A neurociência já comprovou que o
indivíduo é esculpido pelo meio em que está inserido. O cérebro humano não
apenas reflete, mas é moldado pelo ambiente através da neuroplasticidade —
capacidade cerebral de se adaptar e formar novas conexões sinápticas em
resposta a estímulos e experiências. Nesse sentido, a psicologia ambiental
demonstra que o espaço físico condiciona escolhas e hábitos de forma consciente
e inconsciente. Enquanto cenários ricos em estímulos positivos estimulam a
criatividade e o bem-estar, ambientes hostis ou negligenciados podem
desencadear inflamação, estresse crônico e alterações cognitivas.
Dentro deste panorama, a
sinalização urbana revela-se vital para a saúde coletiva. Ela vai além da
logística: protege os vulneráveis, organiza o fluxo de veículos e pessoas e
reduz acidentes. Sobretudo, ela atua como regulador emocional externo, evitando
o desgaste mental e incentivando a conformidade com as leis de trânsito.
Por outro lado, a precariedade
visual mergulha o cidadão em um estado de hipervigilância. Quando o córtex
cerebral é sobrecarregado pela incerteza, o cérebro dispara sinais constantes
de alerta, transformando o espaço público em um cenário de desconforto e medo. Socialmente, a falta de diretrizes visuais
claras atua como um agente desagregador. Onde impera a desordem, instala-se a
percepção de negligência estatal, o que fomenta o desrespeito e agressividade.
Em contraste, ruas bem
sinalizadas transmitem mensagens de cuidado e valorização, permitindo que o
cérebro opere em estado de segurança e previsibilidade, mitigando fenômenos
como a "fúria do trânsito". Portanto, a sinalização não é apenas ferramenta logística; é uma intervenção de
neuroarquitetura essencial para criar um tecido urbano mais saudável, humano e
acolhedor.
Em Feira de Santana, entretanto,
a realidade caminha na contramão desses conceitos. A sinalização é extremamente
precária, mesmo nas principais vias do centro. Muitas faixas de pedestres estão
absurdamente apagadas, diversas ruas não
tem nenhuma sinalização de trânsito, cruzamentos estão sem ordenação visual e
a sinalização aérea- mesmo que mais constante- ainda é deficiente. A identificação das ruas, muitas vezes
limitada a placas enferrujadas- ou ausentes- sugere abandono.
A sensação transmitida ao
feirense é de forte descuido e desorganização. A atual condição da sinalização urbana
de Feira de Santana ignora o impacto direto que o ambiente exerce sobre a saúde
mental e física da população, evidenciando a urgência de intervenções baseadas
em conhecimento do comportamento das pessoas para devolver à cidade o seu
caráter humano e acolhedor.