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Política

Lula nomeia baiano Manoel Carlos de Almeida Neto para comandar interinamente o Ministério da Justiça

10 de Janeiro de 2026 | 08h 27
Lula nomeia baiano Manoel Carlos de Almeida Neto para comandar interinamente o Ministério da Justiça
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nomeou, nesta sexta-feira (9), o secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Manoel Carlos de Almeida Neto, para assumir o comando da pasta de forma interina. A nomeação foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União.

A decisão sinaliza que o Palácio do Planalto pode levar mais tempo para definir o sucessor definitivo de Ricardo Lewandowski. O presidente avalia a possibilidade de dividir o atual Ministério da Justiça e Segurança Pública, com a criação de uma pasta exclusiva para a área da Segurança Pública, embora ainda analise as condições políticas e administrativas para viabilizar a mudança.

A saída de Lewandowski e a intenção de desmembrar o ministério intensificaram a disputa interna no PT e entre aliados do governo por dois cargos estratégicos: o comando da Justiça e o eventual novo ministério da Segurança Pública. Para esta possível nova pasta, ainda não criada oficialmente, são citados nomes como o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Carvalho. Também aparecem como alternativas a deputada federal Delegada Adriana Accorsi (PT-GO) e o secretário de Segurança Pública do Piauí, Francisco Lucas Veloso, indicado pelo governador Rafael Fonteles (PT) e pelo ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias. O coordenador do grupo Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, também é mencionado nos bastidores.

À frente do ministério de forma interina, Manoel Carlos de Almeida Neto conta com a confiança e o apoio de Lewandowski para permanecer no cargo. Ainda assim, outros nomes seguem sendo ventilados, como o advogado-geral da Petrobras, Wellington César Lima e Silva. A definição também envolve negociações políticas, já que cerca de 20 dos 38 ministros devem deixar o governo até o início de abril para disputar as eleições de outubro. Nesse cenário, o PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, é apontado como uma das siglas que podem ser contempladas.

Outro nome que voltou a circular é o do senador Rodrigo Pacheco, que deve deixar o PSD. Ex-presidente do Senado, Pacheco chegou a ser cogitado para o Ministério da Justiça, mas teria recusado a possibilidade por considerar o cargo um “prêmio de consolação”, após não ter sido indicado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Para o posto na Corte, Lula escolheu o advogado-geral da União, Jorge Messias, decisão que gerou insatisfação no presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), defensor do nome de Pacheco.

Apesar disso, o Planalto ainda avalia lançar Rodrigo Pacheco como candidato ao governo de Minas Gerais. O senador deve deixar o PSD, de Gilberto Kassab, e pode migrar para o PSB ou para o MDB. Já Jorge Messias ainda precisará passar por sabatina no Senado após o recesso parlamentar. No governo, a avaliação é de que as resistências ao nome dele diminuíram após uma conversa entre Lula e Alcolumbre antes do Natal.

Natural de Ilhéus, no sul da Bahia, Manoel Carlos de Almeida Neto é doutor e pós-doutor em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em Direito Público pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e já ocupou cargos de destaque no Judiciário, como secretário-geral do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de ter atuado como procurador-geral municipal.

 

  



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