A mobilidade pública é um tema crucial para o
desenvolvimento urbano e a qualidade de vida dos cidadãos. Valdomiro Silva e
André Pamponet destacam, em sensatos artigos nessa Tribuna- e com mais
habilidade do que sou capaz de comentar- a disparidade entre os investimentos e
a organização da mobilidade em Feira de Santana e Salvador.
Nas últimas décadas, Salvador passou por transformações
importantes na mobilidade urbana. O estado investiu em infraestrutura,
incluindo metrô, viadutos, avenidas de interligação, VLT (Veículo Leve sobre
Trilhos) e BRT (Bus Rapid Transit) com algumas intervenções da Prefeitura. Agora,
o governador Jerônimo, está entregando uma sensacional e moderna Rodoviária,
deslocando o acesso para a entrada da cidade e substituindo uma unidade que já
estava obsoleta. Todos nós que dirigimos por Salvador reconhecemos essa
ampliação e o impacto que essas medidas tiveram para evitar o caos no deslocamento dos
soteropolitanos.
Em contrapartida, Feira de Santana enfrenta desafios significativos sem o mesmo aporte de soluções. Apesar de algumas intervenções feitas pelo estado e, em especial, pela Prefeitura Municipal, através de viadutos, a mobilidade na cidade ainda é dificil. O projeto do BRT, por exemplo, rendeu
mais mídia que resultados e algumas estações seguem como fantasmas assombrando
até importantes avenidas. A proliferação
de transportes clandestinos e alternativos é um atestado de nossas dificuldades.
É essencial que as intervenções em Feira considerem o futuro
da cidade e integrem diferentes modais de transporte- do mais simples ao aéreo.
Atualmente, a cidade possui mais de
380.000 veículos registrados e uma frota de motocicletas estimada em 100.000
unidades, além de uma grande população flutuante que circula continuamente por
aqui. As condições do transporte público são preocupantes, com pontos de ônibus inadequados, improvisados, sem
iluminação e informações.
Para resolver esses problemas, é necessário implementar um
sistema de transporte moderno e integrado, que conecte diversos tipos de
transporte. A melhoria da sinalização e a criação de canais de tráfego são
fundamentais, assim como a adequação das vias para motocicletas – uma tragédia
de saúde pública- entre muitas outras. Aliás, há décadas luta-se
para implantar uma Zona Azul, no Centro, sem que consiga ser- estranhamente-
viabilizada.
Em suma, a mobilidade pública em Feira de Santana requer uma
intervenção significativa, seguindo o exemplo de Salvador. A integração de
modais e a melhoria das condições do transporte público são fundamentais para melhorar
a qualidade de vida da população, em sua imensa maioria usuária do sistema
público de transporte.