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Após ameaçar Groenlândia, Trump menospreza peso de países europeus na Otan

07 de Janeiro de 2026 | 17h 23
Após ameaçar Groenlândia, Trump menospreza peso de países europeus na Otan
Foto: Alex Wong/Getty Images

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, menosprezou as reações de países europeus contras a ameaça de anexação da Groenlândia, território semiautônomo da Dinamarca, que ele fez, no início desta semana.

Os membros da União Europeia integram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Contudo, para o presidente norte-americano, isto não seria um impeditivo. “Rússia e China não têm nenhum medo da Otan sem os EUA, e duvido que a Otan estaria lá para nós se realmente precisássemos dela”, disse, ressaltando que levou os países do bloco a aumentar de 2% para 5% do Produto Interno Bruto (PIB) total investido em defesa.

Trump também afirmou que os Estados Unidos estavam pagando pelos outros países. “A maioria não pagava suas contas, até eu aparecer. Os EUA, ingenuamente, estavam pagando por eles! Eu, respeitosamente, os levei a 5% do PIB, e eles pagam imediatamente. Todos disseram que isso não seria possível, mas foi, porque, acima de tudo, eles são todos meus amigos. Sem a minha intervenção, a Rússia teria toda a Ucrânia, agora”, declarou.

O presidente norte-americano tem enfrentado diversas críticas de aliados da Otan, em função das recorrentes ameaças de anexação da Groenlândia. Após bombardear a Venezuela, Trump voltou a dizer que a Groenlândia é necessária para segurança dos Estados Unidos, sugerindo que pode invadi-la e anexá-la ao seu território.

Para tentar justificar uma possível tomada da Groenlândia, o presidente dos Estados Unidos disse que navios chineses e russos trafegam no Mar do Ártico, e que, portanto, a assimilação da ilha seria fundamental para a Segurança Nacional norte-americana.

De acordo com o direito internacional, a anexação é ilegal. A primeira-ministra da Dinamarca, Matte Frederiksen, afirmou que, se um país da Otan atacar um parceiro do próprio bloco, seria “o fim de tudo”, referindo-se à organização militar que reúne, além de países europeus, os Estados Unidos e o Canadá.

Oito dos 32 países que integram a Otan defenderam a soberania da Dinamarca sobre a Groenlândia, nesta terça-feira (6), em um comunicado emitido conjuntamente. Dentre eles, estão a França, a Alemanha, o Reino Unido, a Espanha, a Itália, a Polônia, Portugal e a própria Dinamarca.

O documento destaca que “cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a elas, decidir sobre assuntos que dizem respeito à Dinamarca e à Groenlândia”. E ressalta que “os EUA são um parceiro essencial neste esforço” de manter a segurança no Ártico.

Resposta tímida – No entendimento de Agostinho Costa, major-general português, que é especialista em assuntos de segurança e geopolítica e ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal, a resposta dos aliados europeus à ameaça de Trump foi “tímida”.

O militar avalia que a publicação de Trump menosprezando as reações dos membros da Otan se trata de um “bullying puro e duro” contra os aliados. “A Europa está em estado de choque. Os países da Europa vivem uma orfandade em relação aos EUA. Toda política norte-americana de Trump vai contra as expectativas do componente europeu da Otan”, salienta.

Para ele, existe a ideia de que a Otan seria uma aliança de defesa para proteger a Europa de uma suposta ameaça. No entanto, diz que a função real da Otan é outra. “A organização, pela realidade dos fatos, representa os interesses estratégicos e geopolíticos norte-americanos e serve como justificativa para a presença norte-americana na Europa, em especial, para o conjunto de bases que eles têm aqui e para as 250 armas nucleares que estão posicionadas aqui”, acrescentou.

O general português disse considerar a submissão da Europa aos Estados Unidos “patológica”. Segundo ele, o aumento dos gastos com defesa, após a pressão de Trump, serviu para transferir recursos para a indústria de armas estadunidense. “É, fundamentalmente, um negócio que impôs à Europa uma transferência dos seus orçamentos de defesa para a indústria militar norte-americana, porque a indústria militar europeia não está minimamente desenvolvida a ponto de poder fornecer esses armamentos”, conclui.

 

 

 

 

 

 

*Com informações da Agência Brasil.



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