a perder outra vez, entraria em uma "sinuca de bico" quase
impossível de escapar, logo quando se aproxima do final da carreira e tem pela
frente três anos muito alvissareiros, com obras de grande porte que deve
realizar, ampliando as chances de reeleição ou de fazer seu sucessor em
2028.
Desta forma, permitam-me, este humilde analista político não
leva a sério a hipótese. Deveremos ter um capítulo final desta mini-série após
o Carnaval, ou um pouco depois. O homem tem experiência, sensatez e olho de
águia. É capaz de encontrar soluções para os mais difíceis dilemas.
Resta, então, a outra decisão, esta, mais delicada e,
aparentemente, um jogo em aberto, de difícil prognóstico. Ronaldo fica com ACM
Neto, aquele que menosprezou seu enorme cabedal, principalmente em boa parte do
interior do Estado, rifando-o já na prorrogação, da candidatura a vice na chapa
oposicionista em 2022? Deixa a campanha ocorrer sem sua participação na disputa
do Governo (o que beneficiaria Jerônimo)? Ou vai preferir marchar com a
reeleição do governador, que lhe tem tratado com atenção, em busca de uma justa
valorização política e de promessas de grandes realizações para a sua cidade?
Vamos pensar no que dizer sobre isto.