Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Rússia, Vladimir Putin, conversaram, por telefone, nesta quarta-feira (14), acerca da situação na Venezuela, após o país latino-americano ser atacado, no último dia 3 de janeiro, pelos Estados Unidos e ter seu presidente, Nicolás Maduro, sequestrado, por ordem de Donald Trump.
O Palácio do Planalto emitiu uma nota, informando que os
governantes manifestaram preocupação com a situação da Venezuela. No documento,
o Poder Executivo Federal do Brasil destacou que Lula e Putin “reiteraram a
importância de que a América do Sul e o Caribe sigam como zonas de paz”.
Os chefes de Estado também teriam defendido o papel dos
países que integram o BRICS para o “fortalecimento das instituições de
governança global, em especial as Nações Unidas e seu Conselho de Segurança”. O
grupo formado por 11 países-membros (Brasil, Rússia, Índia, China, África do
Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã, serve
como foro de articulação político-diplomática de países do Sul Global e de
cooperação nas mais diversas áreas, visando fortalecer a cooperação econômica,
política e social entre seus membros, bem como promover um aumento de
influência na governança mundial.
O Kremlin, sede do governo russo, também emitiu um
comunicado, destacando que ambos os presidentes trocaram opiniões sobre questões
internacionais da atualidade, com foco na situação da Venezuela. “Enfatizaram
as abordagens fundamentais compartilhadas pela Rússia e pelo Brasil em relação
à garantia da soberania estatal e dos interesses nacionais da República
Bolivariana”, diz o documento elaborado pela presidência da Rússia.
Conforme o Kremlin, Lula e Putin concordaram em buscar meios para reduzir a tensão na
América Latina e em outras regiões. “Concordaram em continuar
coordenando esforços, inclusive no âmbito da ONU e por meio do BRICS, para
reduzir a tensão na América Latina e em outras regiões”, enfatiza o comunicado.
Comissão bilateral – O Governo
do Brasil salientou que Lula e Putin também conversaram sobre a 8ª Comissão
Bilateral de Alto Nível Brasil-Rússia (CAN), a ser realizada no próximo dia 5
de fevereiro, em Brasília. “Os presidentes concordaram que a reunião bilateral será oportunidade
para dinamizar áreas prioritárias, como comércio, agricultura, defesa, energia,
ciência e tecnologia, educação e cultura. A pedido do presidente Lula, o
presidente Putin comprometeu-se a enviar delegação de alto nível para
participar, presencialmente, do encontro em Brasília”, afirmou o Palácio do
Planalto.
Críticas à ação dos EUA – Os presidentes dos dois países criticaram
a invasão da Venezuela e o sequestro de Nicolás Maduro por militares
estadunidenses, alegando ser uma violação do direito internacional.
Logo após o ocorrido, a
Rússia condenou o “ato de agressão armada” contra a Venezuela. Já o presidente brasileiro afirmou que a ação
ultrapassou a linha do aceitável.
Em entrevista à revista Época, Lula lembrou que a ofensiva
dos Estados Unidos viola os tratados de paz internacionais, além de abrir um perigoso
precedente para os demais países. “Esses atos representam uma afronta
gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso
para toda a comunidade internacional. Atacar países, em flagrante violação do
direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e
instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, observou.
*Com informações da
Agência Brasil e da revista Época.