Delcy Rodríguez, vice-presidente da Venezuela, tomou posse, nesta segunda-feira (5), como presidente interina de seu país, após Nicolás Maduro ser sequestrado, no último sábado (3), por ordem de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Rodríguez prestou juramento, esta manhã, ante a Assembleia Nacional da Venezuela.
No fim de semana, tropas norte-americanas lançaram “um ataque
de grande escala contra a Venezuela”, atingindo diversos alvos, inclusive
civis, na capital, Caracas, e outros pontos do país. O que se seguiu a isto foi
a retirada, à força, de Maduro e de sua mulher, Cilia Flores, do país.
Horas após a incursão bélica norte-americana, Donald Trump
participou de uma coletiva de imprensa, anunciando que os Estados Unidos vão governar
a Venezuela, até se concluir uma
transição de poder.
Ainda no sábado, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) venezuelano
determinou que Delcy Rodríguez assumisse
a presidência interina, "de forma a garantir a continuidade
administrativa e a defesa integral da nação". No domingo (4), as Forças Armadas da Venezuela reconheceram
a vice-presidente como legítima chefe de Estado.
Rodríguez é a primeira mulher, na história do país, a liderar
o Poder Executivo. Um de seus primeiros atos foi exigir “a libertação imediata”
de Nicolás Maduro, a quem chamou de “o único presidente da Venezuela”. A política
condenou a arbitrária operação militar
dos Estados Unidos.
INVASÃO ILEGÍTIMA – Desde o dia da invasão, a comunidade
internacional tem se dividido entre a condenação da ação norte-americana e o
júbilo pela queda de Maduro, que é acusado de governar ditatorialmente e de
fraudar as últimas eleições presidenciais do país.
Especialistas em geopolítica e líderes de diversos países questionam
a decisão de Donald Trump. Ao invadir um país soberano e sequestrar seu líder,
os Estados Unidos violaram tratados internacionais e cometeram crime de guerra.
Isto porque, segundo as convenções internacionais que regem o mundo desde o fim
da Segunda Guerra, em 1945, nenhum Estado-Nação é soberano perante outro.
Além disso, argumentam que problemas internos devem ser resolvidos
internamente, não sendo aceitável a intervenção militar de outro país, sem
prévio conhecimento e pleno acordo de organismos internacionais competentes,
como é o caso da Organização das Nações Unidas (ONU).
Trump está sendo acusado de atacar a Venezuela por interesse
econômico, já que a Venezuela detém uma das maiores reservas de petróleo do
mundo. O próprio presidente norte-americano declarou, publicamente, que empresas
dos Estados Unidos passarão a gerenciar as reservas venezuelanas do referido recurso
natural.
AMEAÇA DIRETA À
COLÔMBIA – Além
disso, líderes mundiais, entidades de Direito Internacional e de Direitos
Humanos temem que a ação dos Estados Unidos abra um precedente perigoso, que
ameace a paz mundial e a soberania de outros países. A tensão é grande, especialmente,
na América Latina, que não havia, até então, tido um de seus Estados-Nação
invadidos pelos Estados Unidos. Trump, inclusive, chegou a insinuar, neste
domingo, uma ameaça à Colômbia.
O presidente Gustavo Petro, temendo uma incursão arbitrária
das Forças Armadas norte-americanas em solo colombiano, convocou, na madrugada
de hoje, o povo a tomar o poder e defender seu presidente, caso houvesse uma invasão
estrangeira. “Tenho enorme fé no meu povo, e é por isso que lhes pedi que
defendam o presidente contra qualquer ato ilegítimo de violência. A forma de me
defenderem é tomar o poder em cada município do país. A ordem para as forças de
segurança não é atirar contra o povo, mas sim contra os invasores”, escreveu.
Petro também afirmou que “qualquer comandante das Forças
Armadas que preferir a bandeira dos EUA à bandeira colombiana será,
imediatamente, destituído da instituição, por ordem de todos os soldados e por
própria ordem”.
O líder colombiano ressaltou, ainda, que é o comandante
supremo das forças militares e policiais da Colômbia, por ordem constitucional.
E advertiu que uma possível tentativa de deposição por ação estrangeira teria
graves consequências. “Se prenderem o presidente, a quem grande parte do meu
povo ama e respeita, libertarão a onça-pintada do povo”, avisou.
Gustavo Petro também se defendeu das acusações feitas por
Trump, que o chamou, injustificadamente, de narcotraficante. “Não sou
ilegítimo, nem traficante de drogas. Meu único bem é a casa da minha família,
que ainda pago com meu salário. Meus extratos bancários são públicos. Ninguém conseguiu
provar que gastei mais do que ganho. Não sou ganancioso”, assegurou o chefe de
Estado, criticando duramente a ação dos Estados Unidos contra o país vizinho.
*Com informações da Agência Brasil, da RTP e da CNN Brasil.