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Mundo

Delcy Rodríguez toma posse como presidente interina da Venezuela

05 de Janeiro de 2026 | 18h 17
Delcy Rodríguez toma posse como presidente interina da Venezuela
Foto: Juan Barreto/AFP

Delcy Rodríguez, vice-presidente da Venezuela, tomou posse, nesta segunda-feira (5), como presidente interina de seu país, após Nicolás Maduro ser sequestrado, no último sábado (3), por ordem de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Rodríguez prestou juramento, esta manhã, ante a Assembleia Nacional da Venezuela.

No fim de semana, tropas norte-americanas lançaram “um ataque de grande escala contra a Venezuela”, atingindo diversos alvos, inclusive civis, na capital, Caracas, e outros pontos do país. O que se seguiu a isto foi a retirada, à força, de Maduro e de sua mulher, Cilia Flores, do país.

Horas após a incursão bélica norte-americana, Donald Trump participou de uma coletiva de imprensa, anunciando que os Estados Unidos vão governar a Venezuela, até se concluir uma transição de poder.

Ainda no sábado, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) venezuelano determinou que Delcy Rodríguez assumisse a presidência interina, "de forma a garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da nação". No domingo (4), as Forças Armadas da Venezuela reconheceram a vice-presidente como legítima chefe de Estado.

Rodríguez é a primeira mulher, na história do país, a liderar o Poder Executivo. Um de seus primeiros atos foi exigir “a libertação imediata” de Nicolás Maduro, a quem chamou de “o único presidente da Venezuela”. A política condenou a arbitrária operação militar dos Estados Unidos.

INVASÃO ILEGÍTIMA – Desde o dia da invasão, a comunidade internacional tem se dividido entre a condenação da ação norte-americana e o júbilo pela queda de Maduro, que é acusado de governar ditatorialmente e de fraudar as últimas eleições presidenciais do país.

Especialistas em geopolítica e líderes de diversos países questionam a decisão de Donald Trump. Ao invadir um país soberano e sequestrar seu líder, os Estados Unidos violaram tratados internacionais e cometeram crime de guerra. Isto porque, segundo as convenções internacionais que regem o mundo desde o fim da Segunda Guerra, em 1945, nenhum Estado-Nação é soberano perante outro.

Além disso, argumentam que problemas internos devem ser resolvidos internamente, não sendo aceitável a intervenção militar de outro país, sem prévio conhecimento e pleno acordo de organismos internacionais competentes, como é o caso da Organização das Nações Unidas (ONU).

Trump está sendo acusado de atacar a Venezuela por interesse econômico, já que a Venezuela detém uma das maiores reservas de petróleo do mundo. O próprio presidente norte-americano declarou, publicamente, que empresas dos Estados Unidos passarão a gerenciar as reservas venezuelanas do referido recurso natural.

AMEAÇA DIRETA À COLÔMBIA – Além disso, líderes mundiais, entidades de Direito Internacional e de Direitos Humanos temem que a ação dos Estados Unidos abra um precedente perigoso, que ameace a paz mundial e a soberania de outros países. A tensão é grande, especialmente, na América Latina, que não havia, até então, tido um de seus Estados-Nação invadidos pelos Estados Unidos. Trump, inclusive, chegou a insinuar, neste domingo, uma ameaça à Colômbia.

O presidente Gustavo Petro, temendo uma incursão arbitrária das Forças Armadas norte-americanas em solo colombiano, convocou, na madrugada de hoje, o povo a tomar o poder e defender seu presidente, caso houvesse uma invasão estrangeira. “Tenho enorme fé no meu povo, e é por isso que lhes pedi que defendam o presidente contra qualquer ato ilegítimo de violência. A forma de me defenderem é tomar o poder em cada município do país. A ordem para as forças de segurança não é atirar contra o povo, mas sim contra os invasores”, escreveu.

Petro também afirmou que “qualquer comandante das Forças Armadas que preferir a bandeira dos EUA à bandeira colombiana será, imediatamente, destituído da instituição, por ordem de todos os soldados e por própria ordem”.

O líder colombiano ressaltou, ainda, que é o comandante supremo das forças militares e policiais da Colômbia, por ordem constitucional. E advertiu que uma possível tentativa de deposição por ação estrangeira teria graves consequências. “Se prenderem o presidente, a quem grande parte do meu povo ama e respeita, libertarão a onça-pintada do povo”, avisou.

Gustavo Petro também se defendeu das acusações feitas por Trump, que o chamou, injustificadamente, de narcotraficante. “Não sou ilegítimo, nem traficante de drogas. Meu único bem é a casa da minha família, que ainda pago com meu salário. Meus extratos bancários são públicos. Ninguém conseguiu provar que gastei mais do que ganho. Não sou ganancioso”, assegurou o chefe de Estado, criticando duramente a ação dos Estados Unidos contra o país vizinho.

 

 

 



 

 

*Com informações da Agência Brasil, da RTP e da CNN Brasil.



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