O Ministério Público de Portugal concluiu que a babá brasileira Lucinete Freitas foi assassinada pela própria patroa, também brasileira, na região metropolitana de Lisboa. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (5). De acordo com o órgão, a suspeita teria golpeado a vítima na cabeça com um bloco de cimento e, após o crime, usado o celular da babá para enviar mensagens fingindo ser ela, numa tentativa de despistar as investigações sobre o desaparecimento.
Segundo a apuração, no dia 5 de dezembro, a patroa levou Lucinete até uma área isolada, onde ocorreu a agressão fatal. Em seguida, ela teria jogado entulho sobre o corpo para ocultá-lo. Ainda conforme o Ministério Público, a suspeita manteve contato com familiares e conhecidos da vítima por meio de aplicativos de mensagens, afirmando que Lucinete estaria viajando para o Algarve acompanhada de uma amiga.
Natural de Aracoiaba, no interior do Ceará, Lucinete vivia em Portugal havia cerca de sete meses. Ela trabalhava como babá do filho da investigada e morava sozinha em um quarto na cidade de Amadora, na região metropolitana de Lisboa. O corpo foi encontrado em uma área de mata após dias de buscas, depois que a brasileira foi oficialmente dada como desaparecida.
A suspeita foi presa no dia 18 de dezembro e apontada como principal responsável pelo crime. Conforme o Ministério Público português, a relação entre patroa e funcionária era marcada por conflitos. A mulher foi indiciada por homicídio qualificado, profanação de cadáver, detenção de arma proibida e falsidade informática — crimes que, no Brasil, correspondem a homicídio qualificado, ocultação de cadáver, porte ilegal de arma e falsidade ideológica.
Último contato
O último contato feito a partir do celular de Lucinete ocorreu no início de dezembro, segundo relato do marido da vítima, Teodoro Júnior, que mora em Fortaleza. Ele afirmou que a esposa foi para Portugal em busca de trabalho e pretendia se estabelecer no país para, posteriormente, levar a família.
De acordo com Teodoro, no dia 6 de dezembro, Lucinete tinha agendado a visita a um apartamento que a família planejava alugar, já que ele e o filho, de 14 anos, pretendiam se mudar para Portugal em 2026. No entanto, o responsável pelo imóvel informou que ela não compareceu ao compromisso.
“Depois disso, mandei mensagens, ela visualizou, mas não respondeu. Liguei várias vezes e não atendia. Foi aí que percebi que algo estava errado”, relatou ao portal G1.
O marido também disse não conhecer a suposta amiga mencionada nas mensagens enviadas após o crime. “Esse é o grande mistério. Não sabemos quem é essa pessoa”, afirmou.